Petróleo & Energia

2 de dezembro de 2000

Perspectiva: Demanda firme exige investir na química

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Projetos químicos e petroquímicos iniciam o milênio com ambiente econômico favorável a novos projetos, inclusive para abater déficit da balança comercial

    Química e Derivados: Perspectiva: perspectivas2

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    aurora do terceiro mi­lênio da era cristã en­contra a indústria quí­mica brasileira espe­rançosa quanto ao au­mento de vendas e de rentabilidade, quadro propício para a reali­zação de investimentos produtivos no País. A imagem do navio sin­grando águas calmas com vento em popa ilustra a perspectiva geral dos vários segmentos da área. No entanto, alguns fatores negativos se insinuam, com­plican­do o exercício da adivinhação.

    A proposta inicial deste trabalho pretendia delinear os horizontes da indústria química durante os próximos mil anos, tarefa reconhecida impossível pela inexistência de bola de cristal com tão longo alcance. Fixou-se um hori­zonte mais factível de dez anos, ali­viando alguns dos entrevistados por conceder-lhes indulgência plena por decurso de prazo. “Daqui a dez anos ninguém vai se lembrar do que eu falei”, confidenciou um deles.

    Dez anos pode ser considerado prazo razoável para amortizar um grande investimento petroquímico, mas para o ofício árduo da consultoria moderna, situada mais próxima da ciência que da vulgar cartomancia, representa a eterni­dade.

    Mesmo considerando apenas os próximos 24 meses já se torna difícil traçar com segurança o rumo dos negócios. Basta verificar as atuais condicionantes citadas por todos: o comportamento dos preços do petróleo, os humores da recessão norte-americana e o quadro eleitoral brasileiro para 2002.

    O ponto de partida é o ano 2000, no qual a indústria química brasileira faturou US$ 42,3 bilhões, tendo impor­tado US$ 10,6 bilhões e exportado US$ 4 bilhões. Os números foram apresen­tados pela Abiquim, cujos levantamentos estatísticos mostram que o setor ocupou, em média, 88% da capacidade instalada durante o ano. O volume de investi­mentos programados na atividade soma US$ 9,1 bilhões entre 2001 e 2005, perfazendo a média anual de US$ 1,8 bilhão. “É muito pouco para atender às necessidades do mercado brasileiro, pois já estamos operando no limite”, avaliou o presidente da entidade, Carlos Mariani Bittencourt.

    Química e Derivados: Perspectiva: Unger - pouso suave dos EUA não afetam ambiente brasileiro.

    Unger – pouso suave dos EUA não afetam ambiente brasileiro.

    Ambiente econômico

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    previsão do início de 2001 para o crescimento do PIB supera o índice de 4,1% alcançado em 2000, segundo o Ipea, e pode até ser surpreendente, se mantido o ritmo de negócios do início de ano. “O governo acertou a moeda em 1999, meio sem querer, e já iniciou processo de redução de juros, estimu­lando a atividade produtiva”, comentou o consultor Thomas Unger. “Em linhas gerais o ambiente é favorável para investimentos em vários setores.”

    “O desenvolvimento econômico do Brasil provoca aumento na demanda por produtos químicos, em especial das resinas plásticas”, concorda o consultor Lauro Moreira, representante da consultoria internacional Parpinelli Tecnon para o Brasil. Além das boas opor­tunidades de investimentos em vários ramos, como o de alimentos e tratamento de água, ele salienta o efeito multi­plicador de empregos para profissionais qualificados na área química, importante fator de transferência tecnológica. “Além disso, o Brasil se livrou do fantasma da variação cambial, ao contrário da Argentina”, comentou.

    Mesmo imune às flutuações cam­biais, os brasileiros acompanham com apreensão as manobras dos Estados Unidos para conseguir o chamado “pouso suave” da economia. Já se emitem sinais de desaquecimento da atividade produtiva na América do Norte, provocando a redução dos juros primários pelo Federal Reserve. Embora o governo americano tenha nova tripu­lação, o manche do Fed continua nas mãos cautelosas de Alan Greenspan.

    Resta saber se a equipe do republicano George W. Bush manterá a tradição partidária de reduzir ao mínimo sua atuação no ambiente de negócios, ao contrário dos democratas, usualmente intervencionistas. Qualquer “barbei­ragem” nos próximos meses provocará “aterrissagem forçada” da economia americana, deprimindo os negócios em escala mundial, inaugurando período de crise.

    “Durante os próximos dois anos a recessão americana será o fator deter­minante para investimentos no mundo”, disse Unger. Apesar disso, se houver um enfraquecimento do dólar frente ao euro, os efeitos nas exportações brasileiras podem ser positivos. O pior dos mundos seria a combinação de recessão ameri­cana profunda combinada com crise local de liquidez, como aconteceu em agosto de 1998. “A situação brasileira já melhorou muito, mas ainda há compro­missos da ordem de US$ 55 bilhões a saldar”, avaliou. “Se houver o soft landing (pouso suave), não haverá nenhum problema.”

    O desenvolvimento econômico do País é vital para o setor químico. Segundo Unger, a elasticidade média química e petroquímica é de 2,5 vezes o cresci­mento do PIB. Para cada ponto percen­tual de incremento no PIB, a atividade química nacional cresce 2,5 pontos.

    “Se houver forte recessão nos EUA, a demanda por produtos químicos e petroquímicos do Oriente vai cair, derrubando o preço internacional da nafta e também o desses produtos”, comentou Moreira. O excesso de oferta pode ser perigoso para mercados pouco prote­gidos como o brasileiro.

    Superada satisfatoriamente a reces­são dos EUA, em 2002 a variável política interna ganha a prioridade nas avaliações de projetos de investimentos. “Caso um partido totalmente contrário à orientação econômica atual vença a eleição presi­dencial, o que considero improvável, poderia haver retração de inves­ti­mentos”, comentou Unger.


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