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10 de janeiro de 2011

Perspectivas 2011 – Infraestrutura – Sem receber volume adequado de recursos, setor é o maior freio ao desenvolvimento

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    s deficiências brasileiras em infraestrutura são notórias, mas sua correção se arrasta por décadas. Embora lamentável, essa situação representa um potencial gigantesco de negócios para as empresas ligadas a produtos e serviços desse setor, que abrange segmentos diversos, entre eles transportes, saúde pública, saneamento básico e indústrias pesadas (ou de base).

    Enquanto comemorava a boa recuperação da economia brasileira em 2010, com uma evolução positiva do PIB estimada em 8%, o presidente do grupo Siemens do Brasil e primeiro vice-presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Adilson Primo, prognosticou para 2011 um índice de crescimento entre 4,7% e 5%. Salientou, porém, que esse avanço merece aplausos, embora seja inferior ao de 2010, resultado extraordinário explicado pela debilidade registrada em 2009.

    “O Brasil não poderá crescer mais que esses 5% em 2011 e precisa começar a gastar menos e melhor”, recomendou Primo. Ele mencionou que a expectativa brasileira para 2011 é a menor entre os países do grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). Para ele, a falta de infraestrutura adequada é o maior freio ao desenvolvimento nacional.

    Primo se declara otimista em relação ao futuro do país e da nova administração federal, iniciada com a promessa de ajustes. “Estamos vivendo um bom momento na economia nacional, mas precisamos de algumas reformas urgentes, sem as quais não se garante a estabilidade econômica”, avaliou. Ele ressaltou a circunstância internacional de crise, iniciada em 2008 e ainda não superada, como evidenciam os chamados Pigs (grupo de Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha, todos em situação difícil).

    Na sua avaliação, o crescimento da demanda nacional está ligado ao aumento do consumo das famílias das classes C, D e E, impulsionado pelos gastos públicos e investimentos oficiais. “Só o consumo das famílias não basta, precisamos crescer desde a base, com mais infraestrutura e exportações”, afirmou. O crescimento industrial de 11% registrado em 2010 representou apenas um retorno a 2008, segundo Primo. O parque produtivo nacional opera com índices muito altos de ocupação de capacidade instalada, tornando evidente a incapacidade para suprir novos acréscimos de demanda. Ressalte-se que a implantação de novas indústrias requer um prazo de três a cinco anos.

    Nesse quadro, a evolução do consumo está sendo suprida pelas importações, cada vez mais elevadas, enquanto se exporta menos a partir do Brasil. “A taxa de juros elevada atrai mais dólares para o mercado local, desequilibrando o câmbio”, criticou Primo. A relação entre o real e o dólar, ou mesmo em relação a uma cesta das dezesseis moedas dos principais parceiros econômicos do país, indica uma grave perda de competitividade do produto local desde 2003. “E esses dados não consideram os demais entraves do custo Brasil”, salientou.

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    Primo: preponderância do setor público é modelo esgotado

    Nos setores de base, as oportunidades de crescimento são claras. Segundo Primo, há uma tendência de os países desenvolvidos saírem da produção de siderúrgicos, que tomariam o rumo dos países em desenvolvimento. Nos transportes, todos os modais estão saturados, até mesmo os aeroportos, carentes de modernização e ampliação, em especial para atender ao fluxo de estrangeiros que virá ao país para a Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada de 2016.

    A geração de eletricidade brasileira, por exemplo, é predominantemente hidráulica, porém exige a adição de novos seis mil megawatts por ano para acompanhar a expansão do consumo. “Grande parte dessa energia nova terá outras fontes, como gás natural, biomassa, vento e outras”, avaliou o executivo. Como os investimentos tardam, o país vem há anos seguindo no limite do suprimento elétrico. Qualquer variação climática mais forte poderá gerar novos apagões, como o de 2001.

    Segundo Primo, embora o governo anterior tenha duplicado os investimentos em infraestrutura, as necessidades nacionais são ainda maiores. “Além disso, sofremos com contingenciamentos de verbas, atrasos em licenças ambientais e entraves burocráticos diversos”, lamentou. Em 2010, o setor elétrico deveria ter investido R$ 28,3 bilhões, mas só conseguiu aplicar R$ 16,8 bilhões, ou seja, 59,4% do esperado.

    Outro problema: os projetos de infraestrutura precisam encontrar uma fonte de investimento alternativa ao BNDES, cujos desembolsos de R$ 146 bilhões bateram no seu teto operacional. “Precisamos encontrar mecanismos alternativos de funding de longo prazo, mesmo porque as parcerias público-privadas, as PPPs, não decolaram”, alertou.

    Atualmente, o setor público tem a plena liderança dos projetos de investimento em infraestrutura e indústrias de base. “O governo passado estimulou o aumento da participação pública por meio do BNDES e dos fundos de pensão das estatais, mas esse modelo está longe de ser o melhor, como atesta o projeto da usina de Belo Monte”, afirmou.


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