Química

24 de março de 2003

Negro-de-Fumo: Degussa inaugura fábrica e quer 15% do mercado local

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    o dia 14 de março, após investir US$ 60 milhões, a Degussa inaugurou a fábrica para 55 mil t/ano de negro-de-fumo em Paulínia-SP. Esta é a mais nova unidade produtora do material no mundo, a 18ª do grupo alemão, com outras cinco nos EUA; duas na Alemanha e na Coréia do Sul, e uma na África do Sul, França, Itália, Holanda, Suécia, China, Portugal e Polônia.

    Em âmbito mundial, o grupo é o segundo maior produtor, enquanto no mercado brasileiro a sua participação é ainda inexpressiva, ofuscada pela presença marcante da Cabot e da Columbian Chemicals, que disputam palmo a palmo os negócios regionais. “Queremos conquistar 15% desse mercado dentro de três a cinco anos”, afirmou o presidente da Degussa Brasil, Weber Porto.

    O consumo brasileiro de negro-de-fumo chega a 270 mil t/ano, com preço médio entre US$ 600 a US$ 700 por tonelada. O excedente fabricado em Paulínia será exportado, segundo o executivo. O portfólio inicial de produtos visa atender aos clientes do setor de pneus (todos os ASTMs) e artefatos de borracha, os consumidores de 90% do volume, que usam o produto como ligante e reforçante. “Quando já tivermos consumo garantido para grande parte da capacidade, poderemos pensar em fazer alguns itens mais sofisticados, como pigmentos para tintas de impressão, por exemplo”, afirmou o gerente da unidade, Eraldo Pereira. Isso pode ser conseguido com pequenas alterações no processo, com baixo investimento, gerando produtos de maior valor. Pigmentos especiais, para tintas automotivas, por exemplo, devem ainda ser importados.

    Química e Derivados: Negro: Fábrica de Paulínia, para 55 mil t-ano, é a mais moderna do mundo.

    Fábrica de Paulínia, para 55 mil t-ano, é a mais moderna do mundo

    O mercado mundial de negro-de-fumo é estimado em 7 milhões de t/ano, com crescimento anual médio de 3% a 5%. A Europa e os EUA apresentam baixos índices de crescimento, sendo considerados maduros. Ao contrário, a Ásia e América do Sul são considerados promissores. A nova fábrica no Brasil é compatível com essa visão, alicerçada pela construção de novas fábricas de automóveis nos últimos anos.

    A unidade de Paulínia, segundo Porto, usou fornecedores de equipamentos e serviços nacionais, o mais possível, além de ter adotado a tecnologia mais moderna e ambientalmente segura do mundo. “A companhia exige o atendimento de normas internacionais rígidas de meio ambiente e segurança, mesmo que sejam mais restritivas que as do País em que esteja investindo”, comentou. A instalação da unidade sofreu um atraso, principalmente por ter seguido todo o trâmite da lei ambiental local, com audiências públicas e assinatura de compromissos com a comunidade. A matéria-prima, o resíduo aromático (Raro), foi contratada com a Petrobrás, sendo enviada diretamente da vizinha Refinaria de Paulínia (Replan).

    Carl Voigt, executivo mundial da área de negro-de-fumo da Degussa, explicou que as vendas do insumo não estão sendo prejudicadas pela adoção dos chamados pneus verdes. Trata-se de uma composição de aditivos que une negro-de-fumo, sílica e silanos, de modo a melhorar o desempenho dos pneus, reduzindo o atrito de deslocamento e, consequentemente, baixando o consumo de combustível, bem como as emissões de monóxido de carbono. Além disso, os pneus verdes (que são pretos também, o “verde” dá um apelo ecológico) apresentam menor índice de derrapamento em pistas molhadas, e também contribuem para reduzir os espaços de frenagem, características desejáveis sobretudo em países de inverno rigoroso.

    Atualmente, segundo Voigt, os carros de passeio dos EUA e Europa já adotam o pneu verde como padrão. Já os veículos de carga começaram a usar recentemente esses artigos, tendo exigido o desenvolvimento de tipos especiais de negro-de-fumo e composições diferentes de sílica e silanos. “Não há antagonismo entre negro-de-fumo e sílicas, mas complementariedade”, afirmou.

    Bons resultados – A Degussa Brasil obteve aumento de faturamento da ordem de 10% a 15% em 2002, principalmente com os resultados da área de tratamento de efluentes e de papel, na nova fábrica de Americana-SP. Os aminoácidos para rações animais foram mais demandados por causa da maior produção e exportação de frangos, importante segmento consumidor.

    Também a venda de peróxido de hidrogênio atingiu suas metas e contribuiu para o resultado. A entrada em operação da unidade de negro-de-fumo deverá influenciar positivamente o balanço de 2003, por representar uma diminuição significativa de importações, realizadas a título de pré-marketing.

    O resultado anima a empresa a continuar o plano de investir no País US$ 140 milhões no período de 2001 a 2004. A próxima etapa, orçada em US$ 50 milhões, consiste na produção local de polímeros superabsorventes (SAP), voltados para fraldas descartáveis e absorventes higiênicos, obtidos a partir do ácido acrílico. A unidade deverá fabricar 35 mil t/ano de SAP, usando, provavelmente, ácido acrílico importado.



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