Economia

20 de dezembro de 2016

Negócios: Eastman consolida aquisições e ajusta o foco dos negócios

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Fortes: complexidade aumentou, assim como as oportunidades

    Fortes: complexidade aumentou, assim como as oportunidades

    Após várias rodadas de aquisições, a Eastman ampliou e diversificou seu portfólio, atingindo um grande número adicional de segmentos de mercado atendidos. A amplitude dos negócios confere maior estabilidade e segurança, a exemplo de um guarda-chuva. Porém, a complexidade operacional cresce proporcionalmente e coloca em risco o foco da companhia.

    “A complexidade realmente aumentou, mas nosso foco é coerente e o portfólio guarda algumas relações com o suprimento de interno de insumos, ou seja, estamos formando cadeias produtivas próprias”, afirmou Pedro Luiz Fortes, diretor de operações da Eastman no Brasil e gerente de desenvolvimento de negócios na América Latina.

    Fortes explica a situação atual da companhia no país com uma singela analogia. “Antes, eu tinha apenas uma chave de fenda e um alicate para trabalhar, agora tenho uma caixa de ferramentas completa, posso escolher as mais adequadas para cada caso”, comparou.

    A Eastman era apenas importadora de produtos até as compras da Solutia e da Scandiflex, que lhe transferiram dois sítios industriais no Brasil (Itupeva-SP e Mauá-SP, respectivamente). Mais recentemente, a companhia comprou a Taminco (aminas) e a BP Aviation Turbine (fluidos especiais aeroespaciais), ingressando no mercado de proteção de cultivos e de serviços aeronáuticos.

    “Sempre tivemos interesse em atuar em agroquímicos, mas não tínhamos nada na região. Agora, com a linha da Taminco, podemos oferecer insumos de formulação e também alguns ativos fungicidas”, salientou. A companhia está reforçando a estrutura interna e também aproveitando o pessoal oriundo das adquiridas para acelerar o desenvolvimento. “Temos uma cultura bem avançada em consolidação e integração de negócios.”

    No campo dos solventes, ainda o maior mercado da companhia no país, Fortes enfatizou o apoio à iniciativa da Abiquim de criar uma comissão específica para esse negócio, como forma de combater o uso indevido de produtos. “Existe um mercado cinza de solventes que precisa ser combatido pela valorização das aplicações corretas desses insumos, com regulamentação, orientação e fiscalização reforçadas”, comentou. Isso também envolve o relacionamento mais próximo com os clientes para desenvolver formulações mais eficientes para cada caso. “Enxergamos várias oportunidades para criar formulações de solventes regionais, temos capacidade para fazer isso no Brasil.”

    Fortes salientou que a operação brasileira obtém seu faturamento de fontes diversificadas, ou seja, não apresenta dependência concentrada em algum segmento de mercado. Ele também considera que a relação entre itens importados e de produção local é equilibrada, dentro da visão da companhia.

    Entre as atividades habituais de Fortes, a prospecção de novos negócios na região está muita ativa, embora ele reconheça que os países envolvidos estejam passando por dificuldades econômicas e sociais. Segundo o executivo, as melhores operações da companhia na América Latina são as do Brasil, México e Colômbia. “O México está muito ligado aos Estados Unidos, ao Texas, especificamente, enquanto o Brasil apresenta fortes laços com os bancos de desenvolvimento”, disse. O maior problema do país está em saber quando acabará a crise atual.

    A indústria química brasileira deverá encontrar caminhos de alta produtividade e competitividade para crescer. “A chamada química verde traz várias possibilidades, muitas delas apontadas no relatório preparado pela Abiquim com a Bain & Co.”, afirmou. Ele recomenda que o país se mantenha ligado às cadeias globais de suprimentos.

    Na sua avaliação, os investimentos no Brasil estão em linha com a expectativa inicial da companhia, que vê as dificuldades, mas acredita na viabilidade dos negócios. Atualmente, a unidade de Mauá-SP está na fase final da ampliação de seu sistema de tratamento de efluentes, no qual adotará a tecnologia de reatores biológicos com membranas (MBR), mais eficiente e compacta. Essa obra durou dois anos e deve ser entregue até dezembro, permitindo tratar todos os efluentes da planta em plena ocupação e ainda ter capacidade para absorver os resíduos de projetos futuros. “A legislação ambiental nos impede de ampliar a produção e a diversificação desse site por causa do tamanho da estação de tratamento existente; com esse investimento, poderemos ampliar a oferta local de vários itens e introduzir novos produtos”, comentou.

    O site de Mauá vem recebendo um fluxo constante de investimentos desde a aquisição. A Eastman instalou dois novos laboratórios e atualizou os dois existentes, além de promover melhorias na fábrica, que adicionou novos itens de produção, como o Therminol (óleo de troca térmica). “Temos produção própria de vários plastificantes, além de importarmos alguns itens especiais, como o dioctil tereftalato (DOTP), o principal não-ftalato do mercado.”

    Com isso, a companhia pretende reforçar sua vocação de ser uma empresa de especialidades químicas com foco em colaboração estreita com os clientes, dentro de uma perspectiva ética e sustentável.



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