Química

15 de janeiro de 2010

Perspectivas 2010: Infraestrutura – Ano promete ser favorável com o desengavetamento de obras do PAC

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Publicado por: Denis Cardoso
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    ão há dúvidas de que grande parte dos investimentos previstos para o Brasil em 2010 será direcionada para a infraestrutura, segmento vitaminado pelo início das preparações para a Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016, pelo avanço dos projetos do pré-sal e, principalmente, por ser um ano eleitoral. Não por acaso, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) terá em 2010 o maior orçamento de sua curta história: R$ 29,8 bilhões, valor 80% acima dos R$ 16,59 bilhões aprovados para 2007, quando foi criado. Um eventual sucesso do programa poderá ser um dos trunfos para ajudar a atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a arrecadar votos para chegar à Presidência da República. No entanto, o apagão elétrico de novembro, causado por supostos danos ao sistema de transmissão de energia provocados por tempestades, o agravamento das enchentes em áreas urbanas e a falta de boas estradas em todo o país, além do registro de dezenas de mortes decorrentes das fortes chuvas dos últimos meses, são alguns exemplos de como o Brasil ainda tem muito a fazer nessa área.

    Para Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), o financiamento será o grande desafio para transformar as perspectivas de aportes nos setores de infraestrutura em investimentos de fato. “Caberá às autoridades públicas e aos agentes privados iniciar o planejamento das ações necessárias para transformar as oportunidades em negócios e investimentos concretos, em desenvolvimento econômico e social”, avalia.

    Segundo a Abdib, em 2009, o volume de investimentos nesse segmento, incluindo recursos públicos e privados, ficou ligeiramente acima do valor aplicado em 2008, de R$ 106,8 bilhões. O resultado foi considerado satisfatório por Godoy, por se tratar de um ano marcado pela forte crise financeira mundial, mas ainda está aquém da real necessidade do setor. Nos cálculos da Abdib, são necessários R$ 160,9 bilhões anuais ao longo de vários anos consecutivos, sem interrupção, para que sejam minimizados os chamados “gargalos de infraestrutura” do país. “No setor, sentimos os efeitos da crise internacional, especialmente com relação ao crédito, que ficou escasso e caro. No entanto, apesar das dificuldades, os resultados foram positivos. Não registramos interrupção ou cancelamento de projetos de infraestrutura, apenas adiamentos de projetos ainda não contratados, principalmente aqueles voltados à exportação”, afirma Godoy.

    Na avaliação da Abdib, num primeiro momento – entre o fim de 2008 e os primeiros seis meses de 2009 –, as turbulências financeiras trouxeram muitas incertezas ao mercado brasileiro e fizeram secar o volume de verbas disponíveis para novos investimentos. Mas, a partir do segundo semestre, as condições de crédito para infraestrutura começaram a se normalizar, incluindo as operações de mercado de capitais, que haviam sido praticamente extintas no período mais crítico da crise. “Além disso, os aportes extraordinários de recursos do Tesouro Nacional para o orçamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para 2009 e 2010 colaboraram para dar tranquilidade às operações de estruturação dos financiamentos”, relata Godoy.

    Perspectivas de vulto – Na avaliação da Abdib, a partir deste ano, os investimentos anuais em infraestrutura devem se acelerar e, no prazo de cinco anos, os valores aplicados deixarão o nível atual de R$ 100 bilhões anuais e alcançarão o recomendado patamar de R$ 160 bilhões por ano. As perspectivas de crescimento dos aportes levam em conta os projetos relacionados aos setores de transporte, energia e petróleo (pré-sal).
    Segundo cálculos do BNDES, a demanda por empréstimos em 2010 para a infraestrutura será de R$ 54 bilhões, 20% superior ao montante de 2009. A Abdib lembra que há uma clara trajetória de elevação de desembolsos do banco de fomento para a área. Durante todo o ano passado, o BNDES desembolsou R$ 46,5 bilhões para o setor, um crescimento de 32% sobre os R$ 35,1 bilhões registrados em 2008. Os segmentos que receberam os maiores aportes do banco no período foram o de energia elétrica (R$ 11,1 bilhões), transporte rodoviário de cargas (R$ 8,1 bilhões), transporte dutoviário (R$ 6,6 bilhões), transporte rodoviário (R$ 4 bilhões), telecomunicações (R$ 2,1 bilhões) e transporte metroviário (R$ 1,2 bilhão).

    Química e Derivados, Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base(Abdib), Infraestrutura - Ano promete ser favorável com o desengavetamento de obras do PAC

    Godoy: investimentos do setor continuam aquém do necessário

    Alavanca eleitoral – Em ano de eleições, o PAC foi turbinado com recursos totais de R$ 29,8 bilhões reservados para 2010. Esse montante, que consta no relatório final do orçamento de 2010, foi aprovado no fim do ano passado, horas antes de o Congresso Nacional entrar em recesso. Inicialmente, a proposta encaminhada pelo governo previa aportes da ordem de R$ 22,5 bilhões, mas, ao ser redigido o texto final, o valor foi inflado em R$ 7,3 bilhões. Porém, cabe ressaltar que dinheiro aprovado não significa verba gasta, pois há vários projetos do PAC com execução pífia.

    Desde janeiro de 2007 até agosto de 2009, os investimentos do programa de aceleração totalizaram R$ 338,4 bilhões, entre gastos e contratações, segundo o oitavo balanço do PAC, divulgado em outubro. O montante equivale a 53,6% do total previsto para ser aplicado até o fim de 2010, de R$ 646 bilhões, incluindo recursos dos ministérios, das estatais federais, dos estados, municípios, das empresas privadas e das pessoas físicas. As ações concluídas totalizam R$ 210 bilhões, ou 33,3% do total. Na divisão dos investimentos totais acumulados até agosto (de R$ 338,4 bilhões), as estatais responderam por R$ 107,1 bilhões; os ministérios, por meio do Orçamento Geral da União (OGU), foram responsáveis por R$ 28,2 bilhões; o setor privado, por 83,6 bilhões; os financiamentos ao setor público totalizaram R$ 5,7 bilhões; e os empréstimos às pessoas físicas (para a compra de habitação) alcançaram R$ 113,8 bilhões.


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