Produtos Químicos e Especialidades

6 de maio de 2013

Negro de Fumo: Importação de Pneus enfraquece demanda e ameaça produção local

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Negro de Fumo, Importação de pneus enfraquece demanda e ameaça produção local

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    ão é a importação de negro de fumo que tira o sono dos fabricantes brasileiros desse importante material de reforço de artefatos de borracha e pigmento para vários tipos de tintas. É a importação de produtos finais, como pneus, coxins e mangueiras. A perda de competitividade nacional se reflete na cadeia produtiva completa e pode comprometer o futuro de todos os seus elos.

    Os fabricantes nacionais ouvidos nesta reportagem consideram que a fabricação de negro de fumo no Brasil sofre em razão dos altos custos das suas matérias-primas principais, o gás natural e o resíduo aromático (do refino de petróleo ou de processos petroquímicos), do preço da eletricidade (mesmo com a redução de preços anunciada continua alto em comparação a outros países) e dos demais componentes do famigerado custo Brasil: impostos, logística precária, entre outros fatores. Mesmo assim, a importação do insumo não tem sido relevante.

    “Assim como muitos outros setores da indústria química, a indústria de negro de fumo está sendo muito afetada pela importação de produtos acabados, como os pneus”, comentou José Carlos Dreux, vice-presidente de vendas e logística para a América do Sul da Birla Carbon/Columbian Chemicals (empresa do grupo indiano ABG – Aditya Birla Group). Um de seus concorrentes confirmou a situação, estimando em 40% a participação de pneus importados no mercado nacional.

    Química e Derivados, José Carlos Dreux, Birla Carbon / Columbian Chemicals, quase 30% do peso de um pneu é negro de fumo

    Dreux: quase 30% do peso de um pneu é negro de fumo

    A produção de pneus é de longe a atividade que mais consome negro de fumo. Dreux apontou uma demanda mundial pelo insumo da ordem de 11 milhões de toneladas em 2012, das quais 8 milhões são incorporadas aos pneus, 2 milhões ficam com artefatos de borracha e o milhão de t restantes é direcionado para usos diversos, como principalmente masterbatches de plásticos e fabricação de tintas. “Um pneu carrega de 25% a 30% em peso de negro de fumo, ou seja, um pneu de carro de 8 kg tem de 2 a 3 kg do insumo, enquanto um pneu de caminhão de 100 kg tem quase 30 kg de negro de fumo”, comentou. Ao mesmo tempo, uma peça plástica de 1 kg contém apenas 0,5 g do insumo.

    Há estudos que apontam para uma capacidade mundial total de 15 milhões de t, mas há dúvidas quanto à operação de algumas unidades espalhadas pela Ásia, que seriam antieconômicas. Avalia-se que o mercado mundial de negro de fumo cresceu 2% em 2012 e deve crescer 3% em 2013, contando com a evolução da economia norte-americana e alguma retomada da indústria europeia.

    Andando aos saltos, o setor sofreu muito com a crise global deflagrada em 2008. “Na média dos últimos cinco anos, o mercado mundial cresceu 5%, houve um avanço muito grande em 2010”, avaliou Dreux. Atualmente, o continente asiático abriga cerca de 60% da produção e do consumo de negro de fumo, segundo Dreux. E metade disso está na China.

    As 450 mil t/ano do mercado brasileiro colocam o país como o sexto mercado mundial do insumo e o líder na América do Sul, um mercado regional de 600 mil a 650 mil t/ano. Mesmo com a crise, a Europa responde por 20% do mercado total, seguida pela América do Norte, com 15%.

    A estimativa de desempenho do mercado de negro de fumo no Brasil no ano passado é negativa. Mesmo sem os dados consolidados de 2012, Dreux estima uma queda de 5%, justificada pelo aumento da importação de pneus e pela queda na venda de caminhões provocada pela adaptação ao padrão Euro V. “O Brasil é um mercado muito disputado, pois conta com a presença dos três maiores players mundiais, todos eles com produção local”, afirmou.

    Brasil na berlinda – Um dos participantes desse mercado, que preferiu se manter incógnito, salientou que a perda do mercado de pneus e artefatos de borracha para concorrentes externos foi acontecendo gradualmente, ano após ano. Como todos os produtores nacionais de pneus investiram em novas capacidades e ampliações, pensando em um pico de produção que não aconteceu, existe uma capacidade ociosa no país. Segundo essa fonte, não haveria nenhuma dificuldade para absorver um crescimento repentino de demanda, mas a realidade aponta em outra direção: as fábricas de pneus no Brasil estão rodando com grande folga.

    Essa fonte também comentou que o Brasil nunca foi exportador significativo de negro de fumo, mas de alguns produtos finais, como pneus e masterbatches (concentrados de cor). Essas exportações acabaram e há uma grande preocupação com uma possível chegada de negros de fumo asiáticos, que já aportaram na América do Sul pela costa do Pacífico.


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