Tecnologia Ambiental

14 de agosto de 2002

P + L: Brasil assume compromisso com a produção mais limpa

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Programa do P+L, proposto pela ONU em 1989 e que visa racionalizar a produção industrial, começa a fincar raízes no Brasil com iniciativas de vários órgãos públicos e privados, como Senai, Cetesb, Fiesp e universidades de prestígio

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    uem deseja estar antenado com as práticas ambientais mais modernas adotadas pela indústria precisa esquecer o chamado controle do “fim-de-tubo”. Esse jargão, usado para nomear tecnologias de remediação e destinação de resíduos, efluentes ou emissões industriais, hoje soa como sinônimo de metodologia superada, de alto custo, e apenas aceita como forma de as companhias cumprirem suas obrigações legais. Para os especialistas, foi-se o tempo em que uma empresa podia se orgulhar de sua estação de tratamento de efluentes ou de gerenciar seus resíduos conforme o exigido por lei.

    Química e Derivados: PL: pl01. O abandono do conceito do fim-de-tubo deve anteceder à adoção de novo slogan: a “produção mais limpa”, também conhecida pela abreviatura P+L. Criada como proposta pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em 1989, essa expressão visa nomear o conjunto de medidas que tornam o processo produtivo mais racional, com uso inteligente e econômico de utilidades e matérias-primas e principalmente com mínima ou, se possível, nenhuma geração de contaminantes. De acordo seu texto original, a proposta do Pnuma sugere a “aplicação contínua de uma estratégia ambiental integrada e preventiva a processos, produtos e serviços, com a finalidade de aumentar a eficiência e reduzir os riscos aos seres humanos e ao meio ambiente.”

    Química e Derivados: PL: Tânia - programa ensina a enxergar o 'óbvio'.

    Tânia – programa ensina a enxergar o ‘óbvio’.

    A idéia do Pnuma veio de encontro a uma iniciativa anterior, dos EUA, onde alguns anos antes havia surgido o conceito do Prevention Pollution, ou P2, que pregava a redução dos poluentes na fonte de geração. Mas a denominação norte-americana era mais limitada em comparação ao P+L. Principalmente por não dar muita ênfase ao uso racional dos recursos, como energia ou água, da forma como o programa da ONU também veio chamar a atenção. Talvez por isso, e por se basear em conceito criado por uma organização multilateral, técnicas e programas de produção mais limpa tenham se desenvolvido de forma mais efetiva por todo o mundo, inclusive no Brasil.

    Entenda-se por técnicas de P+L não um conjunto de práticas ou códigos preestabelecidos, como em muitos sistemas de gerenciamento. O diferencial do programa é não ser muito burocrático e linear.

    “O P+L ensina e provoca os envolvidos na produção a enxergarem o óbvio, o que não é tão simples como se imagina”, explica a gerente do departamento de desenvolvimento e capacitação tecnológica da Cetesb, Tânia Mara Gasi, também coordenadora da recém-formada Mesa Redonda Paulista de Produção Mais Limpa. “Além de sugerirem modificações, com conhecimento próprio, os consultores de P+L instigam toda a fábrica a pensar em alternativas mais inteligentes e econômicas de produzir”, completa Tânia.

    Em comum, a adoção desses programas tem o prévio levantamento de dados importantes da fábrica, onde possivelmente serão desenvolvidas melhorias. Deve-se tomar conhecimento nessa fase, por exemplo, do total consumido de água, energia, da carga orgânica dos efluentes e das possibilidades de substituição de matéria-prima ou reaproveitamento de resíduos. Por incrível que pareça, até essa fase preliminar é um “óbvio” que as empresas não costumam saber. “A maioria dos produtores não tem o cuidado de ter seus próprios indicadores ambientais, o que é fundamental quando se pensa em ter metas de economia”, explica a gerente da Cetesb.

    Quando obtêm os principais indicadores, os consultores começam a questionar os responsáveis pela produção, tanto os de nível gerencial como os de chão de fábrica. Nesse caso, nem é necessário o consultor entender do processo. Sua função se limita a fazer a indústria trabalhar por si mesma, descobrindo novos caminhos. Outra função é desencadear na empresa esse conceito, integrando todos os níveis hierárquicos e operacionais, ou seja, do diretor ao operário e do estoque ao setor produtivo e administrativo.

    Química e Derivados: PL: pl02.Prática brasileira – As experiências brasileiras já adotadas nesse campo, sobretudo no Rio Grande do Sul e em São Paulo, comprovam que o P+L tem-se tornado uma constante preocupação do setor industrial e, melhor ainda, com resultados bastante satisfatórios quando sua metodologia se transfere para a prática. Esses dois estados pioneiros estão criando redes de propagação dos programas e devagar começam a colecionar vários casos de sucesso, motivando inclusive outras iniciativas pelo País, como na Bahia, cuja universidade federal já possui departamento específico para desenvolver o tema (ver a seguir, na pág. 48).

    Embora o conceito já existisse desde 1989 no mundo, o início da preocupação com produção mais limpa no Brasil se deu apenas na metade da década de 90. Foi mais exatamente em 1995, quando a Cetesb, em São Paulo, começou a organizar uma divisão de prevenção à poluição, que um ano depois seria de fato implementada para dar origem a vários projetos, e também quando foi inaugurado em Porto Alegre-RS o Centro Nacional de Tecnologias Limpas (CNTL).

    A criação do CNTL, que desde então funciona no Senai-RS, tem especial importância por ter sido instalado pelo próprio Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em parceria com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido). Essa iniciativa dos órgãos da ONU fez o Brasil ser um dos 22 países a ter escritório semelhante, cujo propósito é o de prestar consultoria para estimular sistemas de gerenciamento ambiental e de implantanção de programas de P+L.


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