Papel e Celulose

14 de novembro de 2002

Papel e Celulose: Brasil ganha espaço no mercado externo

Mais artigos por »
Publicado por: Quimica e Derivados
+(reset)-
Compartilhe esta página

    As 250 empresas nacionais do setor de celulose e papel entram em ciclo de investimentos que geram projeções otimistas para 2003, com destaque para o provável aumento das exportações

    A importância do Brasil no cenário internacional da produção de papel e celulose, prenunciando um novo ciclo de alta, confirmou-se no 35° Congresso e Exposição Anual, promovido pela ABTCP – Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel, de 14 a 17 de outubro, no ITM Expo, na capital paulista. Somados os investimentos realizados em 2002 e programados para 2003, as projeções indicam aumentos de l,5 milhão de toneladas para a celulose e 250 mil toneladas para o papel, com as exportações se elevando de US$ 2,2 bilhões, em 2002, para US$ 3,1 bilhões, em 2003.

    Delineado por um parque industrial integrado por mais de 250 empresas, onde pouco mais de uma dezena de grandes lideranças são responsáveis por 90% da produção, o setor deverá responder em 2002 por uma produção estimada em 7,6 milhões de toneladas de celulose e papel, ocupando a 7ª posição entre os maiores produtores mundiais de celulose e 11ª classificação no ranking mundial do papel.

    Ao tratar-se, porém, da produção mundial de celulose de eucalipto, o Brasil desponta na liderança absoluta, ao gerar 5,5 milhões de toneladas/ano, enquanto o mundo todo produz 11 milhões de toneladas/ano.

    Baseando-se nessa conjuntura, muitos acreditam não faltar motivos para que o País possa dobrar sua capacidade setorial instalada no espaço de uma década. Essa perspectiva, anunciada pela Bracelpa – Associação Brasileira de Celulose e Papel, alimenta uma verdadeira corrida em busca da eficiência máxima nos ativos e na produção, trazendo reflexos para toda a cadeia de fornecedores de sistemas, matérias-primas e equipamentos que integraram a exposição deste ano.

    A CBC Indústrias Pesadas, subsidiária da Mitsubishi Heavy Industries, é um dos bons exemplos da retomada dos investimentos no setor. A empresa comemorava na exposição ter superado seus próprios recordes com a construção simultânea, na fábrica de Jundiaí, de três caldeiras de recuperação química para grandes indústrias do setor, e que foram finalizadas em período de 18 meses.

    Química e Derivados: Papel: Rodrigues - retomada de grandes projetos.

    Rodrigues – retomada de grandes projetos.

    Um dos projetos mais recentes e arrojados executados pela empresa foi para o grupo VCP, Votorantim Celulose e Papel, no site de Jacareí-SP, e resultou em novo parâmetro de operação, envolvendo 2.500 tss (toneladas de sólido seco) ao dia.

    Outros dois grandes projetos foram executados para a Ripasa e Lwarcel, elevando, respectivamente, as capacidades para 1.100 tss/dia e 700 tss/dia. “Os três projetos surgiram de encomendas feitas no início de 2001 e já estão todos em fase de start-up”, informou Rodolfo Rodrigues, gerente comercial e de marketing da empresa considerada a maior fabricante de bens de capital sob encomenda da América Latina.

    Segundo enfatizou, as novas tecnologias para a construção de caldeiras, executadas em aço carbono, em alturas superiores a 25 metros e envolvendo mais de 2.500 itens, entre componentes, matérias-primas e acessórios, oferecem prioridade à instalação de sistemas para controle ambiental, incluindo precipitadores eletrostáticos, capazes de captar os particulados gerados durante a queima do licor negro, líquido resultante do ataque da soda cáustica à lignina contida nos cavacos de madeira.

    A Kvaerner do Brasil, empresa do grupo norueguês Aker Kvaerner que desenvolve projetos recentes de modernização e reforma para grandes indústrias do setor, também apresentou resultados muito positivos na exposição.

    Com sede em Curitiba-PR e operando no País há três décadas, nas áreas de fibras, recuperação química e energética, evaporação, caustificação, plantas químicas e controle ambiental, a empresa promoveu novos patamares para a produção de celulose no Brasil.

    Um deles, realizado para a VCP, envolvendo linhas de cozimento e lavagem, resultou na expansão de 1.300 toneladas/dia para 3.200 toneladas/dia. Um segundo grande projeto, realizado para a Aracruz, envolveu todas as instâncias correlatas à E.P.C. (Engineering Procurement Construction), instalando-se um novo sistema de cozimento, lavagem e reforma de duas caldeiras de recuperação, que permitirá produzir 700 mil toneladas/ano de celulose branqueada.

    O maior empreendimento, porém, segundo assinalou o engenheiro Leonardo R.de Figueiredo, da divisão comercial Fiberline, envolveu a Ripasa onde a empresa deu consecução a vários projetos, como a reforma da caldeira de recuperação, instalando uma nova linha de celulose branqueada com capacidade para 800 toneladas/dia, além de um novo sistema de evaporação e reforma das máquinas de caustificação para recuperação do licor branco.

    Nacionalizações – Um dos pontos altos da exposição foi contar com a participação institucional de grandes lideranças mundiais em especialidades químicas, focadas no setor, e que aproveitaram a oportunidade para anunciar várias novidades tecnológicas, nacionalizações e novos acordos, envolvendo tanto investimentos em fábricas, como nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, evidenciando disposição para acompanhar a retomada do crescimento.

    Um dos benefícios para as indústrias do setor será decorrente dos investimentos da Degussa, que inaugurou no dia 13 de novembro, em Americana-SP, o maior empreendimento latino-americano voltado à produção de polímeros e dispersantes para aplicações em papel e celulose.


    Página 1 de 712345...Última »

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *