Química

15 de janeiro de 2010

Perspectivas 2010: Tintas – Crédito farto ao consumidor justifica expectativa de recuperação de vendas

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    epois de registrar uma queda de 2% no faturamento líquido em 2009, o setor de tintas e vernizes do Brasil espera crescer 3,4% em 2010, com a recuperação dos segmentos de indústria geral e manutenção, os mais afetados pela crise mundial. A previsão considera um aumento de 5% no PIB, um desempenho factível.

    “Cuidado com as falsas ilusões: comparado com um ano ruim, pode-se alcançar um crescimento grande, porém pouco significativo para o setor”, alertou Fernando Val y Val Peres, presidente do conselho diretivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) e também diretor-comercial da Sherwin-Williams no Brasil. Ele comentou que o desempenho dos vários segmentos abrangidos por essa indústria foi variado, mas houve queda de faturamento em cada um deles. Ao todo, o setor faturou R$ 5,29 bilhões em 2009, contra R$ 5,4 bilhões no ano anterior.

    Responsável pelo maior volume produzido e pela maior parte do faturamento setorial, o segmento de tintas decorativas imobiliárias foi o menos afetado pela crise econômica em 2009, perdendo apenas 0,6% das vendas em volume, de 864 milhões de litros para 859 milhões, segundo a Abrafati. Mesmo assim, o segmento teve uma forte retração nos primeiros meses do ano, quando os pedidos de compra pararam de chegar às fábricas. “A cadeia varejista encerrou 2008 com estoques elevados e fez a desova nos primeiros quatro meses de 2009, embora continuassem vendendo, em ritmo lento”, explicou Peres. Nesse quadrimestre, a queda de atividade na produção de tintas chegou a 18%, felizmente recuperada ao longo do ano, principalmente no segundo semestre.

    Peres aponta os incentivos de crédito oficial (BNDES e Caixa Econômica Federal) para a construção civil e a desoneração tributária parcial dos materiais de construção como fatores que permitiram a recuperação do segmento das tintas e vernizes imobiliários. Além disso, o mercado começa a preferir as tintas aprovadas no Programa Setorial da Qualidade (PSQ), reduzindo a atuação de concorrentes desleais e de fraudes. Mesmo assim, durante 2009, as linhas premium, de qualidade e preços mais elevados, foram as que apresentaram maior retração. Isso derrubou a rentabilidade das operações.

    Como os demais segmentos tiveram um desempenho pior, as tintas imobiliárias responderam por 78% do volume setorial de produtos, estimado em 1.108 milhões de litros em 2009. Para 2010, com a previsão de uma retomada dos demais segmentos, essa participação deve se aproximar da média histórica de 70%, sobre um volume global 3,4% maior, que chegará a 1.145 milhões de litros.

    Durante 2009, embora a comercialização de imóveis novos tenha se mantido na faixa de três mil unidades mensais, a mesma do ano anterior, o ritmo de lançamentos imobiliários arrefeceu. “A média mensal de lançamentos era de três mil unidades em 2008 e caiu para duas mil unidades, considerando toda a região metropolitana de São Paulo (RMSP)”, afirmou Carlos Alberto de Moraes Borges, vice-presidente de tecnologia e qualidade do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi).

    Outra mudança notável é o crescimento do número de lançamentos fora da capital paulista, mas dentro dos 39 municípios da RMSP. A relação era de 80%/20% em favor da capital, mas passou a ser de 50%/50% em 2009. “Isso se explica por ser mais fácil adquirir terrenos para incorporação fora da capital”, explicou Borges. Em 2009, a RMSP registrou mais de 25 mil lançamentos.

    Na análise do Secovi, o mercado brasileiro conseguiu atingir um crescimento sustentável na área imobiliária. As construtoras atuam racionalmente, com olhos no potencial de mercado. O cenário para os próximos anos é muito favorável, tendo em vista o desempenho da economia nacional e a realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. Borges também citou o programa governamental “Minha Casa, Minha Vida”, voltado para o setor de baixa renda, como iniciativa importante para diminuir o déficit habitacional no Brasil. “Esse programa deveria durar mais que os dois anos previstos; isso mostra que ainda não temos uma política permanente para habitação”, lamentou.

    A disponibilidade de recursos financeiros para moradia popular saltou de R$ 10,4 bilhões, em 2005, para R$ 40,6 bilhões em 2008. “Antes, esses financiamentos eram obtidos apenas do FGTS, agora eles vêm também do Orçamento Geral da União, que adicionou quase R$ 17 bilhões em 2009”, afirmou. Além disso, o Minha Casa recebeu R$ 24,4 bilhões.

    Segundo Borges, as classes A, B e C apresentam redução percentual de jovens, exatamente a parcela populacional que mais compra imóveis. “Em sentido contrário, encontramos 41% de pessoas com menos de 20 anos nas classes D e E”, disse. Esse potencial de mercado só se desenvolverá mediante a desburocratização dos procedimentos creditícios oficiais e da redução dos prazos de incorporação e agilização do licenciamento ambiental, além de exigir a doação de terrenos por parte das prefeituras, que também precisam acelerar a concessão de alvarás. “Um dos maiores entraves está em encontrar terrenos de baixo custo para esses empreendimentos”, comentou.


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