Economia

20 de março de 2015

Perspectivas 2015 – Química fina: Sem planejamento de longo prazo, avanço do segmento segue lento e disputa espaço com importados

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Publicado por: Hamilton Almeida
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    Química e Derivados, Perspectivas 2015 - Química fina: Sem planejamento de longo prazo, avanço do segmento segue lento e disputa espaço com importados

    Química e Derivados, Oliveira: ideologia radical prejudica agroquímicos

    Oliveira: ideologia radical prejudica agroquímicos

    As coisas foram tão ruins em 2014, que não devem piorar mais.” O desabafo é do 1º vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina), Nélson Brasil de Oliveira, um crítico feroz das facilidades para a importação e da falta de uma política industrial de longo prazo no país. “De modo geral, a indústria total passa por um período muito ruim”, contextualiza, lembrando que há cerca de 10 anos, o setor secundário representava 25% do PIB nacional e hoje não vai além de 13%. O segmento da química equivale a 3% do PIB – faturou US$ 160 bilhões no ano.

    Os setores de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos respondem por 15% da indústria química e estão aparentemente imunes à crise. “Esse tipo de produto mexe com a vaidade das pessoas e parece ser a última coisa que o consumidor vai abandonar”, observa Oliveira. A área farmacêutica (28% aproximadamente do faturamento setorial) apresenta um comportamento razoável para bom porque, na opinião do executivo, envolve produtos voltados para a saúde pública e não há séria competição com os importados. “O marco regulatório sanitário é forte. Os produtos têm que ser registrados e fiscalizados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”, explica.

    Química e Derivados, Guimarães: avanços notáveis em nichos de alta complexidade

    Guimarães: avanços notáveis em nichos de alta complexidade

    O 2º vice-presidente da Abifina, Reinaldo Guimarães, salienta que as indústrias farmacêuticas e farmoquímicas têm sido “um ponto fora da curva” no cenário geral, por conta do maior acesso a esses medicamentos, que decorre dos programas sociais, aumento do salário mínimo e do sucesso da política de genéricos. “Essa situação de conforto é maior ainda na área farmacêutica”, acrescenta. O desconforto está na “imensa produção” de princípios ativos na China e na Índia, que gera um grande volume de importação e não há muito como evita-lo: “Chegamos atrasados em relação àqueles países no campo das commodities farmacêuticas”, lamenta.

    Oliveira classifica a produção nacional de princípios ativos como “ridícula”. As exceções são o Laboratório Cristália, que produz praticamente a metade dos princípios ativos que utiliza em seus produtos, e a Lipps, além de “duas ou três empresas que os fabricam para vender aos demais laboratórios”. Os demais, só importam. “Esse setor carece de verticalização. A estimativa é que apenas 5% dos princípios ativos consumidos por toda a indústria farmacêutica nacional e multinacional são produzidos aqui”, destaca. Em compensação, “avançou-se bastante nas parcerias público privadas (PPP) – Ministério da Saúde com empresas privadas – para a fabricação de princípios ativos para os medicamentos requeridos pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, ressalva Oliveira.

    Guimarães destaca que a saída é a especialização na farmoquímica: “Percebe-se uma tendência de se fixar em nichos de maior complexidade em termos de moléculas ativas. Isso não se desenvolve sem dificuldade, mas há avanços.” No caso da indústria farmacêutica, o nicho dos genéricos e similares tem sido fundamental para o crescimento do setor. O radar das empresas já aponta, entretanto, para a perspectiva da inovação. É preciso ir além das cópias. “Já se nota aqui e ali algumas empresas voltadas para produtos inovadores”, testemunha.

    O mais sofrido dos segmentos da química fina é o de defensivos agrícolas. “Sofre-se não só pelos problemas macroeconômicos, mas também pelo marco regulatório”, afirma Oliveira. Ele considera que há “um radicalismo ideológico” no tratamento desse assunto. A começar pela denominação agrotóxicos: “Se são produtos tóxicos, devem ser evitados!”. O dirigente da Abifina também considera que essa ideia radical “infelizmente é voltada, basicamente, para a indústria estabelecida no Brasil.” Esses são os fatos: “Os órgãos regulatórios são extremamente exigentes na fiscalização e na aprovação de um produto fabricado no Brasil. Mas, as importações são feitas à vontade”, critica.


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