Petróleo & Energia

5 de abril de 2013

Perspectivas 2013 / Química – Shale Gas muda cenário global

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Perspectivas 2013 / Química - Shale Gas muda cenário global

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    eunidos durante a Reunião da Apla, em novembro, consultores e especialistas internacionais apresentaram uma visão das mudanças que estão em curso no campo petroquímico. A principal delas, mas não a única, é o uso do shale gas norte-americano para a produção de eteno e seus derivados, especialmente os polietilenos, com forte pressão para baixar preços globais durante os próximos anos.

    Uma consequência dessa pressão será a maior dificuldade para fechar o balanço de oferta e demanda de outras correntes petroquímicas, principalmente propeno, butadieno e aromáticos. Há opções de suprimento em estudo e desenvolvimento, segundo os especialistas.

    George Martin, consultor da Icis, salienta que a crise mundial afetou menos o valor das indústrias químicas que os demais segmentos econômicos, ao menos pelos índices das suas ações listados na Dow Jones. De 2009 a 2012, o índice do setor químico pulou de 120 para 360, nos Estados Unidos, refletindo grande confiança dos investidores nos empreendimentos, a despeito da volatilidade que ainda persiste nas bolsas.

    A Europa, por sua vez, segue com margens de lucro deprimidas, demanda errática, especialmente débil no último trimestre de 2012, registrando importações espasmódicas e custos elevados de produção. “A situação econômica europeia é ruim, os custos de produção são crescentes e a demanda não reage”, avaliou Martin.

    A China, antes o motor do mundo, cresceu 7,5% em 2012, um resultado fraco em comparação com anos anteriores. “O que se verifica claramente é uma falta de compradores para os produtos chineses no mercado global”, avaliou Martin. Os bancos daquele país restringiram a oferta de crédito para indústrias e o setor químico pleiteia incentivos oficiais para avançar, mas isso estava sendo bloqueado pela transição política. Assumiu em dezembro o novo presidente XI Jinping, substituindo Hu Jintao, bem como houve a renovação dos membros do comitê central, sem turbulências.

    O Oriente Médio se apoiou muito nas cargas de butano e propano disponíveis. O maior produtor petroquímico regional, a Arábia Saudita, já comprometeu todo o gás natural disponível com clientes, mediante contratos de suprimento, segundo Martin. “Como as refinarias estão crescendo na região, esses países podem e devem ampliar sua produção petroquímica com base em nafta”, avaliou. Ele informou que as exportações de polietilenos e polipropileno do Oriente Médio devem ser duplicadas para 22 milhões de t/ano até 2017, pressionando ainda mais o mercado. “Produtores marginais tendem a sair do negócio.”

    Esse movimento se encaixa na nova perspectiva mundial formada pela chegada do shale gas norte-americano, que já representa 23% da produção total de gás nos EUA e deve chegar a 55% até 2025. Com preços do gás variando entre US$ 4 e US$ 6 por milhão de BTU, as margens obtidas pelos produtores de eteno bateram recordes em 2012, chegando a US$ 0,43 por libra da olefina.

    Os projetos em curso nos EUA indicam a construção de novos crackers de etano e a conversão de fornos de nafta para gás. Isso ampliará, segundo Martin, em 35% a produção americana de eteno em curto prazo. Mas reduzirá a oferta de propeno, cujos preços estão subindo, na mesma medida em que as cargas leves assumem o domínio dos crackers. “Projetos de desidrogenação de propano (PDH) poderão ajudar a tampar esse rombo de oferta”, considerou Martin.

    Segundo ele, só a Petrologistics, em Houston, opera unidade de PDH nos Estados Unidos, com capacidade para 544 mil t/ano. Existem pelo menos quatro projetos anunciados nesse sentido, dois deles da Dow Chemical. Um deles já está bem definido: serão 750 mil t/ano, em Freeport-TX, com partida agendada para 2015. O outro deve ficar pronto em 2018. Enterprise e Formosa Plastics estudam planos semelhantes, bem como a Williams, em Alberta (Canadá).

    De forma geral, Martin considera que 2013 será um ano difícil para o setor petroquímico mundial, melhor para quem já está integrado com refinarias. “Os não integrados devem buscar uma rápida aproximação com o refino”, aconselhou. Ele prevê uma fase de excesso de oferta de resina PET no mundo a partir de 2017, que derrubará preços. Para ele, a América Latina sofrerá menos que outras regiões, embora também tenha de se adequar à redução de custos e fechar unidades menos eficientes, com a possibilidade de abrir um round de fusões e aquisições.

    Química e Derivados, Bill Hyde, IHS, unidades on purpose fornecerão propeno e butadieno

    Hyde: unidades on purpose fornecerão propeno e butadieno

    Cargas competitivas – O consultor Bill Hyde, da IHS, concorda com as linhas gerais apresentadas por Martin, mas vai além. “A competitividade do setor depende fundamentalmente de matérias-primas baratas”, enfatizou. Ele estimou que o shale gas e os recursos do Oriente Médio responderão por 40% do eteno produzido no mundo, com preços muito mais baixos que os dos demais concorrentes. “Não será possível brigar pelo preço e, como há mais capacidade para entrar em operação do que demanda, quem for ineficiente será expulso do mercado.”

    Apesar disso, ele considera que o shale gas não levará os Estados Unidos a dominar o mundo petroquímico. Em polipropileno, por exemplo, os países asiáticos tendem a aumentar suas exportações, enquanto os EUA precisarão investir em unidades de PDH apenas para suprir parte de seu mercado interno.

    “O shale gas também é muito recente, ainda terá de enfrentar movimentos ambientalistas e pressões de mercado”, considerou. Por exemplo: o gás barato tende a ser usado como combustível automotivo, abrindo uma forte competição com o uso industrial. Além disso, novas tecnologias da chamada química do metano tendem a crescer, a exemplo do metanol para olefinas (MTO), que a China já está usando.


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