Papel e Celulose

16 de agosto de 2009

Papel e Celulose – Alta competitividade faz produto nacional ganhar espaço na crise

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Publicado por: Domingos Zaparolli
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    Química e Derivados, Papel e Celulose

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    m momentos críticos, como o atual, é comum ouvir que a crise é uma oportunidade. Muitas vezes, essa afirmação não parte da análise fria dos fatos, surge na boca de líderes empresariais com o objetivo de animar seus pares e incentivar seus comandados a ir à luta. Mas na indústria brasileira de celulose há fortes indícios de que, de fato, a crise global detonada no segundo semestre de 2008 possa gerar boas oportunidades para os produtores instalados no país conquistarem novos espaços no mercado internacional.

    Desde o início da crise, o consumo de celulose nos principais mercados da Europa e América do Norte caiu de 12% a 25%. Os preços da commodity também caíram. Em julho de 2008, a tonelada de celulose era comercializada na Europa por US$ 840,00. Em julho deste ano, a tonelada saiu por US$ 400,00. A queda nos valores, evidentemente, é ruim para todos os produtores. Mas é pior para quem é menos eficiente. Várias fábricas, principalmente no norte europeu e nos Estados Unidos, foram fechadas em definitivo nos últimos meses, retirando do mercado a oferta anual de mais de 5 milhões de toneladas de celulose. “A crise está varrendo do mercado linhas de produção obsoletas. Os fabricantes brasileiros são produtivos e bastante competitivos, estão sofrendo com a redução em suas margens de lucro, mas possuem o custo de produção mais baixo do mundo e podem sair da crise com uma participação no mercado internacional maior do que tinham antes”, diz Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).

    A produção brasileira de celulose chegou a 12,8 milhões de toneladas em 2008, após um crescimento de 6,7% em relação ao ano anterior. O total elevou o Brasil ao posto de quarto maior produtor mundial da commodity, ultrapassando tradicionais concorrentes, como a Suécia e a Finlândia, ambos com produções superiores a 12 milhões de t/ano. No ano passado, as exportações de celulose brasileira superaram 7 milhões de toneladas, gerando um faturamento de US$ 3,9 bilhões. Numa conta incluindo as exportações de papel, que somaram 1,98 milhão de toneladas, o setor gerou exportações de US$ 5,8 bilhões e um saldo comercial de US$ 4,1 bilhões, respondendo por 16% do saldo da balança comercial brasileira no ano.

    No primeiro trimestre de 2009, uma nova fábrica entrou em operação. A Votorantim Celulose e Papel (VCP) inaugurou uma unidade capaz de produzir 1,3 milhão de t/ano de celulose em Três Lagoas-MS, sendo que 20% da produção tem como destino o mercado interno, principalmente para abastecer a nova unidade de papel da International Paper, na mesma cidade, e os outros 80% da produção serão exportados.

    Mesmo com esse acréscimo de capacidade, a produção brasileira de celulose recuou 4% em volume e 17% em receita no primeiro semestre do ano, em relação ao mesmo período de 2008. Fato que demonstra o impacto da crise sobre o setor também no país. Na análise de Carvalhaes, porém, as fábricas brasileiras já estão recuperando o terreno perdido. Um fator importante dessa recuperação é o crescimento de 27% das vendas brasileiras para a China nos cinco primeiros meses do ano. A retomada das encomendas já anima produtores locais, que haviam realizado paradas voluntárias após o início da crise, a resgatar suas atividades. Um exemplo é a Bahia Pulp, que reativou uma linha com capacidade para 115 mil t/ano, que havia sido interrompida em novembro do ano passado. “Nossa expectativa em relação ao volume de produção em 2009 é de obter um empate técnico em relação aos resultados de 2008, o que seria uma ótima performance diante do cenário internacional. Mas, em receita, devemos ter uma queda; de quanto, ainda é prematuro para dizer”, afirma a presidente da Bracelpa.

    Química e Derivados, Destino das exportações brasileiras de celulose em 2008, Papel e Celulose

    Destino das exportações brasileiras de celulose em 2008. Clique para ampliar.


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