Economia

25 de fevereiro de 2014

Perspectivas 2014 – Máquinas: Incentivos do governo ajudam, mas a instabilidade econômica ainda gera incertezas no setor

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Publicado por: Jose P. Sant Anna
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    Química e Derivados, perspectivas_2014_vinheta

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    ma incógnita. As vendas de máquinas e equipamentos para plástico em 2014 podem ser impulsionadas por alguns fatores positivos, como a renovação do programa de financiamento PSI/Finame, do BNDES, a desoneração da folha de pagamentos estendida à indústria do ramo e a alta do dólar verificada nos últimos tempos, o que tornou a indústria brasileira mais competitiva em relação aos importados. Tudo melhora se for combinado com um bom ritmo de consumo das famílias brasileiras.

    Por outro lado, o desempenho da economia, a realização da Copa do Mundo e das eleições, o excesso de feriados no calendário e outros aspectos podem frear os negócios, contribuir para uma possível redução nos investimentos das empresas transformadoras, as principais clientes dos fabricantes do ramo. Sem falar nas dificuldades geradas pelo famigerado “custo Brasil”, motivo de queixas recorrentes de empresários de todos os setores já há algumas décadas. Na categoria se enquadram reclamações contra problemas de infraestrutura, os juros elevados praticados pelo sistema financeiro, impostos altos e outros velhos entraves relacionados à realidade brasileira.

    Química e Derivados, Produção física por setores variação % acumulada no ano“Por enquanto, não temos nenhuma expectativa sobre o desempenho de nosso setor este ano”, diz Gino Paulucci Júnior, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios da Indústria do Plástico da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Para o dirigente, a dificuldade de previsão tem mais efeitos negativos do que positivos. Ele gostaria de contar com um quadro mais claro, que trouxesse maior segurança aos clientes interessados em investir em novos empreendimentos.

    “Nos últimos anos temos sofrido com incertezas”, reclama. Tudo poderia ser atenuado se houvesse uma política econômica mais estável. “Temos que reconhecer que o governo não está insensível, tem se esforçado para colaborar com o desempenho do setor de bens de capital. Mas poderia ser melhor.” Para exemplificar, cita o caso do programa de financiamento criado pelo BNDES. O PSI nasceu com o objetivo de facilitar a venda de máquinas e equipamentos novos fabricados no Brasil. As empresas credenciadas no banco de fomento econômico podem comercializar seus produtos por meio de financiamentos com taxas de juros muito amigáveis. Para empresas compradoras com faturamento de até R$ 90 milhões por ano, as taxas de juros cobradas são de 4,5% ao ano. Para aquelas com faturamento superior, a porcentagem sobe para 6%.

    “Essas taxas são muito boas diante das demais oferecidas no mercado e o PSI tem nos ajudado muito desde que foi implantado”, reconhece Paulucci. O problema é a forma como o programa tem sido gerido. “Ele é aplicado com prazos definidos e isso gera muita insegurança.” No ano passado, o benefício tinha término previsto para o final de 2013. Somente nos últimos dias de dezembro foi renovado e agora vale até o final de 2014. “Esse programa precisa ser perene. Pode haver algum acréscimo da taxa de juros cobrada, se o governo achar necessário, mas o fato de ele ser aplicado de forma contínua tranquilizaria fabricantes e compradores de máquinas”, defende. Outro reflexo da calmaria proporcionada pela medida é o incentivo oferecido aos fabricantes de equipamentos para que eles invistam de maneira incisiva na ampliação de suas capacidades de produção.

    Química e Derivados, FATURAMENTO BRUTO MENSAL (R$ bilhões constantes*) Desoneração da folha, dólar… –Além do sistema de financiamento, outros aspectos atrapalham a decisão dos empresários de investir em novos empreendimentos. Um caso similar ao do programa PSI ocorre com o projeto de desoneração da folha de pagamento criado pelo governo federal. “Essa é outra medida com prazo definido que deveria se tornar para sempre”, ressalta.

    Só para lembrar do que se trata: para as empresas que se enquadram no âmbito do programa, entre elas os fabricantes de máquinas e equipamentos e os transformadores de peças plásticas, adotou-se nova fórmula de contribuição previdenciária dos colaboradores sobre as receitas brutas das empresas, descontadas as receitas obtidas com exportação. A mudança ainda contempla a redução da carga tributária dos setores beneficiados, porque a alíquota sobre a receita bruta foi fixada em patamar inferior àquele feito antes da adoção da medida.

    A cotação da moeda também é mencionada pelo dirigente da Abimaq como fator de intranquilidade. São conhecidas as dificuldades impostas aos fabricantes nacionais, em especial pela importação de injetoras. Em menor escala, os problemas atingem também os fabricantes de extrusoras e sopradoras. Os concorrentes que mais incomodam são os asiáticos, que chegam aqui com preços para lá de competitivos.


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