Química

18 de agosto de 2010

Número 500 – Edições registram os avanços da indústria química

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Publicado por: Jose P. Sant Anna
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    orria o ano de 1965. Victor Civita, presidente da Editora Abril, famosa pelo sucesso das “revistinhas” Pato Donald e Mickey, diversificava os produtos de sua empresa. Em paralelo ao lançamento de títulos até hoje em ótima posição no mercado, como Claudia e Quatro Rodas, ele revelava entusiasmo por veículos segmentados. Por isso, havia criado o Grupo Técnico. Os primeiros títulos lançados pela divisão foram Transporte Moderno e Máquinas & Metais.

    Um terceiro fruto chegou ao mercado em agosto daquele ano. Era uma revista com nome para lá de estranho para os leitores acostumados com os gibis da editora: Química & Derivados. Uma frase presente no editorial do número zero, assinado por Civita, resumia a intenção do produto: “Todas as suas páginas têm um só objetivo: servir ao leitor.” Em novembro entrava no mercado o número um da publicação.

    Este mês, Química & Derivados chega à sua edição de número 500. Ela permaneceu sob o comando da Abril até 1976, quando passou a ser produzida pela Editora QD. Ao longo dessas quatro décadas e meia, milhares de entrevistas se realizaram. Jornalistas permaneceram durante incontáveis horas na frente de seus teclados, sejam eles das antigas máquinas de escrever ou de computadores. Tudo em nome da produção de textos de qualidade sobre todos os segmentos de mercado ligados ao setor.

    A preocupação em diversificar os temas ficou clara desde a capa do número zero. Ela destacava três matérias: as características principais dos corantes disponíveis para a indústria têxtil; os cuidados necessários para a operação de injeção de plásticos; e os modelos de misturadores oferecidos pelo mercado na época. De lá para cá, a revista tem noticiado os fatos relevantes das empresas envolvidas nessa indústria, como as de petróleo e petroquímica, caldeiraria, tintas, cosméticos, fertilizantes, óleos e sabões e papéis e celulose, entre outras.

    Alguns temas, na década de sessenta inimagináveis mesmo para os visionários da ciência e tecnologia da época, ganharam espaço em suas páginas com o passar do tempo. Podemos falar, por exemplo, dos biocombustíveis, da nanotecnologia ou da descoberta das reservas de petróleo nas camadas do pré-sal. Aspectos de relevância social, como saúde, segurança e meio ambiente, passaram a ser pré-requisitos da atividade química. Da mesma forma, ganharam espaço reportagens ligadas à qualidade de produtos e processos. Tecnologia à parte, a revista acompanha de perto as dificuldades vividas pelos representantes do comércio de produtos químicos, atormentados pela instabilidade da economia brasileira nas últimas décadas.

    Enciclopédia – A formação da primeira equipe da Química & Derivados começou de forma prosaica. Um anúncio publicado em um domingo de 1965 entre os classificados de emprego no jornal O Estado de S. Paulo oferecia vaga a um engenheiro químico afeito aos segredos do jornalismo. Os interessados deviam mandar cartas manuscritas, revelando suas experiências pessoais e o salário requerido.

    Entre os pretendentes, um candidato de nome pouco comum. Telésforo Gnudi era formado em engenharia na Escola Politécnica da USP e em jornalismo pela Fundação Cásper Líbero. Contava com passagem em várias indústrias e talento na elaboração de textos comprovado pela qualidade das apostilas que escreveu para os cursos da Politécnica, onde exerceu o cargo de professor. Difícil achar alguém melhor preparado para a função. O cargo era o de diretor de redação.

    Os primeiros números apresentaram artigos sobre dados técnicos de produção ausentes nos manuais da época. O objetivo era publicar uma espécie de enciclopédia de química em língua portuguesa, com qualidade capaz de competir com as similares de língua inglesa, alemã e espanhola. A revista obteve excelente receptividade por parte da indústria nacional e chegou a fazer sucesso além das fronteiras. Suas edições foram solicitadas pela biblioteca de Nova York.

    No segundo semestre de 1966, Gnudi ficou sabendo da facilidade dada aos engenheiros químicos interessados em obter visto para trabalhar nos Estados Unidos. O país do Tio Sam estava à procura de talentos da área. O fato gerou no diretor de redação a vontade de mudar de ares. O desejo foi insuflado por um boato. Diziam que o governo militar iria proibir a saída do Brasil de profissionais diplomados a partir de janeiro de 1967. A proibição não veio, mas no dia 31 de dezembro de 1966 Gnudi deixava o Brasil com destino à América do Norte. A redação da revista começou o ano de 1967 com novo comando.

    De leitor a editor – O novo comandante da redação era leitor e pequeno anunciante da revista. Sua contratação se deu de forma curiosa. Formado em Química pela USP, Mário Ernesto Humberg era proprietário de uma pequena indústria química localizada na Zona Leste de São Paulo, fabricante de estabilizantes de PVC e de sais de flúor. A economia brasileira vivia período de recessão, motivada pela tentativa do governo federal de combater a inflação. Na época, ele via com tristeza a aparição constante do nome de seus clientes em notícias de falências e concordatas.

    Humberg era leitor da Química & Derivados desde o número inicial. Na época, recebeu algumas visitas de Ebert Unger Ramos, diretor-comercial da publicação, cuja missão era convencê-lo a anunciar. As dificuldades geradas pela crise convenceram o empresário a arriscar. Mesmo em dificuldades financeiras, assinou a autorização para três veiculações publicitárias do menor tamanho possível. Dessa forma, de leitor passou a anunciante.


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