Produtos Químicos e Especialidades

15 de abril de 2009

Negro-de-fumo – Queda de vendas e de preços força indústria a promover ajustes

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Publicado por: Domingos Zaparolli
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    Química e Derivados, Negro-de-fumo

    Petróleo barato puxou as cotações para baixo, enquanto o mercado interno reduziu a demanda em 30%

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    exemplo do que ocorre em empresas de quase todos os segmentos econômicos, a indústria brasileira de negro-de-fumo teve de assimilar uma grande redução de demanda após o estopim da crise mundial, em setembro de 2008. Desde então, relatam os fabricantes do insumo, o mercado brasileiro encolheu em mais de 30%. As apostas são de uma lenta retomada dos negócios, principalmente a partir do segundo semestre de 2009. Mas até a primeira quinzena de abril ainda não estava claro de quanto seria essa recuperação e nem mesmo se ela de fato ocorreria ainda neste ano. Outro fator de preocupação: o negro-de-fumo é obtido da combustão controlada de resíduos do refino de petróleo, cujo preço despencou no período, gerando uma onda de renegociação, para baixo, dos preços internacionais do negro-de-fumo. Com menor escala de produção e menor preço, a margem de lucro dos fabricantes de negro-de-fumo também tombou. O momento é de reestruturação dos negócios.

    Os três principais fabricantes mundiais de negro-de-fumo contam com unidades de produção no Brasil. A maior operação no país é a da norte-americana Columbian Chemicals, que possui uma planta em Cubatão-SP, com capacidade de produção de 200 mil toneladas anuais, e outra em Camaçari-BA, inaugurada em agosto de 2007, capaz de gerar 75 mil toneladas anuais, voltada principalmente para atender o mercado do Nordeste, mais especificamente o baiano, no qual se concentram grandes produtores de pneus. Outro player é a alemã Evonik que, também em 2007, ampliou sua capacidade de produção em Paulínia-SP de 55 mil para 100 mil toneladas anuais. A terceira empresa é a norte-americana Cabot, que possui fábrica em Mauá-SP, mas prefere divulgar sua capacidade produtiva na América do Sul, onde possui fábricas também na Argentina e na Colômbia. No total, a capacidade produtiva da Cabot na região soma 240 mil toneladas por ano.

    Química e Derivados, José Carlos Dreux, Vice-presidente de vendas e logística da Columbian, Negro-de-fumo

    José Carlos Dreux: cenário exige cortar os custos sem afetar a qualidade

    Os três fabricantes divergem ao dimensionar o tamanho do mercado brasileiro antes da crise. José Carlos Dreux, vice-presidente de vendas e logística da Columbian, relata que o mercado nacional passou por uma alta expressiva, de 6% a 7% ao ano, nos últimos cinco anos, chegando a um mercado anualizado, antes da crise, de 400 mil toneladas em 2008. Já Thomas Ochs, diretor da Evonik, avalia o mercado brasileiro, antes da crise, em 350 mil t/ano, enquanto Léa Sgai, gerente de marketing e serviços técnicos da Cabot Latin America, estima em 325 mil t/ano. As exportações brasileiras são pouco representativas, somando aproximadamente 10 mil t/ano. Em relação ao destino da produção no Brasil, não há muita divergência. A maior parcela, 80% do total fabricado, se destina à indústria de pneus. O negro-de-fumo é usado como agente reforçante e responde por 25% do peso do pneu. Outros 15% da produção de negro-de-fumo são destinados ao mercado de artefatos de borracha. Os demais 5% da produção são consumidos, na ordem de relevância de mercado em volume, pela indústria do plástico, por fabricantes de tintas de impressão, tintas automotivas e tintas decorativas.

    Léa Sgai informa que a Cabot estima em 3.200 toneladas anuais o mercado de negro-de-fumo nos segmentos de tintas e tintas gráficas. Na composição de uma tinta, o negro-de-fumo tem função de pigmento. Não apenas para se obter a cor negra e cinza, mas também para formar diversos subtons. Como relata Ana Paula Rezende, gerente de produto Especialidades Inorgânicas para América Latina da Evonik, a necessidade do insumo para essa aplicação é pequena. Em uma tinta decorativa preta, por exemplo, a concentração de negro-de-fumo não chega a 1% do volume. “Em outras cores, é como uma pitada de sal em uma receita culinária”, compara. Em uma tinta, informa Rezende, o negro-de-fumo também tem a função de agente de viscosidade e reologia.


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