Produtos Químicos e Especialidades

15 de maio de 2012

Nanotecnologia – Tecnologia ganha aplicações, mas avança devagar no Brasil

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Publicado por: Jose P. Sant Anna
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    Revista Química e Derivados, Biocidas em nanoescala

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    os últimos anos, os investimentos feitos em nanociência e nanotecnologia pelos governos de países desenvolvidos e por grandes multinacionais foram vultosos. A despeito da desconfiança dos defensores do meio ambiente e do incipiente desenvolvimento de regras para o uso correto da técnica, hoje há importante avanço na procura por produtos resultantes da pesquisa e desenvolvimento feitos com essa tecnologia.

    São vários os produtos finais que incorporam as minúsculas partículas, feitos por empresas dos mais diversos segmentos econômicos em todo o mundo. Podemos citar, entre outros usuários, as indústrias de tintas, plásticos, tecidos, farmacêuticas e de cosméticos. Estima-se que em 2015 esse mercado deverá movimentar US$ 3,1 trilhões por ano.

    Com investimentos bem modestos, o Brasil se encontra em posição desfavorável nesse cenário e corre sério risco de se transformar em importador da tecnologia. Algo parecido com o que ocorre hoje com a química fina. O país não se encontra entre os 35 líderes do segmento e é o último investidor entre os países do BRIC, atrás de Rússia, Índia e China.

    Apesar das dificuldades, alguns exemplos de empreendedorismo são dignos de atenção. Empresas nacionais especializadas começam a pipocar, oferecendo produtos para lá de sofisticados. Elas não são muitas e, na maioria dos casos, bem pequenas. Contam com colaboradores de currículos invejáveis e atendem um mercado nacional ainda incipiente. Não raro, suas receitas dependem mais das exportações. Enfrentam o desafio de crescer e de se manterem sustentáveis na hora de atender ao sonhado aumento da demanda.

    A maioria dessas empresas nasceu de projetos de pós-graduação defendidos por universitários. Surgiram como incubadas em instituições de ensino e conseguiram entrar para o mercado por méritos próprios, com a ajuda de sócios capitalistas ou por meio da venda para empresas interessadas pelas ideias originais. Algumas delas se identificam com a atividade pelo nome, casos da Nanum, Nanox e Nanotech. Outras não, como a Tratch.

    Óxidos metálicos – A história da Nanum começou em um laboratório da Universidade Federal de Minas Gerais, quando um dos seus sócios atuais começou a realizar consultorias. Em 2005, foi montada na faculdade uma empresa voltada para a produção de óxidos metálicos nanoestruturados. A consolidação se deu em 2008, ano em que a Clamper, fabricante de equipamentos de proteção contra sobretensões elétricas de alta tecnologia, adquiriu 51% dos ativos da empresa.

    Hoje, a Nanum conta com doze funcionários altamente especializados, voltados apenas para a pesquisa e desenvolvimento. “Nós fabricamos óxidos metálicos simples e compostos”, informa Fernando Contadini, diretor de operações. Entre os simples se encontram os de ferro, alumínio, zinco, magnésio e manganês. Entre os compostos, várias possibilidades, desenvolvidas de acordo com a necessidade dos clientes. “Além de dominar a síntese desses óxidos, que construímos molécula por molécula, nos especializamos em preparar dispersões dessas partículas, usadas pelos clientes em processos úmidos”, explica.

    O leque de aplicações das partículas da Nanum é diversificado. Quando adicionadas em polímeros, por exemplo, acrescentam características úteis para determinadas aplicações. “Podemos aumentar a resistência de um plástico aos raios ultravioleta”, exemplifica. Em alguns processos químicos, determinadas partículas podem servir como catalisadores. Outros usos são pesquisados e desenvolvidos de acordo com a demanda.

    Além das partículas e das dispersões, a empresa trabalha para lançar produtos com nanotecnologia incorporada. “A venda de partículas no Brasil ainda é muito reduzida”, diz. O dirigente acredita na evolução dos negócios com a estratégia. “Esses produtos têm mais aceitação e contam com maior valor agregado”, revela.

    Um deles, já no mercado, é uma tinta magnética de segurança, composta por nanopartículas de ferro e chumbo. Pode ser utilizada na confecção de cédulas, por exemplo. “Elas são difíceis de ser reproduzidas”, justifica. Outro item já disponível é a tinta com capacidade de degradar qualquer tipo de matéria orgânica ao ser exposta a raios ultravioleta. Com seu uso, as pinturas se tornam autolimpantes. “A pichação de um muro some depois de algum tempo, as paredes externas ficam livres do surgimento de musgos. As paredes internas dos hospitais podem ser higienizadas quando expostas à iluminação ultravioleta artificial.” Na Itália, um produto desse gênero tem sido pesquisado para reduzir a poluição urbana.


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      Um Comentário


      1. Enrique Alvite

        Li na revista Galileu sobre a tinta anti-térmica e anti-ruido.Principalmente por esta última característica tenho ineresse em adquiri-la para pintar a casa de máquinas do meu barco.Onde comprar? Enrique



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