Química

16 de dezembro de 2009

Oleoquímica – Grupo Bertin e Carbono combinam esforços

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    distribuidora Carbono Química e sua subsidiária Carbono Engenharia firmaram uma aliança estratégica com a Bracol, holding formada pelos acionistas do grupo Bertin para o desenvolvimento de negócios oleoquímicos no Brasil. A ideia é unir o conhecimento em produção e na comercialização de produtos químicos com o amplo acesso a matérias-primas graxas de origem animal e vegetal.

    A aliança inclui o aproveitamento das instalações da antiga Braswey, em Pirapozinho-SP, adquiridas pela Bracol, há alguns anos, que as utiliza para alguns processos oleoquímicos por meio de cisão, hidrogenação e destilação. A Carbono investirá em equipamentos complementares para produzir de 30 a 40 toneladas mensais de ácidos diméricos, em quatro tipos básicos.

    Química e Derivados, Rodrigo Gabriel, Diretor de desenvolvimento da Carbono, Oleoquímica

    Rodrigo Gabriel: projeto não dependerá de uma única matéria-prima graxa

    “Os diméricos serão os primeiros produtos da aliança com a Bracol, mas virão outros”, comentou Rodrigo Gabriel, diretor de desenvolvimento da Carbono. Partindo de sebo bovino e/ou óleos vegetais, pretende-se produzir os dímeros dos ácidos oléico e esteárico mediante um processo catalisado por complexos metálicos sobre zeólitas. A tecnologia desenvolvida pela Carbono permite controlar a participação relativa desses ácidos graxos, obtendo diferentes produtos fi nais.

    “O catalisador tem por base um produto conhecido, mas que passou por modificações específicas”, explicou Hugo Wizenberg, responsável tecnológico pela Carbono Engenharia. O controle do processo para a obtenção dos tipos desejados de ácidos diméricos motivou um pedido de privilégio de patente pela companhia.

    A escolha dos diméricos para iniciar a operação comercial oleoquímica se justifica pelo fato de não mais haver produção local. As principais aplicações estão na produção de adesivos, tintas e lubrificantes e exigem importações da ordem de 250 t/mês. A Malásia é um grande produtor, usando óleo de palma, mas direciona sua produção para a indústria de alimentos. Não se descarta a hipótese de exportar parte da produção.

    “Nós não queremos bagunçar o mercado, mas nos firmarmos como fornecedores de produtos de alta qualidade”, afirmou Washington Yamaga, diretor de novos negócios da Carbono. Tendo o dimérico em mãos, a empresa pretende reagi-los com as aminas de que dispõe em seu portfólio para obter poliamidas destinadas à cura da resina epóxi, obtendo alta transparência. As parceiras estão formando estoque para pré-marketing do dimérico, que começará a ser negociado a partir de janeiro de 2010 para clientes preferenciais, interessados em produtos de qualidade superior e relacionamentos estáveis.

    A estrutura desse negócio oleoquímico é aberta o sufi ciente para acomodar outras ramificações. É possível fracionar os ácidos graxos, obtendo o ácido isoesteárico. Segundo Yamaga, esse produto é considerado um secante “verde” que substitui com vantagens os materiais de origem petroquímica na produção de esmaltes sintéticos. Do ácido pode ser fabricado o álcool isoestearílico, um forte concorrente do álcool cetoestearílico. “Podemos também fazer trímeros com outros ácidos graxos”, comentou Gabriel.

    Para a Carbono, a negociação com a Bracol, além de representar a garantia de suprimento para oleoquímicos, representa um passo largo na estratégia de diversificação de atividades com agregação de valor empreendida pela distribuidora química. A meta atual é atingir o faturamento anual de R$ 185 milhões. Formalmente, a associação é um projeto específico de partilha de custos e lucros entre os dois grupos.

    Agregação de valor – A associação entre a Bracol e a Carbono representa uma nova visão sobre produtos e caminhos tecnológicos existentes, como avaliou o diretor de novos negócios da Bracol, Luís Eduardo Ravaglia. “Conseguimos juntar todos os elementos da cadeia de valor para criar uma visão sistêmica e de longo prazo”, afirmou.

    A Bracol tem acesso a uma grande quantidade de sebo bovino pela sua ligação direta com o frigorífico Bertin, um dos maiores exportadores de carne do país. Atualmente, o Bertin está em processo de fusão com o JBS, o maior player no ramo de carne bovina do mundo, também dono do grupo internacional Swift. Somadas as unidades de abate dos dois gigantes, a oferta local de sebo pode chegar a 1.600 toneladas/dia.

    “Atualmente, o Bertin compra sebo no mercado para suprir suas atividades produtivas a jusante”, explicou Ravaglia, referindo-se à saboaria e à produção de biodiesel. Se houver a fusão, haverá disponibilidade de sebo dentro do grupo para suprir novos projetos químicos.

    Química e Derivados, Luís Eduardo Ravaglia, Diretor de novos negócios da Bracol, Oleoquímica

    Luís Eduardo Ravaglia: árvore de produtos pode crescer para acompanhar a

    A intenção dos parceiros, porém, prevê o uso de combinado de óleos vegetais para a produção oleoquímica, incluindo o de soja, amendoim, girassol e algodão. “A Bracol tem acesso a óleos de vários tipos para a produção de biodiesel e pode usá-los para produzir produtos de maior valor agregado”, afirmou Ravaglia. “Pretendemos usar um feedstock universal, sem depender de uma única matéria-prima”, concordou Gabriel.

    A glicerina obtida na usina de biodiesel e nos processos químicos existentes na Bracol já é absorvida por outros negócios e, em princípio, não integrará os projetos da associação. “Caso em algum momento essa glicerina possa ser usada na obtenção de itens mais nobres, poderemos pensar”, disse Ravaglia. Ele se entusiasma com o leque de possibilidades que a oleoquímica proporciona. “Dependendo das necessidades de mercado, podemos estender mais a árvore de produtos”, salientou.

    Os ácidos diméricos obtidos pelo processo da Carbono apresentam coloração muito clara, diferenciando se dos tipos mais comuns de mercado. “Eles costumam usar a borra de soja para matéria-prima, um caminho mais complexo, que gera mais resíduos e resulta em um produto mais escuro e de cheiro forte”, comentou Wizenberg.



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