Química

15 de janeiro de 2010

Perspectivas 2010: Petróleo & Energia – Megainvestimentos da estatal não garantem gás para projetos do setor químico

Mais artigos por »
Publicado por: Marcelo Fairbanks
+(reset)-
Compartilhe esta página

    A

    Petrobras pretende intensificar seus investimentos para manter o mercado nacional abastecido de derivados de petróleo e gás natural até 2030. Durante esse intervalo de tempo, a companhia projeta um crescimento anual médio do PIB brasileiro de 3,5%, numa visão conservadora, porém acima da média mundial esperada. Embora contemple a evolução da demanda nacional por derivados, a companhia não prevê contar com gás natural disponível para suprir projetos químicos e petroquímicos de vulto.

    O Plano de Negócios da companhia para o período 2009-2013 aponta investimentos de US$ 174 bilhões em todas as atividades desenvolvidas. Para a petroquímica, por exemplo, a estatal prevê investimentos de US$ 3 bilhões no período, sem incluir na conta eventuais aquisições de participações acionárias em produtores petroquímicos. Esse plano de negócios está em fase final de revisão, com nova versão esperada para o final de janeiro ou meados de fevereiro de 2010. Alguns ajustes serão feitos, mas as linhas gerais serão mantidas.

    A fatia maior desses investimentos, como não poderia deixar de ser, ficará com a área de exploração e produção, principalmente para conseguir extrair petróleo da região do pré-sal, vencendo todas as dificuldades geológicas, logísticas e ambientais. Essa área investirá US$ 104,6 bilhões até 2013, quando deverá produzir 2,68 milhões de barris de óleo e 634 mil barris de óleo equivalente em gás natural por dia no Brasil. Em 2020, a empresa planeja oferecer respectivamente 3,92 milhões e 1,2 milhão de boe.

    As reservas provadas totais de óleo e gás da Petrobras em 31 de dezembro de 2009 somaram 14,865 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), segundo o critério da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Society of Petroleum Engineers (SPE). Isso representou uma redução de 1,5% em relação aos 15,085 bilhões registrados há um ano. A variação foi decorrente da retirada do cálculo das reservas na Bolívia, por força da mudança da lei daquele país.

    No mesmo critério, as reservas provadas nacionais da companhia somaram 14,169 bilhões de boe, sendo 12,056 bilhões de barris de petróleo e 335,843 bilhões de m³ de gás natural. Houve crescimento de 0,5% nas reservas em relação aos dados de 2008. A apropriação de novas reservas foi de 861 milhões de boe, contra uma produção acumulada de 785 milhões de boe. Isso significa que a relação reserva/produção da companhia ficou em dezoito anos.

    Os planos para expandir o refino dessa produção adicional de petróleo também são vultosos, previstos em US$ 43 bilhões até 2013. A capacidade atual de refino no Brasil é de 1,791 milhão de barris por dia e deve ser aumentada por meio de projetos de ampliação e de construção de novas plantas para 2,27 milhões de bpd até 2013, e 3 milhões de bpd até 2020. Esse volume é mais do que suficiente para suprir o mercado doméstico, indicando que a companhia pretende ampliar suas exportações de derivados.

    “Não teremos gás natural para oferecer ao setor químico e petroquímico, pelo menos até 2013”, afirmou José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras em palestra no Encontro Anual da Indústria Química (Enaiq), em dezembro de 2009. A oferta de gás em 2008 foi de 58 milhões de m³/dia, dos quais 29 milhões foram importados da Bolívia e o restante produzido no país. Isso foi capaz de abastecer o mercado, cuja demanda caiu para 49 milhões de m³/dia em 2009. A previsão da estatal para 2013 é de um mercado interno de 135 milhões de m³/dia, dos quais 49 milhões serão requeridos pelas termoelétricas, 41 milhões pelos vários setores industriais e 45 milhões por outros usos. Até lá, a produção nacional deverá ter chegado a quase 75 milhões de m³/dia, sendo a demanda restante suprida por quase 30 milhões da Bolívia e os demais 25 milhões por gás natural liquefeito (GNL) importado ou comprimido em instalações flutuantes nos campos do pré-sal.

    Nessa previsão, Gabrielli explica que o consumo das termelétricas não será constante, nem mesmo garantido. Essas geradoras são acionadas somente quando há pouca água nos reservatórios das hidrelétricas ou em regiões sem outra alternativa de suprimento elétrico. Em 2009, por exemplo, as chuvas torrenciais encheram os reservatórios de água, reduzindo ao mínimo o acionamento das térmicas das regiões Sudeste e Sul. “Por força de lei, somos obrigados a garantir o suprimento de gás para o despacho de energia das termelétricas, portanto, não podemos comprometer esse volume de gás com nenhum outro cliente”, explicou.

    No entanto, há uma saída possível para o problema. O gás poderia ser usado nos meses de chuva forte ou fora dos períodos de maior consumo de eletricidade. Seria, para isso, preciso encontrar uma indústria com um perfil de demanda que se adaptasse a essas flutuações de carga sazonais. Não é o caso dos crackers petroquímicos, mas a produção de amônia é uma candidata evidente.

    Tanto assim que a própria Petrobras estuda construir uma fábrica de amônia e ureia fertilizante (1,1 milhão de t/ano de capacidade) até 2013, aproveitando o aumento da oferta doméstica do gás. A empresa já produz amônia e ureia na Bahia e em Sergipe. Atualmente, a importação de fertilizantes nitrogenados supre mais da metade da demanda local, que seria diminuída notavelmente com a nova fábrica.


    Página 1 de 212

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next