Petróleo & Energia

31 de janeiro de 2014

Óleo & Gás: Novos sistemas tratam água oriunda da extração do petróleo

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Química e Derivados, Óleo & Gás: Novos sistemas tratam água oriunda da extração do petróleo

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    om a promessa de ser a salvação futura do mercado industrial brasileiro, sobretudo fornecedores de bens de capital e EPCistas, a exploração e produção de petróleo, principalmente a offshore, cria muita expectativa entre fornecedores de sistemas para tratamento de água e efluentes. Um caso específico, que desperta o interesse de vários grandes grupos já atuantes no país e de outros com ofertas iniciais, é o de tratamento de água produzida de petróleo, o efluente resultante da extração dos poços.

    Trata-se na verdade de um dos principais problemas ambientais da atividade petrolífera, para o qual é preciso criar soluções na produção offshore, onshore e em terminais para remover os vários contaminantes que vêm junto com a água contida no petróleo. Os residuais mais importantes de ser eliminados são os particulados (sólidos suspensos) e o teor de óleos e graxas, mas com eles também há a presença de orgânicos insolúveis e solúveis, produtos químicos oriundos da água de injeção (biocidas, inibidores de incrustação e sequestrantes de cloro e oxigênio), alta salinidade e até mesmo compostos radioativos.

    Os hidrocarbonetos na água produzida merecem o foco maior de atenção, pois são de difícil remoção, em razão da sua estabilidade ao calor e à luz e da sua não biodegradabilidade. Isso ocorre mesmo quando estão em teores baixos. Em todas as ocasiões, essas suas características dificultam a ação do oxidante natural do ar atmosférico.

    A separação de óleo e água visa a adequar a água para o descarte, único parâmetro atualmente regulamentado, que em alto-mar é de 27 ppm de óleo. Várias tecnologias podem ser utilizadas, muitas estão sendo estudadas, mas ultimamente a Petrobras emprega filtros de cascas de nozes precedidos de hidrociclones para remoção dos particulados. A tendência é de melhorias no processo, por causa do aumento da fiscalização dos órgãos ambientais e porque mesmo depois do tratamento permanecem gotículas de óleo na água.

    Natural e artificial – Além de ser fruto da água de injeção – atualmente tratada com membranas de nanofiltração para remoção de sulfatos (ver QD-524, agosto de 2012) e com a adição de produtos químicos, que visam a aumentar a pressão de extração dos poços –, a água produzida também tem origem natural. Isso porque o óleo na profundidade do mar está em contato com a água por períodos extensos e suficientes para solubilizar orgânicos.

    E isso tende a aumentar com o tempo de existência e a diminuição de óleo e gás nos poços, já que a água começa a se encontrar em maior quantidade.

    Hoje, parte da água produzida é tratada e reaproveitada na injeção nos poços, por isso a tendência é de melhora no tratamento; e a outra parte é descartada. As duas destinações colaboraram para o uso de melhores tecnologias, tanto para preparar a água para o novo tratamento com membranas de nanofiltração como para diminuir os impactos no meio ambiente.

    HRT – Além dos tratamentos hoje mais empregados, como os hidrociclones e os filtros de cascas de nozes, há várias outras alternativas para a água produzida. No momento, por exemplo, a norte-americana Pentair Filtration and Process, com filial em Jundiaí-SP, acabou de se qualificar para fornecer para a Petrobras um novo sistema denominado HRT (Hydrocarbon Recovery Technology), que reúne duas unidades de filtragem: a primeira, com filtros de cartuchos especiais para separação de sólidos particulados; e a segunda, um filtro coalescente.

    Química e Derivados, Cassiana homologou sistema com filtro cartucho e coalescente

    Cassiana homologou sistema com filtro cartucho e coalescente

    De acordo com a gerente de vendas da Pentair, Cassiana Marocci, o sistema segue essa rota porque a remoção de óleo por coalescência não aceita particulados. “O filtro de cartucho reduz em 99,98% o teor de particulados”, disse. Funcionando em série, a água tratada previamente segue para o filtro coalescente, onde o nível de óleos e graxas cai para 5 ppm. “É muito abaixo do exigido para a Petrobras, de cerca de 27 ppm”, complementou.

    Segundo a gerente, o sistema está homologado para a Petrobras com CRCC e pela Onip com Cadfor (cadastro para EPCistas). E já há uma planta piloto com vazão de 5 gpm/min pronta em Macaé-RJ para testes em plataformas offshore da estatal, revelou Cassiana. De acordo com ela, o equipamento é muito versátil e começou a ser utilizado nas refinarias, para unidades de amina. “A empresa viu com o passar dos anos que ele poderia ser utilizado no upstream, tanto offshore como onshore. E também em qualquer outro tipo de tratamento de efluente com água oleosa”, disse. Isso vale para planta química ou petroquímica.

    Apesar da versatilidade, o plano da Pentair foi começar a sua divulgação no Brasil no mercado offshore. Nos Estados Unidos, uma aplicação em que ele está ganhando muita força é para tratamento de água produzida da exploração de shale gas. Até por conta disso, a Pentair realiza um trabalho de divulgação na Argentina para o mesmo uso, uma vez que o país vizinho já mapeou sua reserva de óleo de xisto e deve começar a entrar nesse mercado em breve.


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