Química

15 de janeiro de 2010

Perspectivas 2010: Petroquímica – Ano começa animado, com previsão de bons negócios e anúncio de consolidação setorial

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    agregado da indústria química (incluindo setores correlacionados, como tintas, cos­méticos, fertilizantes e ou­tros) começa 2010 em situação diametralmente oposta da que estava no início de 2009. Naquele momento, o horizonte divisado era tenebroso. A crise mundial ainda ceifava suas vítimas, indo muito além do setor financeiro. Para piorar, 2008 havia sido um ano de vendas e preços excepcionais, pelo menos até setembro. Dessa forma, era sabido que 2009 seria um ano de resultados negativos.

    A situação atual é muito mais animadora. Os resultados de 2009 foram ruins em todo o mundo, como se previu. Mas o ano terminou com sinais de recuperação de negócios em várias regiões geográficas. No caso brasileiro, a queda não foi das mais acentuadas. O agregado químico registrou vendas de R$ 206,7 bilhões, 7% abaixo do recorde de R$ 222,3 bilhões alcançado em 2008. Em dólares, o faturamento de US$ 103,3 bilhões ficou 15,5% abaixo do ano anterior. A diferença entre os percentuais é explicada pela valorização do real em relação ao dólar.

    Os números precisam de um polimento. O faturamento cadente foi mais influenciado no Brasil pela baixa nos preços mundiais dos produtos químicos. Em volumes, a queda foi menos dramática. Dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) mostram que as vendas de produtos químicos para uso industrial (o setor químico propriamente dito) caíram de R$ 112,3 bilhões em 2008 para R$ 96,6, em 2009, um tombo de 14%. Em dólares, a queda foi de 21,1%, de US$ 61,2 bilhões para US$ 48,3 bilhões. Porém, no período, a produção nacional cresceu 2,9%, embora seja importante salientar que 2008 foi marcado pela parada geral de manutenção das três centrais petroquímicas brasileiras. Alguns segmentos consumidores, como o de cosméticos e o farmacêutico, tiveram aumento de vendas e de volumes entregues.

    Marcos De Marchi, presidente da Rhodia América Latina e coordenador da comissão de economia da Abiquim, considerou que “2009 foi um 2008 de cabeça para baixo”. O primeiro trimestre de 2009 foi ruim, marcado pelo clima de crise internacional e pela desova de estoques nas cadeias produtivas, derrubando os indicadores de vendas químicas, tal como aconteceu no último trimestre de 2008. “A situação foi melhorando aos poucos e os números de setembro já foram melhores que os do mesmo mês em 2008, e outubro de 2009 foi ainda melhor que outubro de 2007”, explicou. O resultado final de 2009, portanto, não ficou muito diferente do de 2008, como afirmou.

    As expectativas do setor para 2010 são positivas. “A demanda química no Brasil é puxada por setores econômicos que estão muito bem, o agropecuário, a indústria do petróleo, a de tintas e a de cosméticos”, avaliou Pedro Wongtschowski, primeiro vice-presidente da Abiquim e presidente do grupo Ultra. Isso aponta para um crescimento de consumo de produtos químicos para 2010.

    Bernardo Gradin, presidente do conselho diretor da Abiquim e presidente da Braskem, projeta para 2010 um crescimento de consumo nacional de resinas termoplásticas de 6,5%. “O setor químico brasileiro terá um bom ano pelas medidas anticíclicas adotadas pelo governo federal e pela inércia dos investimentos recentes”, considerou. O panorama internacional, porém, é menos nítido. “A China e a Índia querem crescer e aumentar suas produções, mas os Estados Unidos ainda estão em crise, o que é um problema sério”, explicou. Maior mercado mundial, avaliado em US$ 9 trilhões, os EUA consomem o triplo da soma de todos os países emergentes, a sigla BRIC. Sem o mercado americano, os preços devem continuar baixos. Segundo Gradin, espera-se que os EUA ainda fiquem mais dois ou três anos em baixa.

    A descoberta de novas reservas de gás natural em águas rasas na parte americana do Golfo do México conseguiu baixar o preço do insumo para os produtores de olefinas. “Isso evitou que mais crackers e produtores de resinas de lá fechassem, mas a tônica ainda é a de transferir a produção para o Oriente Médio”, comentou Gradin. “Mas ainda não se sabe ao certo qual será o preço desse gás.” A queda do preço do gás nos EUA motiva o Brasil a agregar valor ao gás brasileiro via indústria química, uma vez que a exportação de gás liquefeito se tornou desinteressante.

    Mesmo a petroquímica brasileira ainda deverá amargar um período de baixa em 2010. “O aumento da oferta no Brasil e no exterior, associado ao câmbio ruim, cria um quadro difícil para a produção nacional de resinas”, disse Gradin. Ele comentou que as adições recentes de capacidades produtivas de resinas no Brasil exigem reforçar as exportações, apesar das dificuldades conjunturais.

    Reação rápida – O presidente-executivo da entidade, Nelson Pereira dos Reis, comentou que o governo agiu rápido na eclosão da crise, ainda em 2008, e criou o Grupo de Acompanhamento da Crise (GAC), reunindo ministérios e órgãos oficiais com representantes da iniciativa privada, entre eles a Abiquim. “A redução do IPI para algumas cadeias produtivas e a ampliação da oferta de crédito para os consumidores nasceram das sugestões do GAC”, afirmou.


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