16 de maio de 2004

Negro-de-fumo: Boom de pneus aumenta oferta de negro-de-fumo

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Exportação de pneus e nova fábrica na Bahia atraem investimentos para negro-de-fumo

    Química e Derivados: Negro: negro_fumo_abertura. ©QDO futuro do mercado de negro-de-fumo no Brasil está garantido. O bom desempenho atual e as melhores perspectivas da indústria de pneus, principal consumidora desse pigmento preto obtido pela queima controlada de hidrocarbonetos, confirmam a previsão. Além de se firmar como grande produto de exportação, o que tem elevado sua produção anual, um novo investimento para os próximos anos promete aumentar a importância do mercado brasileiro de pneus. Isso significará mais negócios e disputa entre os três fabricantes locais de negro-de-fumo – Cabot, Columbian Chemicals e Degussa -, responsáveis pelo fornecimento das 300 mil t/ano consumidas no País, das quais cerca de 85% seguem para pneumáticos.

    Química e Derivados: Negro: A Cabot investe US$ 25 milhões em nova fábrica. ©QD Foto - Divulgação

    A Cabot investe US$ 25 milhões em nova fábrica.

    A nova unidade é de um estreante no setor no Brasil, hoje dominado por quatro grandes fabricantes: Firestone, Pirelli, Michelin e Goodyear. A partir de julho começa a ser construída em Camaçari, na Bahia, a primeira fábrica da alemã Continental, uma das maiores fabricantes mundiais e famosa pela qualidade dos pneus utilizados nos luxuosos Mercedes-Benz e Porsche. Fruto de um investimento de 250 milhões de euros, a ser empregado até 2008, a primeira fase do projeto deverá estar pronta até o final de 2005, ou início de 2006, quando produzirá cerca de 1,2 milhão de pneus/ano. Já em 2008, no término do investimento, a unidade baiana terá capacidade adicional de 7 milhões de pneus para carros de passeio e 700 mil para veículos comerciais (tratores, caminhões e ônibus).

    Esse investimento alemão confirma a tendência exportadora do mercado nacional de pneus, que em 2003 vendeu para o mercado externo 17,7 milhões de unidades de sua produção total de 49,2 milhões. Isso porque o plano com a fábrica em Camaçari é atender o mercado da região da Nafta, principalmente dos Estados Unidos e México. Inicialmente, essa região deve responder pelo consumo de 80% da produção. O grupo alemão, que conta ainda com 26 fábricas próprias e 34 unidades cooperadas para a produção de pneus (além de 58 para produzir correias, mangueiras e coxins, e 41 voltadas para freios), acredita num potencial em crescimento. Estima um acréscimo de 11% no mercado do continente americano em 2008, chegando nos 382 milhões de pneus.

    Outros investem – A atenção despertada pela fábrica da Continental ganha mais peso para os produtores de negro-de-fumo ao se saber que, desde a década de 80, o Brasil não era palco de investimentos novos em pneus. O último grande produtor a se estabelecer naquele período foi a francesa Michelin, hoje com duas fábricas no Rio de Janeiro, uma em Itatiaia (pneus para automóveis) e outra em Campo Grande (para caminhões e ônibus).

    Outro fator que anima mais o setor de negro-de-fumo são também os novos investimentos das produtoras de pneus já estabelecidas. Trata-se de condição hoje imposta pelo próprio mercado automobilístico, que já se ressente de pneus, principalmente dos utilizados em caminhões e ônibus. A própria Michelin investe US$ 98 milhões para ampliar a produção de suas fábricas de 1,2 milhão de unidades anuais para 1,6 milhão até o fim de 2006. Também a Bridgestone/Firestone usa parte de um investimento de US$ 200 milhões para ampliar em 5% sua atual capacidade produtiva de 11 milhões de pneus em Santo André-SP. Também a Goodyear anuncia investimento de US$ 80 milhões, enquanto a Pirelli deve abrir nova fábrica na Bahia.

    Com o novo cliente à vista, e os investimentos das produtoras de pneus em atividade, os três players do negro-de-fumo não têm do que reclamar. Depois de passar por dois anos de estagnação (2001-2002), as vendas totais do pigmento, puxadas pelo aumento das exportações de pneus de 35% para mais de 40% do total da produção, cresceram em 2003 cerca de 11%, segundo informou o gerente de vendas da Columbian Chemicals, Ronaldo Silva Duarte.

    Química e Derivados: Negro: negro_grafico. ©QDPara 2004, projeta-se aumento um pouco menor, de cerca de 5%. Não será possível repetir o percentual do ano passado porque a base de comparação será agora sobre um número mais representativo do que o de 2002, quando o mercado estava parado. Mas isso também não desmerece a projeção. Pelo contrário, nela o gerente da Columbian Chemicals inclui uma retomada do mercado interno, além da estabilização do nível de exportação dos produtores de pneus.

    A importância dos movimentos do setor de pneumáticos para os fornecedores de negro-de-fumo é evidente e se explica em números. Para começar, os pneus são responsáveis por 70% do consumo na fabricação e 15% em usos de recauchutagem (camelback). Em cada pneu, utilizam-se em média dez tipos de negros-de-fumo e, no seu custo de produção, o pigmento responde por 30% do valor. Daí se entende porque todos os investimentos das fábricas se baseiam nas projeções desse setor.

    Capacidade aumenta – Os fabricantes de negro-de-fumo estão atentos a esses movimentos em pneus, tendo em vista os investimentos em curso. Isso fica mais nítido nas duas empresas mais antigas e líderes do mercado, a Cabot e a Columbian, com grandes instalações produtivas, mas já próximas do gargalo e necessitadas de expansões para suportar o aumento da demanda e as projeções otimistas para médio prazo. A Degussa não se encaixa tanto nesse raciocínio por tratar-se de novíssima unidade, inaugurada em Paulínia-SP em março de 2003, e logicamente com capacidade instalada ainda a ser ocupada.


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