Química

15 de janeiro de 2012

Perspectivas 2012 – Investimentos químicos seguem aquém da demanda nacional

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    química e derivados, Perspectivas 2012, Investimentos químicos seguem aquém da demanda nacional

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    rol das informações que se desenrola a seguir tem a pretensão de apoiar essas reflexões preparatórias, apontando segmentos promissores e oportunidades de atuação. Reconhecemos que muitas das advertências também elencadas são redundantes, meras repetições de anos anteriores: tributos elevados, serviços públicos deficientes, alto custo de capital, entre outros. Porém, eles permanecem atazanando a vida dos brasileiros e contribuindo para que projetos estratégicos de investimento sigam engavetados, enquanto as importações aumentam sua participação no mercado nacional. Engrossamos também o coro dos que salientam não existir país desenvolvido sem uma indústria química forte. Esperamos pelo dia no qual não precisaremos mais ter de repetir tudo isso.

    Química e petroquímica – O encerramento de 2011 trouxe uma boa e outra má notícia. A boa: a demanda brasileira por produtos químicos e seus derivados manteve o ritmo de crescimento. A ruim: essa demanda adicional foi quase toda atendida por importações. Portanto, existe mercado para justificar investimentos em novas capacidades produtivas químicas e petroquímicas.

    Dados divulgados em janeiro pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) apontam para um déficit recorde na balança comercial química do país: US$ 26,5 bilhões, 28,3% maior que o registrado para 2010 e 14,2% acima do déficit de 2008 (de US$ 23,2 bilhões, recorde agora batido). As importações químicas de 2011 somaram US$ 42,3 bilhões (25,5% sobre o ano anterior), enquanto as exportações cresceram 21%, com US$ 15,8 bilhões. Segundo a entidade setorial, os intermediários para fertilizantes continuam sendo os grandes responsáveis por esse déficit, com importações no valor total de US$ 8,7 bilhões, com 78,5% de acréscimo sobre 2010.

    Essa situação é semelhante em toda a América Latina, como informou o presidente da Associação Petroquímica Latino-Americana (Apla), Pedro Wongtschowski, também presidente do grupo Ultra. “A demanda geral por produtos é crescente em toda a região, mas a oferta regional não acompanha o ritmo, aumentando as importações”, comentou. Com isso, entre 2005 e 2010 o déficit comercial regional passou de US$ 20 bilhões para US$ 56 bilhões.

    Os dados apresentados pelo presidente da Apla vão além. Em 2005, a região era importadora líquida de 3,6 milhões de toneladas de produtos químicos, sendo que dois países do grupo eram exportadores líquidos em volume. Em 2010, o déficit passou para 12,5 milhões de t, e tanto o Brasil quanto o México se tornaram grandes importadores líquidos.

    Revista Química e Derivados, Pedro Wongtschowski, Apla, Grupo Ultra, oferta regional não acompanha o ritmo

    Wongtschowksi: crescimento da região depende de importações

    A produção regional de etileno entre 2006 e 2011 teve crescimento pífio: de 6.432 mil t/ano para 6.832 mil t/ano, incluindo as 200 mil t/ano adicionais da Braskem, obtidas pela desidratação do etanol. “A região precisa assegurar o suprimento de matérias-primas petroquímicas para suportar novos projetos, lembrando que quase 50% da nafta consumida (58% no caso brasileiro) é importada”, ponderou Wongtschowski. A nafta alimenta 70% da capacidade dos crackers instalados na região.

    A América Latina, por sua vez, tem seus trunfos. É habitada por uma população quase duas vezes maior que a dos Estados Unidos, porém com um produto interno bruto regional (PIB) de cerca de um terço do registrado pelos EUA. Isso representa um imenso potencial de consumo ainda represado. Wongtschowski cita o caso brasileiro, no qual os programas de transferência de renda e a manutenção da atividade econômica entre 2005 e 2010 tiraram um contingente de 45 milhões de pessoas da faixa da pobreza, além de conduzir 39 milhões de habitantes para a classe média. “A renda cresceu em todas as camadas sociais e o consumo de químicos também”, afirmou.

    Ele também apontou como pontos positivos a descoberta de reservas de gás natural de fontes não convencionais na região, o potencial para gerar matérias-primas de fontes naturais aproveitáveis pelo setor, o andamento de projetos petroquímicos de grande envergadura (Comperj e Etileno XXI), a consolidação empresarial com formação de alianças corporativas regionais e internacionais. Essas grandes companhias, como Braskem e Mexichem, têm escala de produção e estrutura financeira para suportar melhor os momentos de crise e também para suportar novos projetos.

    O setor petroquímico tem fortalecido laços na região, a exemplo da associação da Braskem com a Idesa na Etileno XXI, que está sendo construída em Vera Cruz (México) para produzir um milhão de t/ano de polietilenos a partir de 2015. “Rotas alternativas de suprimento estão sendo criadas, por exemplo, para trazer paraxileno e glicol do Oriente Médio para suprir a produção de PET em Suape-PE que deve começar em 2012”, considerou.


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