Economia

6 de abril de 2016

Perspectivas 2016 – Plásticos: Transformação de plásticos abre mercados para compensar retração dos clientes usuais

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Publicado por: Jose P. Sant Anna
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    Química e Derivados, Perspectivas 2016 - Plásticos: Transformação de plásticos abre mercados para compensar retração dos clientes usuais ©QD Foto: Shutterstock

    O clima não anda lá muito animado para os representantes da indústria. Depois de viver em 2015 um período complicado, o sentimento para o ano que se inicia não é dos melhores. As previsões um tanto nebulosas para a economia explicam tal sentimento. A expectativa é a de que virão mais dias difíceis pela frente. Resta a esperança de que a crise política e econômica pela qual passamos se amenize.

    O cenário vale também para o setor do plástico, guardadas suas particularidades. Em geral, o segmento sofre um pouco menos do que outros ramos da indústria. Não por acaso. As resinas se distinguem das outras matérias-primas. Elas contam com grande versatilidade, substituem outros materiais com vantagens em novas aplicações. O fator é favorável ao surgimento de oportunidades de negócios e isso ocorre em vários e importantes segmentos da economia. Para ter ideia do quanto pode crescer esse mercado basta lembrar que o Brasil possui consumo per capita de aproximadamente 35 kg de plástico por habitante. Em países desenvolvidos, esse número gira em torno de 100 kg por habitante.

    Química e Derivados, Roriz Coelho: resinas cotadas em dólares elevam os custos

    Roriz Coelho: resinas cotadas em dólares elevam os custos

    José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), reconhece o grande potencial do setor. Mesmo assim, não se entusiasma com as perspectivas para 2016. Nem mesmo a possibilidade do plástico conquistar novas fatias de mercado mediante a substituição de outros materiais o deixa menos ressabiado. “O desenvolvimento de novas aplicações envolve pesquisa, fabricação de moldes, investimentos que tornam essas alternativas difíceis no atual contexto de retração da economia”, avaliou.

    O dirigente estima que 2016 apresentará retração da atividade econômica geral, com queda de 3% no PIB e aproximadamente 4,4% no desempenho da indústria. “Acreditamos que o setor de transformados plásticos sofra retração de aproximadamente 3,8%”. Cenário ruim após um ano bem negativo. “O faturamento dos transformadores de plástico em 2015 sofreu queda de 12,4%, fechando em R$ 64,3 bilhões”, informou Roriz Coelho. Em 2014, o setor havia movimentando em torno de R$ 67,4 bilhões. Os resultados são creditados a fatores muito discutidos nos últimos tempos, em especial a crise política, que influencia de maneira direta a conjuntura macroeconômica. Vivemos período de retração da demanda, inflação e queda na confiança do consumidor.

    Roriz Coelho destaca as vendas de plásticos para aplicações agrícolas como único nicho de mercado em que não se tem verificado queda no nível de produção. O fato tem explicação. A agricultura foi o único setor do país com desempenho positivo no ano passado, apresentou crescimento de 2,1% no período de janeiro a setembro. Para esse ano, as perspectivas para esse nicho permanecem positivas. Embora em queda, no segmento de embalagens o plástico tem conseguido resultados menos desfavoráveis pela atuação inovadora dos designers, que criam soluções às quais o plástico se encaixa com perfeição.

    Por outro lado, o desempenho de importantes clientes se encontra em situação delicada. “Setores como os da construção civil e indústria automobilística passam por momento de retração por causa da baixa demanda”, explica Roriz Coelho. Esses dois segmentos são fundamentais para a transformação do plástico: a indústria da construção civil, nos últimos anos, tem sido a maior compradora de artigos plásticos – o segmento respondeu por 16,2% da demanda total em 2013. A de componentes automotivos também é para lá de significativa. Em média, nos últimos anos, as vendas de peças plásticas para montadoras representam quase 70% do faturamento do setor de autopeças.

    A realização dos Jogos Olímpicos no Brasil, evento que deve atrair número expressivo de turistas estrangeiros para a cidade do Rio de Janeiro-RJ, é vista por alguns economistas como fator positivo, capaz de injetar ânimo ao consumo combalido daqui. Para Roriz Coelho, a competição não chega a entusiasmar. “A experiência com a Copa de 2014 nos mostra que não houve impacto para o setor de transformados plásticos, até porque 95% da nossa produção são de bens intermediários e não diretamente ao consumidor final”.

    Pelo menos em um aspecto, ele acredita haver um diferencial em relação aos resultados pífios obtidos na Copa do Mundo de 1914. No torneio de futebol houve redução de dias úteis, com a promulgação de folgas nas fábricas nos dias de jogos do Brasil. “Isso nos impactou negativamente em termos de volume de produção”. No caso das Olimpíadas, não haverá “feriados extemporâneos” e as competições se concentrarão em apenas um estado da federação. “Os impactos para o setor serão praticamente nulos”, resume.


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