Cosméticos

31 de agosto de 2004

Óleos: Óleos amazônicos conquistam o mundo

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Publicado por: Hamilton Almeida
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    Indústria oleoquímica trabalha a todo vapor para atender interesse mundial por essências da floresta brasileira

    Química e Derivados: Óleos: oleo_abre. ©QDA irresistível tendência dos mercados cosmético e farmacêutico de utilizar matérias-primas de origem natural, especialmente vegetal, está desenvolvendo aceleradamente a produção de óleos amazônicos. Sementes de andiroba e cupuaçu e polpa de murumuru e buriti estão, por exemplo, gerando renda para comunidades nativas e alimentando indústrias nacionais e multinacionais que apostam no filão natural. Por enquanto, a maior demanda parece ser do exterior.

    O negócio dos óleos amazônicos é novo, relativamente pequeno, mas suficiente para despertar o interesse de quatro empresas: Beraca, Chemyunion, Cognis e Croda. Como quem cuida de um tesouro recém-descoberto, as empresas coincidentemente não revelam certos números das operações e afirmam se preocupar com a preservação do meio ambiente.

    A Beraca Ingredients, empresa 100% nacional, é pioneira nesse ramo. Já em 1995 começou a produzir óleos amazônicos e, em 2003, adquiriu a Brasmazon – Indústria de Oleoginosas e Produtos da Amazônia, empresa com 26 funcionários que faz o processamento do óleo cru na cidade de Ananindeua, no Pará. O refino dos óleos cabe à unidade de Santa Bárbara d’ Oeste, no Estado de São Paulo.

    A logística da operação é complexa e exige a utilização de barcos. Cerca de 2.800 famílias estão engajadas no programa de coleta de sementes. A operação se estende por cinco Estados: o maior volume é obtido no Pará (a Ilha de Marajó é ponto de referência), mas compreende também o Amazonas, Acre, Rondônia e Amapá. A empresa ensina os seus fornecedores a colher e a ensacar as sementes. “Eles devem colher só as sementes que caem das árvores. Ensinamos os cuidados para manter a árvore em pé”, relata a diretora técnica, Maria Inês Bloise.

    Após vários anos de pesquisas e desenvolvimento, a Brasmazon conseguiu apresentar mais de 200 espécies que podem ser utilizadas para diversos fins industriais. De acordo com o site da empresa, é a “maior indústria de matérias-primas da Amazônia.”

    Segundo Maria Inês, a Beraca prepara nove tipos de óleos, com urucum, andiroba, castanha-do-pará, copaíba, cupuaçu, maracujá, ucuuba, murumuru e buriti. Ela conta que o negócio surgiu porque se detectou que o mercado internacional estava receptivo a esses produtos naturais. Maior escala de produção é dedicada aos óleos de andiroba, copaíba, cupuaçu e castanha-do- pará. “Atualmente, exportamos 70% da produção para indústrias farmacêuticas e de cosméticos de 47 países”, relata. Os clientes estão espalhados pela Europa, Estados Unidos, Ásia, Austrália e América Latina. “A demanda é crescente, significativa”, afirma a diretora, sem entrar em detalhes. Os produtos são comercializados com apresentações em pó, gel ou óleo.

    Química e Derivados: Óleos: Gonçalves exporta a13 países e usa fornecimento sustentando. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Gonçalves exporta a13 países e usa fornecimento sustentando.

    Ingleses investem – A inglesa Croda, tradicional fabricante de especialidades químicas, que fatura 300 milhões de libras esterlinas/ano em 32 países (cerca de US$ 20 milhões anuais são gerados no Brasil) e possui 3 mil funcionários em todo o mundo, criou a Crodamazon, em 2001 em Manaus, e já produz óleos de andiroba, babaçu, buriti, castanha-do-pará, cupuaçu, maracujá, murumuru e pequi. Esta unidade esmaga os frutos e fabrica óleos exóticos empregando seis funcionários. A pesquisa de características e usos dos óleos é feita em Campinas, na unidade da Croda do Brasil. O Brasil, aliás, possui um dos cinco centros de pesquisa e desenvolvimento do grupo. Os outros estão instalados na Inglaterra, Estados Unidos, França e Japão. “Este negócio ainda está em construção

    Fazemos uma aposta a longo prazo. Não há dados de mercado e nem estudos sobre potencial”, resguarda-se Sérgio Gonçalves, gerente de marketing institucional da Croda do Brasil. Ele admite que é boa a aceitação das novas matérias-primas, mas “ainda vai levar tempo para o mercado atingir o ponto de maturação.” A busca do consumo de matérias-primas naturais é um fato e a política empresarial para o meio ambiente é bem vista pelo público. Mas o que estimula mesmo a demanda são as vantagens técnicas, a comprovação de eficácia das matérias-primas.

    Segundo Gonçalves, a empresa faz um grande esforço para desenvolver novos mercados de consumo. O trabalho dá resultados: desde 2002, a Crodamazon exporta para 13 países. Europa, Estados Unidos e América Central já transformam os óleos amazônicos em produtos cosméticos e farmacêuticos.

    Consciente da importância da responsabilidade social, a empresa dá prioridade de compra às comunidades que utilizam seus recursos de forma sustentada. Só as comunidades cadastradas tornam-se fornecedoras. Atualmente, estão envolvidas no projeto 19 famílias da comunidade de Presidente Figueiredo, situada a 200 quilômetros de Manaus. A empresa orienta o manejo e presta assistência tecnológica e ambiental. Conscientiza a população para que 30% dos frutos não sejam colhidos, mantendo, assim, os frutos na alimentação das pessoas e dos animais da região.

    Assim como no caso da Beraca, este é um exemplo de atividade ecologicamente correta, de desenvolvimento sustentado. A cadeia de custódia da Croda está em processo de certificação. A viabilidade econômica das matérias-primas garante, por outro lado, a melhoria da qualidade de vida de contingentes da população local. Até há alguns anos, os frutos exóticos só tinham uso cativo.


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