Economia

7 de abril de 2016

Perspectivas 2016 – Distribuição: mercado quer serviços mais sofisticados, mas elevação dos custos exige controle apurado

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Perspectivas 2016 - Distribuição: mercado quer serviços mais sofisticados, mas elevação dos custos exige controle apurado

    A distribuição de produtos químicos atravessou, a duras penas, 2015 e se prepara para novas turbulências neste ano. O panorama não é dos melhores. A confusa situação política nacional, colocando em risco o mandato presidencial, e a falta de clareza nas decisões econômicas do atual governo aumentam a insegurança dos investidores e empreendedores, retardando (ou impedindo) novos projetos produtivos no país.

    “Os empresários nacionais estão na defensiva, com ânimo muito abalado, ante a falta de autoridade e de respeito pelas lideranças políticas. O clima é ruim, com alto grau de incerteza, que não é bom para os negócios”, avaliou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim).

    Química e Derivados,

    Medrano: distribuídas querem compartilhar mais informações

    O dirigente setorial sempre se declarou como “otimista moderado”, mas sente dificuldade de manter essa posição nos tempos atuais. Para ele, 2016 registrará nova retração do PIB, como apontam os analistas de mercado, e isso se refletirá em mais dificuldades para os distribuidores. “Ainda não é possível fazer prognósticos para 2016, até pode ser que melhore no segundo semestre, mas por enquanto a tendência é de enfrentarmos muitas dificuldades”, afirmou.

    Essa perspectiva apenas mantém a trajetória iniciada em 2015. A combinação de enfraquecimento do real e queda dos preços internacionais do petróleo e derivados – gerando efeitos que se compensaram apenas em parte – acabou por resultar em faturamento anual menor para o setor. “Em moeda forte, dólares, o faturamento da distribuição deve ter caído mais de 10% em 2015, vamos saber exatamente quando terminarmos o levantamento anual”, comentou. O efeito do câmbio foi preponderante. “O preço dos produtos no exterior foi reduzido, mas a variação cambial foi muito maior, embora nossos custos fixos tenham sido majorados significativamente, ou seja: houve compressão das margens de lucro”, salientou.

    Além da queda dos preços, Medrano também apontou uma redução do grau de sofisticação da demanda. Interessados em reduzir custos, muitos clientes passaram a buscar alternativas mais econômicas de insumos químicos, amplificando a redução do valor comercializado.

    Essas dificuldades se verificaram em todos os ramos da atividade. Mesmo nas áreas mais sofisticadas, como o setor farmacêutico e o de cosméticos, houve queda de demanda. “Todo o setor produtivo busca mais performance com menores custos, e estão aceitando sugestões nesse sentido, abrindo oportunidades de negócios, por exemplo, na construção civil”, mencionou.

    Há mais de quarenta anos atuando no comércio químico, Medrano recomenda aos empresários do ramo aprimorar seus controles operacionais e financeiros, buscando fazer o mesmo serviço com menor custo. “O Brasil é muito diferente dos países desenvolvidos com os quais estamos acostumados a dialogar. Por aqui, somos obrigados a carregar um Estado perdulário e ineficiente que cobra impostos elevados para nos proporcionar portos ruins e transportes caros, por exemplo”, criticou. Além disso, o custo do capital em terras nacionais supera em larga distância as taxas de juros cobradas em outros países, inviabilizando muitas iniciativas.

    Mesmo assim, Medrano ainda vê futuro na distribuição química brasileira. “Somos a sexta indústria química mundial, temos 200 milhões de habitantes vivendo em uma democracia, com ambiente pacífico, e estamos próximos do maior mercado do mundo, os Estados Unidos”, apontou. A dinâmica dos negócios, embora tenha perdido impulso com a retração da economia, ainda segue a mesma tendência: aumentar a prestação de serviços aos clientes e aos fabricantes. “O distribuidor precisa agregar valor ao produto, não é só olhar a diferença de preços de compra e de venda, mas oferecer serviços, qualidade e atendimento qualificado”, ressaltou.

    A prestação de serviços cada vez mais exigente impõe investimentos na chamada tecnologia da informação (TI), além de implantar laboratórios próprios, contratar pessoal especializado. Tudo isso redunda em custos, que precisam ser remunerados adequadamente.

    Medrano também aponta que é preciso compartilhar mais informações com fabricantes e clientes para prestar serviços mais apurados. “É preciso ter mais confiança entre todos os elos da cadeia para poder implantar, por exemplo, sistemas de telemetria para acompanhamento dos estoques em tempo real”, afirmou. A capilaridade de atuação dos distribuidores permite aos fabricantes conhecer rapidamente as demandas regionais e preparar respostas para elas.

    Como exemplo, ele aponta a evolução da distribuição química nos Estados Unidos e na Europa. Nesses mercados, convivem grandes e pequenas empresas comerciais, ambas com bons resultados. “A distribuição é muito respeitada nessas regiões”, comentou.


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