Couro e Curtumes

10 de janeiro de 2011

Perspectivas 2011 – Couro – Taxação a calçados chineses reanima curtumes nacionais

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    química e derivados, perspectivas 2011, couro

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    ano começa com expectativa positiva para a indústria coureiro-calçadista e projeção de crescimento de 10% acima do PIB nacional. Essa é a avaliação da diretoria da Associação das Indústrias de Curtume do Sul (Aicsul). Segundo o novo presidente executivo da entidade, Moacir Berger, o principal gargalo da indústria era a avalanche de importações de couro e plásticos como materiais substitutos da China em condições de dumping explícito. A recuperação do setor deixa em alerta, no sentido positivo, a indústria química, que certamente se beneficiará do aumento da demanda pelo processamento do couro.

    Como o governo federal ao longo de 2010 passou a tributar os calçados provenientes do extremo oriente houve uma significativa recuperação. “A taxação dos produtos chineses foi bem-vinda”, elogia Berger. O presidente executivo da Aicsul denuncia que existe ainda alguma importação usando outros países como entreposto. Mesmo assim, está confiante no crescimento setorial de 10% acima do PIB nacional, em 2011.

    De acordo com Berger, as exportações já vinham crescendo ao longo de 2010 e essa é uma excelente sinalização do que virá neste novo período. Para ele, o setor de calçados e artefatos irá recuperar as margens anteriores a 2007, quando o país passou a exportar muito wet blue, o couro de baixo valor agregado, derrubando os negócios da cadeia produtiva do couro. O presidente executivo apregoa que agora é o momento de o setor restaurar também a sua rentabilidade, apesar da valorização do real. “O ideal seria o dólar a dois reais, mas cada empresa tem seu custo. Seria um sonho. É o número excelente para trabalhar”, enfatiza o líder empresarial.

    A confiança em 2011 se afirma em cima dos números de 2010. De janeiro até novembro do ano passado, o Brasil embarcou 129,5 milhões de pares de calçados contra 114,9 milhões no mesmo período de 2009, perfazendo um acréscimo de 12,7%. Em faturamento, o resultado foi de US$ 1,4 bilhão em onze meses – alta de 9,8%. Os dados foram tabulados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, com base nos números fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

    Nesses onze meses de franca recuperação de um setor que passou quatro anos voando baixo, os Estados Unidos se mantiveram como os principais compradores em volume: 27,7 milhões de pares. Em valores, os norte-americanos compraram US$ 318,2 milhões em calçados fabricados no Brasil. Haviam comprado 25,1 milhões de pares em 2009, embora em dinheiro tenham deixado mais dólares aqui no ano retrasado, US$ 320,8 milhões.

    Em termos de faturamento, o segundo comprador mais importante é o Reino Unido, responsável por divisas da ordem de US$ 167 milhões, provenientes da compra de 6,8 milhões de pares. Em igual período de 2009, foram adquiridos 6,5 milhões de pares, que resultaram em faturamento de US$ 163 milhões.

    O tema ambiental também foi tratado. Berger recordou que deixou a entidade, há 21 anos, ainda como empresário do setor, num momento em que os curtumes eram considerados os grandes poluidores do mundo, mas também se esperava que um dia eles lançariam água limpa em um rio poluído, o que segundo ele está acontecendo atualmente.

    Berger assumiu a presidência executiva da Aicsul em 3 de janeiro em lugar de Francisco Gomes, que deverá presidir o conselho da entidade a partir de abril. A escolha de contratar um dirigente de alto escalão faz parte da estratégia de profissionalização da entidade.

    Químicos confiantes – O presidente da Associação Brasileira dos Químicos e Técnicos da Indústria do Couro (Abqtic), Roberto Kamelman, reafirma sua confiança no crescimento do setor e da demanda para químicos e técnicos do couro nos próximos anos. “Eu não sou cético quanto ao futuro da profissão de técnico químico em couro. Temos o maior rebanho bovino comercial do mundo, excelentes profissionais, centros de capacitação e pesquisa, e tecnologia de ponta para processar nossa matéria-prima dentro de padrões internacionais de qualidade”, reforça Kamelman. E continua: “Não podemos confundir dificuldades conjunturais, muitas delas oriundas de uma crise econômica sem precedentes no mundo, com as eventuais dificuldades estruturais que nosso setor e o país ainda devem superar”, esclareceu o dirigente da Abqtic.


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