Papel e Celulose

6 de outubro de 2001

Papel e Celulose

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Empresas do setor assumem novo perfil, promovem  reorganização de ativos e passam a orientar suas ações pelo desempenho de mercado, buscando rentabilidade

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    indústria de celulose e papel opera discreta, porém profunda, reformulação de perfil e de procedimento estratégico, conduzida de forma harmônica em todo o mundo. Pressões ambientais, concentração de empresas e atualização tecnológica são constantes em qualquer latitude e longitude, válidas para qualquer ramo de atividade. Na de celulose e papel, porém, a grande mudança consiste na busca pela rentabilidade, substituindo a antiga prioridade de conquista de participação de mercado.

    “As crises recentes deram disciplina ao setor, que agora prefere vender 80% da produção de celulose a US$ 600 por tonelada a vender 100% a US$ 300”, disse Carlos Lira Aguiar, presidente da Aracruz Celulose. “No passado as empresas lutavam para manter-se à plena carga e garantir o market share”, comentou Boris Tabacof, presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) e também da Cia. Suzano. “Hoje, só se produz a quantidade correspondente aos pedidos em carteira, sem formar estoques, que são a arma dos compradores para baixar preços.”

    A política de investimentos em novas capacidades produtivas acompanhou esse mote. Na fase anterior, segundo Tabacof, o setor investia quando tinha sobra de dinheiro, gerando excedentes que provocavam baixa de preços por períodos longos. “O investimento do setor acompanha a evolução global da demanda”, comentou.

    Química e Derivados: Papel: tabela02.Um caso típico da antiga forma de atuar é a indústria de celulose da Indonésia. “Eles têm quase o tamanho do setor no Brasil e ergueram as fábricas nos últimos dez anos, gerando forte desequilíbrio mundial”, criticou Carlos Lira Aguiar, da Aracruz. Aquele país enfrenta dificuldades financeiras e políticas, enquanto sua produção de celulose, partindo da acácia, apresenta dívidas da ordem de US$ 15 bilhões. “O custo de produção deles é baixo, mas as dívidas pesam demais.”

    O mercado de celulose registra queda de demanda de 8% entre outubro de 2000 e 2001, fato configurador de recessão. Os principais mercados, Japão, Estados Unidos e Europa, reduziram suas compras por fatores diversos. Como conseqüência direta, o preço da celulose despencou de mais de US$ 600/t para aproximadamente US$ 380/t. Aguiar espera recuperação de demanda e preços a partir de junho ou julho de 2002, absorvendo a entrada em operação de novos projetos industriais.

    Tabacof revela expectativa menos animadora. O quadro complexo de circunstâncias negativas soma a crise de energia local com a bancarrota argentina, a guerra no Afeganistão e até os efeitos negativos da disputa pela sucessão presidencial brasileira. “Até meados de 2003, tudo isso deve estar resolvido, o problema é atravessar incólume o ano de 2002”, disse.

    Revisão brasileira – Nas terras brasileiras, o motor das reestruturações foi a decisão da Cia. Vale do Rio Doce de retirar-se do negócio papel e celulose para enfocar exclusivamente os minérios e a siderurgia. Com isso, abriu-se caminho para reagrupar o setor. Na Cenibra, os 51% de capital ordinário em poder da Vale foram alienados em agosto ao sócio japonês, detentor de 49%, tornando-se controlador integral. Os orientais garantiram celulose para a indústria papeleira do país de origem, exercendo direito de preferência contra o consórcio formado (e já dissolvido) entre Aracruz e Votorantim Celulose e Papel (VCP). A Vale já vendera, em fevereiro, os 40,7% do capital votante da BahiaSul Celulose para a acionista Suzano, que ficou com mais de 90% de participação ordinária, complementada pelo BNDES. Com isso, segundo Tabacof, o grupo Suzano pôde buscar a integração de suas operações, valendo-se de sinergias internas. Para tanto, deixou a participação na Igarás, produtora de papelão ondulado, em favor da Klabin. Aliás, o grupo Suzano já anunciou reestruturação de negócios, dando origem a duas áreas independentes: a primeira voltada para celulose e papel e a segunda, para petroquímicos.

    Química e Derivados: Papel: tabela03.Por sua vez, a VCP adquiriu, em outubro, os 28% de participação votante da italiana Mondi na Aracruz, unindo-se aos grupos Lorentzen (28%), Safra (28%) e BNDES (12,5%). Maior produtora individual de celulose do mundo, a empresa capixaba assumiu, em julho, 45% de participação na Veracel, aliando-se aos grupos Stora Enso (45%) e Odebrecht (10%). O projeto industrial da Veracel sofreu adiamentos, devendo receber decisão definitiva durante 2002. Caso se opte pelo investimento em capacidade produtiva de celulose, deve ainda demorar mais três anos para o início das operações. Enquanto isso, de 2002 a 2004, a Aracruz já se comprometeu a comprar a madeira produzida pela parte florestal do projeto (em estágio adiantado), conseguindo fonte segura de matéria-prima para sua linha C, para mais de 700 mil t/ano de celulose branqueada pelo processo ECF (isento de cloro elementar). Com isso, a Aracruz passará de 1,3 milhão para mais de 2 milhões de t/ano de celulose.

    O grupo Klabin, um dos mais tradicionais no setor no País, decidiu concentrar-se nas áreas de papel kraft e materiais para embalagem, deixando a parceira com a Kimberly na área sanitária e anunciando para daqui a dois anos a sua retirada da produção de papel de imprensa.

    Da parte das companhias estrangeiras, Tabacof destacou a compra da Champion pela gigante International Paper, assumindo posição destacada no mercado brasileiro, onde não atuava.


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