Química

15 de janeiro de 2010

Perspectivas 2010: Comércio Químico – Superação da crise e consolidação química geram oportunidades para os distribuidores

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    conjuntura macroeconômica e política permite ao comércio de produtos químicos no Brasil antever um ano de recuperação de negócios. Em ano eleitoral, com sólidos fundamentos na economia nacional e amplos planos de investimento em setores basilares, como o de petróleo, o automobilístico e o da construção civil, espera-se um aumento significativo de vendas em 2010.

    “O pior da crise global já passou, mas não estamos num paraíso”, adverte Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim) e também do Conselho Internacional das Associações do Comércio Químico (ICCTA). Adotando um “otimismo moderado”, ele recomenda ao setor manter um planejamento estratégico meticuloso, escolhendo muito bem “onde colocar as fichas”. Uma das chaves do sucesso será a manutenção de estoques em nível adequado à demanda, nem acima, nem abaixo. Isso garante a satisfação dos clientes e evita carregar custos excessivos, que exigiriam buscar financiamentos. “Há crédito na praça, mas ainda está muito caro”, avaliou.

    Dados da Associquim indicam uma perda de 10% no faturamento da distribuição química nacional em 2009, em relação aos US$ 5,2 bilhões registrados em 2008, o melhor ano da história setorial, com vendas 22% superiores às de 2007. Houve redução nos volumes negociados, mas o setor conseguiu manter a rentabilidade durante o ano. “Os distribuidores ficaram mais produtivos, reduziram o mix de produtos, eliminando itens pouco rentáveis, e ajustaram mais o foco dos seus negócios”, comentou Medrano.

    A crise financeira mundial, iniciada em setembro de 2008, teve efeitos vigorosos em 2009. O maior deles, para o comércio químico, foi a desmobilização dos estoques de produtos em poder de todos os elos das cadeias produtivas. Como explicou o dirigente, a euforia pré-crise indicava uma possível escassez de matérias-primas, o que incentivou todas as empresas a formar estoques preventivos. Deflagrada a crise, essas empresas passaram a consumir ou desovar esses inventários. Isso se traduziu em redução acentuada de demanda durante o primeiro trimestre de 2009. Depois disso, os negócios foram retomados, porém em ritmo muito mais lento. “As cadeias produtivas estão operando com estoques mínimos”, informou.

    O mercado brasileiro de químicos sofreu menos do que os congêneres europeu e norte-americano. Medrano ressalta os efeitos benéficos das medidas fiscais adotadas pelo governo federal e também os estímulos oficiais à expansão de financiamentos. “A disponibilidade de crédito ajudou a vender carros, produtos da linha branca e materiais de construção, setores que sustentaram a venda de químicos”, comentou. Isso foi feito agregando uma parcela maior de consumo por parte da população de baixa renda, fato facilmente constatável no caso dos materiais de construção. Nem mesmo a inadimplência dos clientes teve aumento significativo.

    “Porém, os estímulos ao mercado interno não foram suficientes para compensar a perda das exportações de produtos manufaturados que também consomem insumos químicos”, lamentou Medrano. As vendas aos Estados Unidos foram cortadas pela metade. O dirigente setorial prevê que esse país apresentará uma recuperação tímida ao longo de 2010, com melhores resultados a partir de 2011. Como se trata da maior economia mundial, isso significa que 2010 não terá grandes avanços na demanda global.

    A relação cambial não preocupa o setor comercial. Importam, sim, as suas variações, que podem representar a diferença entre lucro e prejuízo aos importadores. Os primeiros meses de 2009 apresentaram muitas variações cambiais e trouxeram alguma inquietação ao setor. Mas as cotações se acalmaram durante o ano, refletindo um fortalecimento do real em relação ao dólar, embora isso não tenha se traduzido em uma enxurrada de produtos químicos importados. “O comércio químico deixou de fazer essas manobras oportunísticas, só importa para complementar a produção nacional, evitando riscos desnecessários”, comentou.

    Consolidações químicas – A união entre as petroquímicas Braskem e Quattor, sob as bênçãos da Petrobras, já é considerada um fato consumado pela distribuição química. “Só falta marcar a data”, disse Medrano. Ele considera essa fusão como consequência previsível do processo mundial de consolidação de negócios. Falta dimensionar o impacto desse movimento no comércio de produtos químicos.

    “Quando ocorre uma união desse porte em um elo de uma cadeia produtiva, ela se reflete em todos os outros elos, desencadeando outras consolidações de clientes e também de distribuidores”, comentou. Ele prevê que o primeiro segmento a receber o impacto será o das resinas termoplásticas (polietileno e polipropileno, principalmente). O segundo será o dos solventes hidrocarbonetos. É previsível a redução do número de distribuidores desses itens.

    Nos demais segmentos em que a distribuição química atua, Medrano não espera grandes modificações. “O comércio é muito diversificado em produtos e em fornecedores”, considerou. Em todos os casos, essa consolidação também abrirá novas oportunidades para empresas sólidas e bem estruturadas em comércio exterior na busca de novas fontes de suprimento para atender o mercado local.


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