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3 de março de 2014

Perspectivas 2014 – Petrobras: Exploração tem prioridade, mas estatal precisa reduzir custos e evitar atrasos

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Publicado por: Bia Teixeira
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    Química e Derivados, Perspectivas 2014 - Petrobras: Exploração tem prioridade, mas estatal precisa reduzir custos e evitar atrasos

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    oi quase possível ouvir um “ufa” na sede da Petrobras no primeiro dia do ano, quando a P-55, a maior plataforma semissubmersível já construída no país, com 10 mil m² de área, 130 metros de altura e 52 mil toneladas de peso, entrou em operação no Campo de Roncador, na Bacia de Campos, em águas com profundidade de 1.800 metros.

    A festa da virada do ano foi “brindada” com petróleo na imensa plataforma, que tem capacidade para processar diariamente 180 mil barris de petróleo, comprimir 6 milhões de m³ de gás natural e injetar 290 mil barris de água. Com a interligação dos 17 poços (onze produtores e seis injetores de água), a P-55 deverá alcançar seu pico de produção no primeiro semestre de 2015.

    O primeiro óleo pode até apagar da memória o atraso de quase dois anos deste projeto, de acordo com o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do Sistema de Produção e Escoamento de Óleo e Gás Natural nos Módulos 3 (P-55) e 4 (P-62) do Campo de Roncador. Elaborado pela Petrobras em fevereiro de 2010, previa o início da operação da unidade de produção em fevereiro de 2012. Data revista posteriormente e postergada para seis meses depois, também descumprida.

    Foram vários os fatores que causaram o atraso desse projeto emblemático, que acabou por atestar a qualificação da indústria naval brasileira na construção de plataformas desse tipo e porte (com 79% de conteúdo local), na visão da classificadora Bureau Veritas.

    Todos eles sinalizam que a cadeia produtiva de óleo e gás e, principalmente, a Petrobras, a maior demandante deste setor, precisam fazer algumas lições de casa se desejam atingir seus objetivos. No caso dos fornecedores de bens e serviços, capacitar-se efetivamente para atender à demanda aquecida do mercado local e alcançar voos maiores, o mercado internacional.

    Para a Petrobras, é primordial, entre outros fatores, monitorar com atenção os grandes empreendimentos que vão dar suporte para que a companhia atinja suas metas de produção, gere resultados positivos aos acionistas e reposicione a petroleira brasileira entre as companhias de maior valor no setor. Sem falar na autossuficiência efetiva do país em óleo e gás.

    Tempo é dinheiro – Essa é a regra número 1 em qualquer setor, principalmente das empresas que têm uma atividade de risco como a exploração e a produção de petróleo, energético crucial na economia mundial.

    Quando o cumprimento de prazos depende de vários agentes e fatores, é necessário rever conceitos desde o início. O atraso na P-55 se deu, no primeiro momento, por questões de custos que levaram a estatal a cancelar o processo de licitação, por ter sido considerada economicamente inviável em face das exigências de conteúdo nacional.

    Foi assim que o projeto básico das facilidades acabou por ser revisto, sofrendo mudanças substanciais, sem perda da capacidade, nas mãos da empresa holandesa Gusto Engineering. Além de mudanças em algumas especificações técnicas, que possibilitaram a redução da torre de flare (queima de gases residuais) de 100 para 70 metros, houve alterações na planta (dispensando o deck intermediário ou mezanino) e em materiais, com uso maior de aço-carbono.

    Com isso, houve redução de área e também de peso –mais de 30% no topside e de 20% no deck box, além da tripulação, que caiu de 200 para 100 embarcados. Os custos caíram, viabilizando a construção no país.

    Essa é a primeira lição a ser executada pela petroleira: revisão no projeto e não no meio do caminho, como costumava acontecer até há bem pouco tempo, aumentando custos, derrubando prazos e provocando gritaria entre os fornecedores. E impactando resultados e o valor das ações nas bolsas.

    Os prazos foram dilatados também por fatores alheios à vontade da Petrobras, uma vez que o casco foi construído praticamente em simultâneo com o próprio Estaleiro Atlântico Sul (EAS), que ganhou a licitação. Mas esse era o preço que a petroleira estaria disposta a pagar pela chamada “retomada da indústria naval”, defendida pelo Governo Federal.

    Outros projetos se atrasaram pelos mesmos fatores, além das exigências legais em tópicos ambientais, como a presença de recifes de corais em locais onde seriam instalados os arranjos submarinos (manifolds, bombas de separação, árvores de natal molhadas entre outros equipamentos que ficam sobre o leito do mar). Fatores previsíveis, se bem avaliados no planejamento.

    Química e Derivados, Foster impôs controle rígido do andamento dos projetos

    Foster impôs controle rígido do andamento dos projetos

    Tudo isso se deu a despeito dos esforços da presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, que logo no primeiro ano no comando da petroleira (2012) implementou nova dinâmica de gestão e acompanhamento físico e financeiro de cada projeto. O andamento de empreendimentos estratégicos, como plataformas, refinarias, dutos etc., hoje é avaliado rotineiramente pela executiva.

    Isso tem obrigado os gestores dos projetos e também os fornecedores (cônscios do poder de compra de bens e serviços da estatal) a acompanhar o andamento de cada projeto nos canteiros e fábricas. Mesmo nos fins de semana e feriados. Uma rotina que Foster não vê razões para alterar, nem afrouxar o nível de cobrança, uma vez que a meta para o final da década é dobrar a produção. E isso inclui colocar não menos que 20 plataformas em operação, abrangendo também as áreas de cessão onerosa e no Campo de Libra.


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