Produtos Químicos e Especialidades

4 de maio de 2015

Negro de Fumo: Linhas especiais oferecem alto desempenho com dispersão mais fácil e redução de custo total

Mais artigos por »
Publicado por: Marcelo Fairbanks
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Química e Derivados, Negro de Fumo: Linhas especiais oferecem alto desempenho com dispersão mais fácil e redução de custo total
    As instabilidades políticas e econômicas do país se propagam como ondas varrendo todos os setores da atividade produtiva nacional. Os efeitos demoram mais a aparecer à jusante, no campo dos insumos químicos, por exemplo, mas acabam se manifestando. Apesar de ser altamente versátil e de difícil substituição, o negro de fumo começa a perceber os apertos por que passam seus consumidores diretos, a produção de plásticos e de tintas, no caso dos produtos especiais (não commoditizados).

    O mercado para os produtos dos clientes encolhe, as decisões de investimento são adiadas e a pressão para reduzir custos não sai da cabeça dos empresários, assumindo o ar de ordem do dia nas fábricas. Nem mesmo o argumento técnico (e lógico) de investir um pouco mais no insumo para reduzir o custo total de produção é acatado, transformando as negociações comerciais em meros ajustes de preços.

    “Os clientes querem produtos baratos, porém com desempenho elevado; só que não dá para fazer milagre, a tecnologia avançada tem um custo mais alto que precisa ser remunerado”, comentou Léa Sgai, gerente de marketing e serviços técnicos de negro de fumo da divisão sul-americana da Cabot Corporation. “Um negro de fumo mais caro pode ser processado com mais facilidade, gastando menos tempo e eletricidade, resultando em um custo de produção mais baixo para o cliente”, explicou.

    Léa salienta a ampla gama de produtos com características variadas, como tamanho de partículas e complexidade de estrutra, que compõe a linha de negros de fumo especiais. Para ela, não é o momento de introduzir novos tipos diferentes, mas de promover sutis modificações, de modo a obter vantagens na dispersão mais fácil do material nos meios desejados. “Já temos uma quantidade enorme de grades de negro de fumo entre 12 e 75 nanômetros, com estruturas diferenciadas, não adianta desenvolver mais produtos com outros tamanhos e estruturas, não se conseguirá agregar mais valor ao que já se tem”, afirmou.

    Torna-se relevante, nessa situação, oferecer tipos e subtipos especiais, admitindo contato direto com alimentos (aprovados pelo FDA), para sistemas solvente ou de base aquosa, especificamente. “Um problema adicional é a falta de normas oficiais para várias aplicações, a exemplo dos tubos plásticos para condução de água potável”, apontou.

    Em tempos bicudos, reaparecem tendências regressivas nos segmentos de plásticos e de tintas, os maiores consumidores de negros de fumo especiais. “Nessa hora, muita gente que compra dispersões ou masterbatches resolve comprar o negro em pó para atender as suas necessidades”, informa a gerente. “Porém eles não tem equipamentos e tecnologia para fazer isso com eficiência”, recomendou.

    A tendência de uso de pigmentos pré-dispersos na produção de tintas é mundial e se explica pela economia gerada, pela limpeza da fábrica – que fica livre de pó preto. “Temos grades com tratamento superficial com alta dispersabilidade, com baixo consumo de dispersantes, capazes de oferecer vantagens em poder tintório, subtom azulado e outros, mas isso é melhor avaliado por quem produz dispersões pigmentárias e masterbatches”, verificou.

    Na produção de tintas, por exemplo, o gargalo das fábricas está na capacidade dos moinhos. Há pigmentos que precisam passar por oito a doze horas em moagem para melhor aproveitamento de suas características. Quando um fabricante de tintas quer ampliar a produção, ele passa a comprar dispersões prontas, eliminando o gargalo imediatamente. “Não basta apenas dispersar, mas produzir dispersões estáveis, isso exige muito conhecimento do processo”, afirmou.

    Nessas condições, a tendência normal é de aumentar o número de empresas que produzem as dispersões e os masterbatches para fornecer a terceiros. São especialistas no assunto, capazes de valorizar melhor a qualidade do negro e fumo.

    Do ponto de vista econômico, Léa verifica que há clientes sofrendo com a crise, mas há outros obtendo lucros e promovendo investimentos. Até a variação cambial gera resultados diferentes, conforme a posição na cadeia produtiva. “O real desvalorizado é bom para quem exporta, mas muitos insumos são importados, anulando essa vantagem”, avaliou. Segundo informou, o setor automobilístico é o que mais usa negros de fumo fornecidos pela Cabot. O insumo entre na tinta, nas borrachas e pneus, mas também nas pastilhas e lonas de freios, adesivos, plastissóis para a parte inferior dos carros, e nos plásticos usados em profusão. Como a indústria nacional de carros está sofrendo muito com a conjuntura econômica, bem como a da construção civil, a tendência é de aperto das vendas do pigmento. “Ainda bem que o negro de fumo é muito versátil e atende outros mercados que não sofrem tanto, há investimentos em curso, por exemplo, em novos equipamentos para a produção de masterbatches para plásticos”, comentou.

    No cômputo geral, a variação cambial não reduziu a concorrência no negro-de-fumo. “Continuamos enfrentando concorrentes de todos os cantos do mundo, quando a concorrência é saudável, com qualidade e responsabilidade ambiental, tudo bem”, afirmou. A Cabot mantém fábricas em Mauá-SP, na Argentina, Colômbia e México (Altamira), suprindo a demanda regional. “Alguns grades são feitos apenas nos Estados Unidos, por questões técnicas, de tipo de reator e de volume de mercado”, explicou.


    Página 1 de 212

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *