Logística Transporte e Embalagens

10 de janeiro de 2011

Perspectivas 2011 – Distribuição – Clientes em atividade garantem expansão de negócios, mas governo precisa fazer ajustes

Mais artigos por »
Publicado por: Marcelo Fairbanks
+(reset)-
Compartilhe esta página

    química e derivados, perspectivas 2011, distribuição de produtos químicos

    U

    m ano de recuperação. Assim 2010 ficará gravado na memória dos distribuidores de produtos químicos do Brasil. A Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim) estima para o ano um crescimento entre 12% e 15% no faturamento bruto do setor. Como em 2009 a distribuição registrou queda de vendas – US$ 4,76 bilhões, contra os US$ 5,24 bilhões de 2008 –, a associação espera que 2010 tenha sido encerrado com faturamento anual bem próximo do valor obtido há dois anos.

    “Voltamos a 2008”, resumiu Rubens Torres Medrano, presidente da Associquim e do Sincoquim, o sindicato estadual da categoria comercial. Mas a análise do dirigente setorial é menos alvissareira. “Talvez 2010 tenha gerado resultados piores que 2009”, comentou. A explicação está ligada ao ambiente de negócios no início de cada exercício e ao comportamento da taxa cambial.

    Como a crise econômica global eclodiu em setembro de 2008, todas as empresas industriais e comerciais iniciaram 2009 com estoques praticamente zerados. Com os bons resultados da economia brasileira e os sinais de recuperação em alguns países desenvolvidos, houve ameaça de restrição de oferta de vários produtos químicos, motivando os comerciantes a construir estoques protetivos para o início de 2010. No entanto, com a manutenção dos baixos preços internacionais e com a alta do real perante o dólar, esses estoques acabaram sendo vendidos com margens muito estreitas. “Com o câmbio de 2010, as vendas de produtos que seguem os preços internacionais dolarizados, como os químicos, renderam menos reais, que é a moeda com a qual pagamos nossos custos”, explicou.

    Medrano também compara a atividade comercial com a evolução da indústria química nacional que, com dados preliminares da Abiquim, apresentou aumento de 7,5% nas vendas internas entre 2009 e 2010. “Estamos acompanhando o crescimento da cadeia produtiva, mas fomos obrigados a aumentar a importação de vários produtos cuja produção nacional é insuficiente para suprir a demanda”, comentou. A mesma Abiquim tem ressaltado nos últimos anos a taxa de crescimento pífia da indústria química local. Isso indica que os distribuidores devem se preparar para buscar mais fontes de suprimento no mercado internacional.

    Isso, no entanto, não é muito interessante para a rede de distribuição. O estudo da Associquim intitulado Perfil do Setor de Distribuição de Produtos Químicos e Petroquímicos 2009 mostra que quase 74% do valor de vendas do comércio setorial se refere a itens produzidos no Brasil. “Importação muito grande é um risco para a distribuição química, considerando o comprometimento de capital de giro, o risco cambial, custos logísticos e a concorrência”, salientou Medrano. Ele observa que, cada vez mais, os distribuidores estão sendo usados como canal de vendas pela indústria química mundial.

    Na parte operacional das importações, o grande gargalo continua sendo o Porto de Santos-SP, o maior do país. É um porto congestionado, com altos custos e baixa eficiência, especialmente por conta do baixo calado, que obriga os cargueiros a trafegar com meia carga para não encalhar. “Estão dragando o canal para aumentar a profundidade, mas esse trabalho precisa ser contínuo”, afirmou. Segundo o dirigente setorial, depois de liberadas as mercadorias em Santos, a etapa seguinte é tranquila, uma vez que as bases dos distribuidores estão sendo usadas abaixo de sua capacidade nominal.

    Santos, embora complicado, ainda é a melhor opção, pois está mais perto dos compradores de produtos químicos. Segundo Medrano, Itajaí-SC tem sido usado por alguns distribuidores para cargas embaladas (não opera com granéis químicos). “Eles oferecem uma vantagem tributária, mas a Secretaria da Fazenda paulista não a admite e impõe uma alíquota complementar, manobras típicas da guerra fiscal entre estados, uma atitude que precisa ser revista com urgência, no escopo de uma reforma tributária nacional”, comentou.

    A taxa cambial, com o real valorizado, estimula as importações. Mas não só ela. “O Brasil é competitivo até a porta das fábricas, depois fica tudo mais caro com impostos e custos diversos”, avaliou. Para ele, o ideal seria reduzir drasticamente o chamado custo Brasil, aumentando a produtividade e reduzindo custos em todos os níveis e setores. “Sem o gerenciamento adequado dos gastos públicos não haverá reforma tributária e os juros continuarão a ser os mais altos do mundo”, explicou. Aliás, a taxa primária da economia nacional foi elevada em 0,5% em janeiro, na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do novo governo federal, ampliando a distância do país como o detentor das mais altas taxas de juros reais do mundo (estamos em 5,5% ao ano). Isso atrai investimentos financeiros, fortalecendo mais o real, para desgosto da produção nacional.

    O peso dos tributos também assusta. Levantamento da Associquim estimou a carga tributária incidente na ordem de 25% do faturamento bruto da distribuição química nacional em 2009. Os salários (diretos e indiretos), por exemplo, não passaram de 4,11%.


    Página 1 de 212

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next