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4 de junho de 2014

Notícias: Reino Unido mostra avanços em smart grids

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    O Brasil precisa ampliar sua rede inteligente de transmissão e distribuição de eletricidade, os chamados smart grids. Os esforços para tanto se intensificaram a partir de 2010, mas ainda estão muito distantes de alcançar uma fatia considerável dos consumidores residenciais, mesmo nas grandes cidades.

    O governo do Reino Unido (UK) patrocinou missões comerciais para divulgar sua experiência recente na adoção dos smart grids e oferecer ao Brasil produtos e tecnologia para apoiar o crescimento do uso desses sistemas. No dia 20 de março, o UK Trade & Investment (UKTI), representação comercial britânica, promoveu uma conferência sobre redes inteligentes, com a participação de empresários e especialistas britânicos e brasileiros, além de representantes de entidades oficiais.

    Química e Derivados, Doddrell: até 2050, toda a energia do Reino Unido terá fonte renovável

    Doddrell: até 2050, toda a energia do Reino Unido terá fonte renovável

    “O Brasil ainda incentiva pouco a geração elétrica distribuída domiciliar, que aproveita muito o sistema de medição inteligente e bidirecional”, comentou o cônsul-geral do Reino Unido em São Paulo, John Doddrell, também diretor do UKTI no Brasil. A regulamentação brasileira atual já admite a colocação na rede da energia gerada pelos consumidores residenciais, mas o valor recebido abate a despesa mensal de eletricidade, sendo o excedente remunerado no prazo de 36 meses. Segundo Doddrell, na Inglaterra o pagamento pela energia colocada na rede de distribuição é remunerado na conta subsequente – o modelo inglês prevê contas trimestrais. “Os medidores modernos também facilitam a medição de energia por faixas de horários, com preços diferenciados, atenuando os picos de consumo”, afirmou.

    Doddrell salientou que a preocupação do Reino Unido em usar mais as fontes renováveis de energia é relativamente recente, iniciada em 2009, quando se estabeleceu a meta de contar com suprimento majoritário de energia renovável na matriz regional a partir de 2020, tonando-se uma economia de baixo carbono. “Atualmente, o carvão e o gás natural ainda suprem três quartos da energia do Reino Unido”, informou o cônsul. Até 2050, toda a eletricidade do Reino Unido será obtida de fontes renováveis, permitindo reduzir as emissões de gás carbônico em 80%.

    Dadas as suas condições geográficas, o Reino Unido incentiva sobremaneira a geração eólica, mediante parques geradores instalados em alto mar (offshore), sendo necessário superar muitas condições adversas. “Não é o caso do Brasil, que possui muitas áreas onshore aproveitáveis para isso, além de contar com outras opções de energia renovável”, comparou.

    Mesmo assim, as dificuldades para adotar os sistemas de transmissão e distribuição inteligente são igualmente notáveis, exigindo a criação de mecanismos oficiais de incentivos e de regulação. “A rede inteligente precisa integrar o sistema elétrico com um sistema de telecomunicações, e aqui começam os problemas”, comentou a gerente comercial para a área de energia elétrica e renováveis do UKTI, Adriana de Queiroz. O Reino Unido já superou essa etapa, com bons resultados. Segundo Adriana, o governo brasileiro está dividido sobre esse tema, cujos encontros setoriais não costumam contar com a participação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), dificultando o diálogo.

    Além disso, os aspectos regulatórios ainda complicam a vida dos usuários. “O Inmetro [Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia] só reconheceu oficialmente os medidores inteligentes unidirecionais, muito limitados, incapazes de medir a energia gerada de forma distribuída e colocada na rede”, comentou Adriana. “O Reino Unido criou um fórum para discutir todos esses assuntos entre agentes públicos e privados, com sucesso”, relatou Doddrell.

    O cônsul-geral em São Paulo comentou que a segurança energética é um tema que aproxima brasileiros e britânicos. Até 2009, o sistema elétrico inglês era classificado como ultrapassado, com grandes perdas de energia e interrupções frequentes de suprimento. Uma situação muito parecida com a brasileira nos dias de hoje. “Há muitas vantagens econômicas na modernização do sistema elétrico, por exemplo, a capacidade de obter informações precisas sobre o padrão de consumo na rede e nos clientes, possibilitando reorientar o fornecimento de energia de forma compatível com a necessidade no momento”, salientou.

    Doddrell ressaltou que as empresas e órgãos oficiais do Reino Unido podem oferecer ao Brasil a sua experiência de coordenação de trabalhos entre diferentes agências regulatórias e de fomento, bem como na elaboração de padrões de qualidade e de planos de incentivos para pesquisa e desenvolvimento, além da formação de especialistas.

    O plano energético inglês pode ser considerado agressivo: até 2020 todos os medidores de eletricidade e gás para residências e pequenos comércios serão trocados por aparelhos inteligentes. Segundo Doddrell, isso significa trocar cerca de 50 milhões de medidores, mediante investimento estimado em R$ 55 bilhões.


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