Química

15 de fevereiro de 2012

Nanotecnologia – Revolução tecnológica progride sem alarde

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Publicado por: Jose P. Sant Anna
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    química e derivados, nanotecnologia

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    o início do século XXI, a nanociência e a nanotecnologia passaram a ser reverenciadas como protagonistas de uma nova revolução industrial. Após uma década, para quem não está muito atento, o entusiasmo parece ter arrefecido. Pouco se fala em revolução. Para os especialistas, essa aparente saída dos holofotes da fama está totalmente equivocada. Os efeitos dos investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento feitos nos últimos anos pelos governos dos países avançados e por multinacionais gigantes do mundo químico se traduzem em lançamentos diários de produtos com componentes nanoparticulados. Muita coisa ainda está por vir.

    “A nanotecnologia e a biotecnologia são hoje os grandes focos do desenvolvimento científico. A nanociência representa 50% dos artigos científicos relativos à química publicados em todo o mundo”, destaca Henrique Toma, professor titular do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) e coordenador do Núcleo de Apoio à Nanotecnologia e Nanociências da USP. Ele fala com conhecimento de causa. É membro da Academia Brasileira de Ciências, da Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento e da Divisão de Química Inorgânica da União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac). Recebeu quinze prêmios nacionais e internacionais, entre eles a Comenda Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico.

    Para Toma, o fato de produtos nanotecnológicos chegarem ao mercado de forma pouco perceptível era esperado. Nem sempre as empresas anunciam a presença de nanopartículas, mas já existem vários produtos disponíveis para os consumidores, casos de computadores, cosméticos, tecidos e tintas, entre outros. A indústria farmacêutica está entre as que mais investem e em breve nova geração de medicamentos deve chegar ao mercado – os lançamentos nessa área são demorados, passam por prolongados testes antes de serem postos à venda. “A invasão tem sido ‘silenciosa’ e atinge todas as áreas de conhecimento”, resume.

    Ele reconhece como legítima a preocupação de ambientalistas e outros profissionais com as consequências da manipulação de produtos nanoestruturados. Mas ameniza os riscos ao lembrar que as nanopartículas fazem parte da natureza. “Ao respirarmos, inalamos nanopartículas; a fumaça é cheia de nanopartículas”, exemplifica. E exalta o forte preparo dos responsáveis pela produção dos produtos na indústria. “São pessoas com muito conhecimento e preocupadas com a segurança”, reforça.

    O cientista lamenta a situação brasileira nesse cenário. Para ele, os investimentos feitos em ciência pelas esferas governamentais têm sido menos que insuficientes. Os parcos recursos têm gerado trabalhos valiosos nas instituições de ensino. A iniciativa privada, por sua vez, não demonstra o interesse esperado para aproveitar a evolução da ciência em ações de pesquisa e desenvolvimento.

    química e derivados, Toma, professor titular do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) e coordenador do Núcleo de Apoio à Nanotecnologia e Nanociências da USP

    Toma: Brasil paragará caro por investir pouco nessas pesquisas

    O resultado desse cenário, caso não ocorra nenhuma guinada nos próximos anos, será a ampliação do que é visto hoje. O país é grande importador de produtos químicos com tecnologia agregada e pode se tornar cada vez mais dependente. “Para realizar um estudo, importei micropartículas magnéticas feitas de óxido de ferro pagando US$ 1.700 por kg. Esse é um produto que pode ser feito em laboratório por alguns centavos, desde que se desenvolva a tecnologia para isso”, exemplifica.

    A mudança de rota não é simples. “Não há milagre quando falamos em alta tecnologia. A indústria química brasileira precisaria investir US$ 32 bilhões nos próximos dez anos para atingir nível satisfatório de desenvolvimento”, avalia. O cientista critica os rumos adotados pelo governo federal a partir de 2009. “Eles reduziram os investimentos em todas as áreas científicas”, acusa.

    Uma ressalva vai para a Petrobras, apontada como exceção. Nos últimos anos, por meio de seu centro de pesquisas, a maior empresa do país tem patrocinado vários estudos para desenvolver produtos nanotecnológicos que possam facilitar a descoberta e exploração do petróleo. Por fim, Toma ressalta: “Não existe país desenvolvido sem uma indústria química forte”, lembra.

     


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