Economia

24 de agosto de 2016

Negócios: Fusões e aquisições avançam no setor químico mundial

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Comandado pelos movimentos gigantes das companhias internacionais, o mercado de fusões e aquisições (M&A, sigla do original em inglês) no setor químico poderá alcançar novo recorde, superando a marca de US$ 151 bilhões atingida em 2011. Apenas a fusão entre Dow Chemical e DuPont deve criar um conglomerado com valor de US$ 130 bilhões. O segundo maior negócio esperado para este ano é compra da Syngenta pela ChemChina por US$ 43 bilhões (aguardando aprovações oficiais), evidenciando o interesse de players regionais em adquirir know-how e ampliar oportunidades fora de seus mercados domésticos, como aponta o relatório Chemicals Executive M&A Report 2016, da consultoria internacional A.T.Kearney.

    No ano anterior, a compra da Sigma-Aldrich pela Merck movimentou US$ 16,99 bilhões, o maior negócio registrado no setor desde 2009. Também em 2015, a ChemChina comprou a Pirelli por US$ 9 bilhões. Segundo executivos do ramo, ouvidos pela pesquisa da consultoria, o movimento de M&A está longe de perder força.

    Química e Derivados, Bouer: formação de gigantes é seguida por venda de ativos

    Bouer: formação de gigantes é seguida por venda de ativos

    Edson Bouer, consultor principal da A.T.Kearney no Brasil, explica esses movimentos dentro de uma visão estratégica das companhias, voltada para formar portfólios coerentes, excelência corporativa e liderança de negócios. “O foco recai no portfólio, não adianta ser muito amplo, é melhor ter menos linhas de produtos, com maior coerência; da mesma forma a operação precisa ser a mais eficiente, dentro de modelos de negócio vencedores, com produtos melhores e custos mais competitivos”, comentou.

    Interessante notar que o movimento de formação de megacompanhias é acompanhado da venda de ativos, motivado pela necessidade de coerência no portfólio. O relatório da A.T.Kearney aponta que as produtoras de commodities devem buscar M&A para garantir suprimento de insumos e aumentar a escala de operação, enquanto as companhias voltadas para especialidades devem buscar novas soluções de negócios e modelos de negócios digitais. Um exemplo disso é a recente aquisição por parte da Bayer das empresas Proplant e Intelmax, desenvolvedoras de soluções para produção agrícola sustentável.

    A pesquisa apontou que os executivos do setor entendem que as M&A devem seguir adiante pela necessidade de adequação de portfólio, aproveitar a oferta de matérias-primas baratas nos EUA, responder aos interesses dos e obter retorno maior que o oferecido pelo crescimento orgânico dos negócios.

    “Ao menos se percebe que o setor químico superou a fase de vender ativos para fazer caixa, mas está se desfazendo de ativos dentro de uma estratégia de valorização da companhia a longo prazo”, considerou.

    Ao mesmo tempo, Bouer percebe que setor de óleo e gás (O&G) está na contramão. “As petroleiras do mundo todo estão vendendo ativos para ter dinheiro em caixa para honrar seus compromissos”, salientou. As dificuldades das petroleiras refletem o início do ciclo de baixa de preços dos hidrocarbonetos, derivado da chegada do shale gas e do shale oil (gás e óleo de xisto) nos Estados Unidos.

    “O perfil de investimento do up stream internacional mudou, pois muitos players estão descapitalizados e endividados”, alertou o consultor. Nesse quadro, explorações de fontes mais onerosas, como as areias betuminosas e os campos em águas ultraprofundas (como os de grande parte do pré-sal), deixaram de ser atrativos e foram colocadas à venda.

    O momento, portanto, é propício para as companhias capitalizadas adquirirem mais reservas a preços interessantes. “No Brasil, é hora de promover swaps de ativos, não só das operadoras de campos, mas também de prestadores de serviços para O&G”, alertou. Segundo Bouer, esse movimento não se restringe ao Brasil. No Mar do Norte, por exemplo, há vários ativos sendo descomissionados, muitos deles ligados a serviços de transporte, manutenção e outros, que podem ser aproveitados por outros players. Cabe lembrar grandes negócios internacionais, como o acordo Halliburton-Baker Huges e a compra da Cameron pela Schlumberger, ambos em fase de conclusão.

    Cada tipo de exploração atua dentro de uma faixa de viabilidade econômica que se baseia no preço do petróleo ou gás; quem produz barato até aumenta a produção para gerar mais caixa, embora com margens muito menores, como indica o gráfico de preço de equilíbrio, indicado no relatório Mergers and Acquisitions in Oil and Gas 2016, da A.T.Kearney.

    “A grande pergunta que domina o planejamento estratégico do setor é: até quando o mundo vai depender do petróleo e do gás como fonte de energia?”, apontou Bouer. Dessa resposta depende o posicionamento de cada país que também precisa observar razões geopolíticas.

    Enquanto o petróleo custava caro, acima de US$ 100 por barril, o Brasil desenvolveu um modelo de negócios que favorecia a nacionalização de insumos e de tecnologias, com um sucesso relativo. “Quando o preço do petróleo caiu, o modelo desandou, ou seja, ele tinha problemas”, considerou.


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