Máquinas e Equipamentos

27 de fevereiro de 2014

Perspectivas 2014 – Moldes: Ferramentaria nacional encara concorrência de asiáticos com preços imbatíveis e qualidade

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Química e Derivados, Perspectivas 2014 - Moldes: Ferramentaria nacional encara concorrência de asiáticos com preços imbatíveis e qualidade

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    astante pulverizada e constituída de um sem-número de microempresas, a ferramentaria nacional deve enfrentar grandes desafios este ano. As projeções de crescimento empolgam pouco. Nas estimativas do presidente da Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações (CSFM) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Alexandre Fix, também dono da Polimold, uma das maiores empresas brasileiras fabricantes de porta-moldes, a expansão do setor não passou de 3% ou 4% em 2013 e as estimativas para 2014 são incertas. Se repetir a dose, já estará de bom tamanho, diante dos percalços que esse mercado deve enfrentar.

    Química e Derivados, Fix: política industrial fraca sucateia a produção nacional

    Fix: política industrial fraca sucateia a produção nacional

    A começar pela elevada e constante perda de competitividade e o consequente processo de desindustrialização do segmento. O assédio dos produtos asiáticos, com preços baixíssimos, tira o sono dos ferramenteiros há anos. Agora com um agravante: eles agregaram qualidade aos seus moldes. Se tempos atrás o transformador brasileiro levava preço em detrimento da qualidade quando optava por moldes da região, hoje ele traz para casa produtos de ótima qualidade a preços ainda imbatíveis.

    E quem atesta esse avanço tecnológico nos produtos asiáticos é o próprio Alexandre Fix. “O que nos deixa muito preocupados é que hoje em dia existem várias ferramentarias de altíssima qualidade na China, em Taiwan, em Singapura e em outros países da região oferecendo preços muito baixos; a qualidade do produto asiático subiu, mas os preços continuam bem menores; então nós vamos perdendo competitividade”, lastima o presidente da Câmara Setorial.

    Sua própria empresa teve a oportunidade de constatar o fato, pois alguns de seus clientes compram moldes desses países, mas pedem que a Polimold insira neles a sua câmara quente. “Então nós mandamos a câmara quente para a ferramentaria, onde ela é montada no sistema e depois volta no molde; e nós ficamos abismados com a qualidade das ferramentarias da região, em Singapura, por exemplo, não deixa nada a dever”, comenta. O que preocupa é exatamente esse fato, pois se antigamente a indústria brasileira podia reclamar que os moldes asiáticos tinham baixíssima qualidade, hoje essa queixa não procede mais. “Isso me assusta, também na Índia existem ferramentarias de altíssimo nível e preço lá embaixo”, admite Fix.

    Na opinião dele, o Brasil tem boa tecnologia na área de moldes, mas não tem investido em máquinas. Acontece que para ganhar competitividade as ferramentarias nacionais precisam adquirir equipamentos mais modernos e produtivos. Medida adotada por pouquíssimas empresas da área. Enquanto isso as importações avançam e devem fechar em torno de 205 milhões de dólares em 2013, nas estimativas do presidente da câmara setorial.

    Um dos motivos: a dificuldade em obter financiamento do Finame/BNDES. Trata-se de um problema antigo. As empresas não conseguem porque a maioria não tem certidão negativa, atestando que estão com todos os impostos em dia. É raro quem consegue financiamento do governo. Dificilmente os pequenos e médios empresários são bem-sucedidos nessa empreitada. Na opinião de Fix, o atual sistema tributário brasileiro sufoca o pequeno empresário, que não está estruturado para lidar com toda a sua complexidade. O setor de ferramentaria nacional é constituído em sua maioria por empresas muito pequenas.

    Trata-se de um mercado bastante pulverizado, com ferramentarias de todos os portes e especialidades variadas. Sem estatísticas oficiais disponíveis na câmara setorial para o tamanho do setor, até mesmo pela sua alta informalidade, Fix arrisca um número baseado na atuação da sua empresa. Ele estima a existência de 4 a 5 mil ferramentarias no país.

    A ferramentaria brasileira ainda tem outro desafio pela frente: encurtar os prazos de entrega, atualmente muito longos e, na verdade, resultado da falta de investimento em maquinário mais atualizado. Essa situação preocupa Fix. “Daqui a pouco o setor não vai conseguir produzir mais.” O representante defende os ferramenteiros, justificando que a máquina brasileira custa muito caro. “A indústria não é ineficiente porque quer. Nós temos alta tributação, o nosso trabalhador custa caro em comparação com o trabalhador da Ásia. A política industrial brasileira é muito fraca e está sucateando a nossa indústria, de uma forma geral, não é só o nosso setor”, lamenta.


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