Química

15 de janeiro de 2010

Perspectivas 2010: Máquinas – Indústria mecânica sofreu em 2009, mas espera recuperação de vendas neste ano

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Publicado por: Denis Cardoso
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    etor de máquinas e equipamentos foi um dos mais prejudicados em 2009 pelos efeitos da crise financeira mundial. Porém, a forte recuperação do segmento registrada nos últimos meses do ano passado, impulsionada principalmente pelos incentivos tributários oferecidos pelo governo federal, tirou o setor do “fundo do poço”. “Foi um ano difícil para a economia brasileira, em particular para os fabricantes de máquinas e equipamentos. Mas poderia ter sido muito pior”, avaliou o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto.

    Os dados preliminares da Abimaq indicam que o faturamento do segmento de bens de capital mecânico registrou queda de quase 20% em 2009, para R$ 63 bilhões no ano, ante os R$ 78 bilhões obtidos em 2008. No primeiro trimestre de 2009, porém, o setor chegou a apontar uma forte baixa de 55%, em média, em seu faturamento. “Se não fossem as medidas implementadas pelo governo, certamente estaríamos em um momento muito mais difícil”, ressaltou Neto, lembrando que os fabricantes ligados à entidade demitiram 25 mil pessoas no ano passado.

    Para 2010, ainda não há uma previsão oficial da Abimaq, que representa 40% do total da indústria do país e tem 1,5 mil empresas associadas. Mas a entidade trabalha com a expectativa inicial de pelo menos recuperar o patamar de negócios de 2008, quando o segmento comemorou um crescimento no faturamento de 23% na comparação com 2007. “Temos a expectativa de que 2010 será um ano promissor”, afirmou o presidente da associação, muito otimista em relação ao andamento dos projetos do PAC e do pré-sal, além dos investimentos que serão gerados com os trabalhos iniciais de organização para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

    No entanto, vencida a crise, o maior entrave para o desenvolvimento do setor volta a ser a desvalorização do dólar perante o real. A participação das máquinas e equipamentos nacionais no mercado brasileiro, apontou o presidente da Abimaq, caiu de 62% para 55% entre 2005 e 2009. “Isso mostra claramente o processo de desnacionalização que vem ocorrendo no país”, alertou Neto, lembrando que, na década de 80, o Brasil tinha a quinta maior indústria de máquinas e equipamentos do mundo. Atualmente, o setor figura na 14a posição do ranking global. Na visão da Abimaq, um valor ideal de câmbio estaria entre R$ 2,30 e R$ 2,60, bem acima da cotação atual por volta de R$ 1,75, que, segundo a associação, está “matando a indústria brasileira”.

    Ainda segundo o dirigente, além do câmbio desfavorável, os fabricantes brasileiros sofrem com o excesso de carga tributária e juros altos. Com essas duas variáveis, associadas ao câmbio desfavorável, a perda de competitividade do setor ante os concorrentes internacionais pode chegar a 50%, nas contas da Abimaq.

    O principal termômetro para verificar a reação do setor de máquinas e equipamentos ao longo dos últimos meses de 2009 está nos números referentes ao desempenho da produção industrial, levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em novembro, enquanto a produção industrial total apontou estabilidade em relação a outubro (com ligeira queda de 0,2%), a produção de bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos, registrou forte expansão de 6,1% na mesma base de comparação. Foi a oitava alta consecutiva desse segmento, que acumula, em três meses, aumento de 16,9%. No entanto, em relação ao mesmo período de 2008, a produção de bens de capital foi a única entre os demais setores industriais a apresentar recuo (de 2,5%) em novembro, embora o setor tenha registrado expressiva redução no ritmo de queda em relação aos meses anteriores (em outubro, a baixa ficou em 16,8% na comparação com igual mês do ano anterior).

    O bom desempenho na produção de bens de capital, na avaliação dos técnicos do IBGE, é uma prova de que o Brasil iniciou uma importante retomada dos investimentos e, com isso, segue no rumo certo para atingir o crescimento almejado este ano entre 5% e 6% do Produto Interno Bruto (PIB). Porém, segundo o IBGE, o setor de bens de capital foi o que mais demorou a reagir. Considerando os dados de novembro, o segmento ainda amargava perdas de 11,4% em relação a setembro de 2008, mês em que a indústria nacional atingiu seu recorde de produção, período coincidentemente também marcado pelo agravamento da crise financeira mundial, iniciado após a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers.

    O resultado estável da produção industrial de novembro, segundo analistas do IBGE, não alterou o ritmo de crescimento da economia, já que o desempenho geral do setor foi influenciado pela queda de 2,2% na produção de veículos automotores, que só ocorreu após o mesmo segmento ter registrado forte alta de 11,2% em outubro, em relação ao mês anterior, e um avanço de 107,6% entre janeiro e outubro do mesmo ano. Dados consolidados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), divulgados no início de janeiro, mostram que, apesar da crise financeira e dos problemas de falta de liquidez enfrentados pelo setor no começo de 2009, a produção anual de veículos teve apenas uma ligeira queda de 1% sobre 2008, com a oferta de 3,182 milhões de unidades. Para 2010, a Anfavea prevê aumento de produção de 6,5% sobre 2009, para 3,39 milhões de unidades.


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