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8 de dezembro de 2014

Oleoquímica: Faltam materiais graxos no país para desenvolver produção competitiva

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Incentivos oficiais podem garantir suprimento futuro dos óleos de palma e palmiste

    Incentivos oficiais podem garantir suprimento futuro dos óleos de palma e palmiste

    Embora seja um dos maiores produtores de plantas oleaginosas e de sebo animal do mundo, o Brasil tem dificuldades para expandir sua produção oleoquímica. E, dependendo da espécie vegetal, verifica-se uma retração da oferta local, ainda que o uso de derivados de fontes naturais renováveis em substituição aos sintéticos – derivados do petróleo – esteja cada vez mais disseminado e prestigiado em todo o planeta, com forte apelo ambiental.

    A industrialização local de sebo e óleos vegetais paga o preço dos erros de política cambial e da condução macroeconômica cometidos nos últimos doze anos. O incentivo ao consumo de bens pela população foi estimulado e anabolizado pela oferta de crédito barato, porém esses incentivos não chegaram ao setor industrial. Para evitar aumentos de preços, o real foi mantido valorizado por anos a fio, compondo um quadro risonho para importações de intermediários e produtos finais, a ponto de destroçar a produção nacional.

    Ao mesmo tempo, os custos de produção subiram, desde a origem da cadeia produtiva, ainda nas fazendas, em especial no tocante à mão-de-obra. No caso da mamona, uma barbeiragem da Petrobras, incentivada pelo governo federal em 2010, minou a oferta dessa oleaginosa para a indústria química, direcionando-a para a fabricação de biodiesel, porém a um custo estratosférico, além de encontrar limitações técnicas. O estrago estava feito, e as importações de óleo de mamona e seus derivados da Índia dispararam, assim como a compra de bagas colhidas no Paraguai.

    Há boas notícias no setor. A Oxiteno instalou, em 2009, e opera a única fracionadora de óleos vegetais de grande porte da América Latina, unidade que abastece a própria empresa com os ácidos graxos necessários à produção de álcoois graxos, estes muito requisitados para a fabricação de produtos de limpeza, solventes e cosméticos. Os álcoois, produzidos pela sequência de esterificação e hidrogenação, substituem os similares sintéticos. Essa fábrica, instalada em Camaçari-BA, processa óleo de palmiste (PKO), em sua maior parte importado do Sudeste Asiático.

    Química e Derivados, Aboissa: avanço do biodiesel depende da produção da palma

    Aboissa: avanço do biodiesel depende da produção da palma

    Atento ao uso crescente de derivados do ácido láurico, insumo típico do óleo de palmiste, o governo brasileiro começou, em 2010, a incentivar – mediante o Programa de Produção Sustentável de Óleo de Palma no Brasil – o plantio em larga escala da palma (ou dendê) em uma faixa de terra que se estende de Belém-PA a Manaus-AM. “É a área mais adequada do mundo para essa planta e foram identificados 31 milhões de hectares de terras degradadas, mas aptas para o cultivo, isso equivale à área cultivada de onze Malásias”, comentou Munir Aboissa, trader e consultor da área de óleos e gorduras. Ele citou a existência de benefícios oficiais e a atração de grandes players – a Vale e a ADM, por exemplo, estão na lista – interessados nessa produção.

    O esforço é justificado: atualmente o Brasil importa quase o dobro da quantidade de óleo de palma e palmiste que produz. A Indonésia é o maior produtor mundial, seguido pela Malásia, esta detentora de ampla produção oleoquímica. “Somando a produção das duas, chega-se a 93% da oferta de óleo de palma do mundo”, comentou Aboissa.

    Ele explicou que a produção nacional de óleo de soja, próxima de 8 milhões de t/ano, das quais a metade tem uso alimentício e o restante é dividido entre biodiesel e oleoquímica, é insuficiente para os planos oficiais de adotar em escala nacional a mistura B-10 (diesel com 10% de biodiesel) e, assim, reduzir a importação desse derivado de petróleo. “Isso comprometeria a oferta de óleos vegetais no país”, alertou. Daí a opção pela palma, cuja produção de óleo por hectare chega a 4 mil kg (em plantações com dez anos, em cultivos acima de 15 anos, pode-se chegar a 6 mil kg/ha/ano), o dobro da obtida com a soja.

    Caso venha a ser bem conduzido o projeto, ele representará uma oferta adicional de óleos de palma e de palmiste com possível aproveitamento pela oleoquímica local. O óleo de palma é extraído do mesocarpo do fruto, enquanto o palmiste é obtido pelo esmagamento da amêndoa (endocarpo). O PKO é muito requisitado por conter grande concentração de ácidos láurico (C12, tipicamente, 50%) e mirístico (C14, 15%), além de apresentar uma ampla distribuição de cadeias de caprílico (C8, 4%), cáprico (C10, 5%), palmítico (C16, 7%) e oleico (C18 com uma insaturação, 15%). O óleo de palma, por sua vez, é rico em palmítico (42%) e oleico (41%), com a presença notável de linoleico (C18, com duas insaturações, 10%).


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      Um Comentário


      1. john eric

        Muito boa a matéria feita por vocês eu gostaria de se teria como me fornecer as referências utilizadas por vocês, pois estou desenvolvendo pesquisas na area de obtenção de ácidos graxos.



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