Química

15 de janeiro de 2010

Perspectivas 2010: Ambiente – Empresas de serviços e tecnologias ambientais mantêm taxas de crescimento acima de 10%

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    ode-se afirmar, sem ser considerado otimista demais, que uma parte importante da indústria brasileira chegou a um patamar aceitável em termos de conduta ambiental. Lógico que ainda há muito a fazer, e que principalmente entre as médias e pequenas a preocupação maior é sobreviver em um ambiente econômico hostil ao investimento. Mas é difícil hoje não reconhecer a existência de um mercado de serviços e tecnologias ambientais alimentado por várias empresas que precisam destinar e tratar adequadamente resíduos sólidos ou efluentes líquidos. Isso tanto para que possam manter um padrão limpo de produção como para dar uma resposta às pressões da sociedade.

    É esse cenário que faz os participantes desse setor permanecerem confiantes com o futuro, em específico o mais próximo, representado pelo ano de 2010. Uma rápida consulta entre associações de classe ligadas ao ramo revela o grande potencial de negócios. Mesmo no período mais crítico da economia, entre 2008 e 2009, o setor não teve um desempenho ruim. No máximo, a reclamação de alguns dá conta de que o crescimento teria sido um pouco menor do que em outros anos, nada muito além disso.

    Reflete bem essa avaliação o segmento composto por empresas de tratamento de resíduos sólidos industriais e domésticos. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), uma recente enquete feita entre seus 19 associados – que administram 41 unidades de tratamento por todo o país, responsáveis por 82% do mercado de resíduos industriais e por 50% da operação privada de resíduos urbanos – revelou que o segmento cresceu em 2009 em uma média de 10%: 12% em tratamento de resíduos industriais, chegando a um volume tratado de 8 milhões de toneladas, e 8% em resíduos urbanos, atingindo o patamar de 7,6 milhões de t. O resultado foi pior do que o de 2008, quando o crescimento médio chegou a 17%, mas não é suficiente para reduzir as boas perspectivas das empresas.

    Crise não afeta – Segundo o diretor-presidente da Abetre, Diógenes Del Bel, o desempenho de 2009, dentro da média de crescimento dos últimos anos, representa a consolidação da prática ambiental dos clientes principais das empresas de tratamento. “Um ou outro pode ter retardado um pouco a destinação dos resíduos, mas no geral eles continuaram a fazer o correto. Não é a crise que vai fazê-los retroceder”, explicou Del Bel. Sua confiança se estende a 2010, quando ele espera que as taxas de crescimento superem também os 10%.

    Em faturamento, a participação dos clientes industriais tem maior peso para as empresas de tratamento. Em 2009, da receita de R$ 1,6 bilhão, cerca de R$ 1,2 bilhão provieram dos contratos para tratar resíduos industriais. Os restantes R$ 400 milhões para a destinação do lixo urbano. Apesar da crescente necessidade das cidades por aterros privados, tanto por causa da carência, caso da região metropolitana de São Paulo, como para atender aos novos padrões de qualidade impostos por pressão fiscalizatória, os negócios com o resíduo industrial merecem atenção especial. Isso principalmente porque são esses clientes que fazem uso de tecnologias mais caras de tratamento, como incineração ou coprocessamento em fornos de cimento. Mesmo assim, o aterro ainda representa a maior parte das destinações. Em média, a disposição representa 77% do destino dos resíduos industriais; o coprocessamento, 17%; a incineração e outros tratamentos térmicos, 3%; e mais outros 3% os tratamentos biológicos e tecnologias alternativas.

    As opções tecnológicas, na opinião de Del Bel, ainda não devem sofrer muitas alterações no curto prazo. E isso a despeito de muito se falar hoje em dia da necessidade de os municípios brasileiros pensarem seriamente em outras alternativas de tratamento além do aterro, como por exemplo a incineração do lixo integrada à cogeração de energia. “O aterro é ainda a solução mais barata e viável. E seu controle é de total domínio das empresas e dos órgãos ambientais”, disse. Segundo ele, o custo total do tratamento, levando em conta a operação e a vida útil da tecnologia, torna a sua escolha a mais fácil. “O aterro sanitário representa investimento de R$ 14 a R$ 18 por habitante/ano, índice com certeza bastante inferior ao da incineração”, completou o presidente da Abetre.

    A chamada reciclagem energética do lixo tem sido mais estudada em regiões com carência de novas áreas para aterros, como a cidade de São Paulo, que já não conta mais com aterros municipais próprios e tem terceirizado a destinação (até mesmo para associados da Abetre, como a Essencis, cujo aterro de Caieiras-SP recebe grande volume diário de lixo urbano da cidade). A secretaria municipal de meio ambiente de São Paulo fez recentemente a revelação oficial de que estuda a adoção de incineradores com reaproveitamento energético. Mas, mesmo nesses casos, Del Bel considera que a concorrência com os aterros ainda será considerável. “São Paulo pode não ter área para novos aterros, mas as cidades do entorno têm”, acrescentou.

    A constatação do presidente tem fundamento, ao se ver que até mesmo a indústria pensa duas vezes antes de mandar seus resíduos para a incineração ou até mesmo para o mais barato coprocessamento em fornos de cimento, cuja curva de crescimento tem se mantido estável. “O custo vem sempre na frente. Se o aterro é uma saída ambientalmente controlada e mais barata, logicamente ele terá sempre a preferência”, disse.

    Política deve sair – Além das possibilidades um pouco mais remotas para o segmento, outra expectativa prática para 2010, no que diz respeito a gerenciamento de resíduos, tem a ver com a provável aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Depois de quase vinte anos de discussões intermináveis, há grandes chances de o plano passar por sessão plenária no Congresso ainda no primeiro semestre, antes das eleições. “Nunca ele esteve tão perto de ser validado”, disse Diógenes Del Bel.


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