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15 de março de 2013

Perspectivas 2013 / Química – México, a bola da vez

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Perspectivas 2013, Química, México, a bola da vez

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    epois de muito alarde e poucos resultados, o Brasil perdeu a preferência dos investidores internacionais interessados em projetos produtivos na América Latina. Quem ocupou, desde 2012, esse lugar foi o México, que obteve crescimento econômico entre 3,5% e 4% no Produto Interno Bruto no ano, somando US$ 1,75 trilhão. Esse país tem por meta manter taxas de crescimento anuais entre 6% e 7%, para se tornar a sétima economia mundial em 2050.

    Em números aproximados, o Brasil tem área quatro vezes maior que a do México, e conta com o dobro em população. Mas seu PIB cresceu pífios 0,98% a 1% em 2012, perfazendo o total estimado em US$ 2,4 trilhões; e a expectativa de crescimento de mercado, apontada no Boletim Focus do Banco Central, é de 3,5% em 2013. As intervenções oficiais em mercados e empresas trouxeram de volta ao país um clima parecido com o dos anos 80, auge da substituição de importações a qualquer preço.

    Enquanto o governo brasileiro alimenta uma nostalgia do passado, o México se esforça para implementar reformas estruturais importantes. A primeira foi a trabalhista, aprovada há poucos meses, após exaustivas negociações. Estão na agenda do país mudanças profundas no setor de energia, na política fiscal e na área educacional, todas elas consideradas fundamentais para alavancar o crescimento do tigre da Península do Yucatán.

    Química e Derivados, Miguel Benedetto Alexanderson, Anip, gás barato ajuda país a crescer

    Alexanderson: geografia e gás barato ajudam país a crescer

    “Temos no México vantagens geográficas, demográficas e de matérias-primas suficientes para impulsionar o desenvolvimento da indústria química apesar da crise mundial”, afirmou Miguel Benedetto Alexanderson, presidente da Asociación Nacional de la Industria Química (Aniq). Vizinho dos Estados Unidos, o maior mercado consumidor mundial, o país mantém com ele profundo relacionamento comercial. Segundo o dirigente, o México importa dos EUA quase tanto gás natural quanto produz, com preços abaixo de US$ 3 por milhão de BTU.

    Outra vantagem geográfica mexicana consiste no acesso direto aos oceanos Atlântico e Pacífico, o que lhe permite fazer negócios tanto com a Europa quanto com os países asiáticos com grande facilidade logística. E o comércio internacional é bem aproveitado pelos mexicanos.

    José Luis Uriegas Uriegas, presidente do grupo Idesa, gigante empresarial privado mexicano, informa que, além de participar do Nafta (Acordo de Livre Comércio para a América do Norte), o México possui doze tratados de livre comércio com 44 países, 28 acordos para promoção e proteção recíproca de investimentos e nove acordos de comércio nos termos da Aladi. “O comércio internacional representa 58,6% do PIB, enquanto isso soma apenas 18% da economia brasileira”, comparou. Em 2011, esse país respondeu sozinho por 60% das exportações da América Latina.

    Embora tenha reservas abundantes de gás natural e uma conhecida indústria de petróleo (embora em declínio), as exportações mexicanas se concentram em produtos manufaturados (81%), com apenas 16% em derivados de petróleo.

    Apesar da crise internacional, Uriegas enxerga claras oportunidades para o México crescer nos próximos dez anos. Para tanto, são esperados novos acordos internacionais de comércio, inclusive com o Brasil, além de aprofundar o Nafta, fortalecer a Aliança do Pacífico (com o Chile e o Peru), e a criação do Acordo Transpacífico (TPP), com onze países.

    Uriegas admite que a eletricidade mexicana é cara, gerada por termelétricas alimentadas por óleo combustível. “E faltam gasodutos para levar o insumo para outras regiões”, comentou. Faltam também melhorias ferroviárias e portuárias. Além das reformas previstas, ele ainda considera importante para o país contar com uma política de segurança pública mais eficaz, incluindo o combate à corrupção e à impunidade.

    Do ponto de vista petroquímico, Uriegas entende que o país possui muito etano, mas é preciso explorá-lo. “O marco legal prevê que só a Pemex pode produzir óleo e gás no país, mas o governo e o congresso nacional já se mostram dispostos a rever isso, admitindo associações com empresas privadas”, afirmou.

    Enrique Peña Nieto assumiu a presidência do México em 1º de dezembro, trazendo de volta ao poder o Partido Revolucionário Institucional (PRI), apeado da presidência em 2000. “Já nos reunimos previamente com ele, que se manifestou favorável aos pontos de vista defendidos pela Aniq em energia, meio ambiente e logística, com uma visão bem diferente daquela do velho PRI”, disse Alexanderson.


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