Química

26 de fevereiro de 2013

Perspectivas 2013 / Química – Indústria nacional pede insumos mais baratos para recuperar competitividade

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Perspectivas 2013 - Química

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    indústria química brasileira registrou mais um déficit recorde em sua balança comercial. Em 2012, foram US$ 28,2 bilhões de diferença entre importações (US$ 43 bilhões) e exportações (US$ 14,8 bilhões), ou seja, 6,4% de aumento sobre o déficit recorde anterior, de 2011, no valor de US$ 26,5 bilhões.

    O desempenho é sintomático de uma indústria que perde relevância no total do Produto Interno Bruto (PIB), ficando na casa dos 2,5%. Em âmbito mundial, o faturamento anual de US$ 157 bilhões no ano passado foi suficiente para levar o setor nacional da oitava para a sexta posição no ranking, superando a França e a Itália. A intenção de sobrepujar a Coreia do Sul, no quinto lugar, com US$ 172 bilhões poderá, porém, dar lugar ao desconforto de perder o posto para a Índia, cujo faturamento químico em 2012 chegou a US$ 152 bilhões e está em franco crescimento, situação bem diferente da brasileira.

    A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) apresentou ao governo federal, em 2010, uma proposta desenvolvimentista, com o intuito de reduzir importações e alavancar a economia nacional, aproveitando o efeito multiplicador do setor químico. Em linhas gerais, o setor pleiteava a desoneração tributária das matérias-primas da primeira e segunda geração petroquímica, dos investimentos em novas capacidades produtivas e da energia elétrica industrial, bem como a melhoria da infraestrutura nacional, além de apoio aos projetos de produção química com base em fontes renováveis. Muito pouco, ou quase nada, mudou desde então, e a entidade reapresenta esses pleitos, na esperança de recuperar o ânimo setorial para crescer.

    Química e Derivados, Henri Armand Slezynger, gás deve ter preço menor

    Slezynger: gás como insumo das indústrias deve ter preço menor

    “O governo fez algumas coisas, baixou juros e promete reduzir o custo da eletricidade, mas isso ainda é muito pouco para um setor industrial que paga salários em média iguais ao dobro da média nacional e alavanca outras indústrias a jusante, como tintas e cosméticos”, lamentou Henri Armand Slezynger, presidente da Abiquim, no Encontro Anual da Indústria Química (Enaiq).

    Ele observou que o ambiente de crise internacional afeta muito toda a indústria mundial, especialmente o setor químico. “No Brasil, a situação foi ainda pior, porque passamos quase a metade do ano com uma taxa de câmbio desfavorável, que incentivou as importações”, comentou. Além disso, o tímido crescimento do PIB brasileiro, estimado em 1%, pouco ajudou. “A indústria química agrega valor, não podemos mais ser um mero exportador de commodities”, disse Slezynger.

    Como se a situação já não fosse suficientemente ruim, o setor ainda se defronta com nova ameaça: a descoberta de imensas reservas de gás de xisto (shale gas) e óleo de xisto (shale oil) nos Estados Unidos. Usando técnicas de perfuração horizontal combinadas com o faturamento hidráulico mediante a injeção de líquidos sob altíssima pressão no subsolo, as companhias petroleiras americanas estão logrando êxito nessa atividade exploratória. A expectativa dos Estados Unidos, anunciada pela administração Obama, é a de alcançar a autossuficiência energética a partir de 2017, acabando (ou reduzindo muito) com as importações de petróleo e gás de locais distantes e conturbados, como os países do Oriente Médio.

    Além do impacto social e geopolítico que isso representa, no campo petroquímico a ameaça para a indústria brasileira é enorme. “Existem quase 20 projetos para transformar etano em eteno nos Estados Unidos até 2016, além de várias iniciativas para converter antigos crackers de nafta para gás”, informou Slezynger. “A questão é: como ficará o mercado mundial sem a demanda dos EUA?”

    Nesse cenário, contar com gás natural barato (nos EUA está entre US$ 4 e US$ 6 por milhão de BTU) será essencial para garantir a sobrevivência da petroquímica brasileira. A Abiquim tem lutado para que seja criado um sistema diferenciado de preços para o gás natural usado como matéria-prima industrial, para viabilizar sua transformação em químicos. “O consumo de gás como insumo industrial representa apenas 5% do total comercializado no país e não chegaria a 10%, na melhor das hipóteses, ou seja, tem baixo impacto nesse mercado”, avaliou. A exploração da região do pré-sal levará a um grande excedente de gás, cujo aproveitamento é crucial para o setor.

    Slezynger aponta ainda outras ameaças. A Argentina possui grandes reservas de shale gas e pretende explorá-las. Bolívia, Peru, Venezuela e México contam com suprimento de gás convencional com grande possibilidade de conversão em resinas termoplásticas e químicos de interesse global, como fertilizantes, metanol e MEG. “O Brasil também tem shale gas na bacia do Paraná, no Parnaíba e na Amazônia, mas o sistema de concessões está travado e seria preciso construir gasodutos, com impacto nos custos”, considerou.


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