Economia

21 de fevereiro de 2014

Perspectivas 2014 – Química: Alívio tributário melhorou resultados, mas importações continuam a bater recordes

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Perspectivas 2014 - Química: Alívio tributário melhorou resultados, mas importações continuam a bater recordes

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    exemplo dos caranguejos, a indústria química brasileira andou de lado em 2013, mantendo o faturamento líquido por volta de US$ 160 bilhões nos últimos três anos. Esse valor compreende todos os segmentos da atividade, até os produtos finais. Em sentido estrito, os produtos químicos de uso industrial tiveram o mesmo comportamento tímido, situando-se por volta de US$ 70 bilhões (veja gráfico com os números exatos nesta edição).

    Esses dados foram apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), no seu encontro anual, realizado em dezembro. Os indicadores setoriais de produção química em sentido estrito foram coerentes com a estagnação do faturamento, registrando variação de apenas 1,1% de 2011 a 2013.

    Química e Derivados, Figueiredo: importações do setor equivalem ao mercado espanhol

    Figueiredo: importações do setor equivalem ao mercado espanhol

    A mesma entidade reuniu informações oficiais de comércio exterior químico (em sentido amplo), apurando um déficit de US$ 32 bilhões em 2013, com expansão de 13% sobre o saldo negativo registrado em 2012, de US$ 28,1 bilhões. Associando as informações até aqui apresentadas, fica patente que o setor químico nacional não está conseguindo acompanhar a evolução da demanda interna, exigindo ampliar as importações.

    “As importações químicas brasileiras somaram US$ 46,1 bilhões em 2013, isso é equivalente ao mercado químico da Espanha”, comparou Fernando Figueiredo, presidente executivo da Abiquim. Esse dado serve como indício da pujança da economia brasileira e das oportunidades de investimentos por aqui disponíveis a quem se atrever a aproveitá-las.

    Figueiredo ressaltou que a indústria química do Brasil ocupa a sexta posição no ranking mundial, sendo superada pela China, Estados Unidos, Japão, Alemanha e Coreia do Sul. Mas, nos últimos anos, o setor está perdendo relevância, mesmo em âmbito nacional. “Éramos o primeiro setor em termos de PIB industrial na década de 1970, porém agora estamos na quarta colocação, com 10,5% do PIB total”, informou.

    O aumento das importações tem um lado mais sombrio: “Esse déficit não agrega valor à cadeia produtiva, tanto é assim que a geração de empregos por aqui só cresceu 1,3%, ou seja, estamos criando postos de trabalho lá fora”, criticou. Segundo estudos da Abiquim, cerca de dois terços dos produtos químicos importados poderiam ser fabricados no país. “Temos tecnologia para tanto, além de um parque fabril com mais de 800 pequenas e médias companhias, algumas delas com mais de 50 anos de atuação”, afirmou.

    Química e Derivados, Tabela---PRODUTOS-QUIMICOS-DE-USO-INDUSTRIALÉ preciso avaliar com algum vagar esses números, a começar pelo fato de eles incluírem os produtos finais, entregues diretamente aos consumidores. Os insumos para a fabricação de fertilizantes agrícolas estão entre os itens mais importados pelo país, uma potência agrícola que necessita deles. “Esse setor tem condições de retomar os investimentos em capacidades produtivas, desde que a regulamentação da atividade mineradora seja atualizada e o preço do gás natural sofra uma grande redução”, comentou. Cerca de dois terços do mercado de fertilizantes químicos são importados, gerando um déficit de US$ 7,88 bilhões, pelos cálculos da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

    O setor agrícola demanda outros itens químicos de alto valor, quase todos fabricados fora do país. É o caso dos defensivos agrícolas, cujos princípios ativos são moléculas complexas e caras. “Não se pode ter uma agricultura forte sem contar com um parque produtivo de defensivos, mas esse segmento ainda precisa de uma regulamentação adequada e tratamento específico para ganhar força por aqui”, disse Figueiredo. Ele comentou que o governo federal criou no ano passado uma comissão interministerial para resolver os entraves para a produção local dessas moléculas.

    De certa forma, o setor farmacêutico se assemelha ao de agroquímicos: ambos dependem da importação de princípios ativos, mas possuem estrutura de formulação local. “A indústria farmacêutica apresenta um déficit comercial da ordem de US$ 6 bilhões”, salientou.

    O setor de fibras artificiais e sintéticas está no centro de um dos maiores investimentos químicos do país: o polo têxtil de Suape-PE, onde será conduzida a cadeia completa das fibras PET, desde o ácido tereftálico até as resinas poliéster para garrafas e para uso têxtil, bem como as fibras sintéticas. No entanto, as importações ainda dominam o cenário das fibras, atingindo perto de um bilhão de dólares, contra exportações de US$ 207 milhões em 2013. “Esse segmento depende muito do comportamento do mercado têxtil nacional, que não foi bem no ano passado”, considerou Figueiredo.


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