Máquinas e Equipamentos

10 de janeiro de 2011

Perspectivas 2011 – Máquinas – Juros altos e câmbio ruim jogam a sombra da desindustrialização sobre o setor

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Publicado por: Jose P. Sant Anna
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    eria exagero dizer que a indústria de bens de capital mecânico está em crise. Na opinião dos líderes do setor, no entanto, são urgentes algumas correções de rotas para se evitar maiores problemas. O grande vilão do momento é o dólar desvalorizado, fator responsável pela forte perda de competitividade dos equipamentos nacionais perante os importados, em especial os chineses e coreanos do sul. Velhas pendengas provocadoras do chamado “custo Brasil” também incomodam. Existem notícias boas? Sim. A economia aquecida colabora com a encomenda de máquinas. Também houve sensível incentivo ao financiamento das vendas graças ao programa lançado pelo Finame no auge da crise, em meados de 2009. Com juros amigáveis, ele tem alavancado os negócios de alguns segmentos sensíveis à concorrência internacional, caso, por exemplo, das máquinas injetoras de plástico. O desafio é tornar esse programa perene.

    “O setor de bens de capital sofre forte ameaça de se ‘desindustrializar’. Além do real valorizado, a indústria de máquinas e equipamentos nacional apresenta um dos maiores preços por produto praticados no mundo, por conta da taxa de juros e do excesso de tributação”, alerta Luiz Aubert Neto, presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Para ele, a concorrência desleal dos estrangeiros ameaça o setor produtivo como um todo. “Não há país desenvolvido sem uma indústria de base forte”, adverte.

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    Gráfico 1: Principais origens das importações

    Os juros praticados no Brasil são apontados como o vilão para o setor produtivo. “Na última década, o país pagou quase R$ 1 trilhão em juros, valor que poderia ser empregado em saúde, educação, segurança e na produção.” Mais queixas são dirigidas à carga tributária, na faixa entre 35% e 40% dos negócios realizados. “Aqui se penaliza quem investe em produção e se premia o capital especulativo”, reclama. Também são disparadas críticas contra a falta de qualidade da política educacional, o que prejudica as empresas na hora de contratar funcionários. As deficiências na infraestrutura, caso dos problemas enfrentados pelo setor de transportes, tampouco ajudam.

    De acordo com o presidente da Abimaq, qualquer previsão para o setor em 2011 não passa de exercício de adivinhação. Alguns fatores permitem otimismo. O processo de exploração do petróleo na camada pré-sal está se iniciando, há forte perspectiva de crescimento da construção civil e vem por aí a organização de dois grandes eventos esportivos, a Copa do Mundo e a Olimpíada. São motivos de impulso para a economia. Mas não há perspectiva de alteração das principais diretrizes econômicas. Pelo contrário. O recrudescimento da inflação nos últimos meses traz a ameaça de nova elevação das taxas de juros. “Não temos inflação por demanda, não há fila para se comprar automóveis. Não há sentido em penalizar os brasileiros com novo aumento de juros”, dispara. Levando-se em conta os prós e os contras, o dirigente arrisca um palpite, estima crescimento este ano entre 4,5% e 5%. “Para manter um crescimento na casa dos 5% ao ano por um período longo, no entanto, os investimentos feitos em produção precisam saltar do atual nível de 18% para 23%”, ressalta.


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