Química

25 de agosto de 2007

Metrologia e qualidade em laboratórios – Congresso internacional desfila o estado-da-arte da calibração

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Publicado por: Maria Silvia Martins de Souza
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    Química e Derivados, Metrologia e qualidade em laboratórios - Congresso internacional desfila o estado-da-arte da calibração

    Figura 2

    É

    cada vez mais importante para um país acelerar e ampliar a oferta de produtos e serviços tecnológicos de laboratórios, sem os quais fica impossível para suas empresas competirem em um mercado global onde a qualidade é o grande diferencial. Nesse sentido, foi fundamental a realização, de 16 a 20 de julho,em São Paulo, do IV Metrochem, Congresso Internacional em Medição Química, Rastreabilidade e Garantia de Qualidade. Promovido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (IPEN), e ainda pelo Cooperation on International Traceability in Analytical Chemistry (CITAC) e Rede Brasileira de Medições em Química, o evento foi de alto nível técnico.

    “Medições exatas e confiáveis, comparáveis e rastreáveis são elementos básicos para a garantia da qualidade, o que as torna ferramentas relevantes na construção de sólidas relações comerciais, no cuidado com o ambiente e com a saúde da população.” Esta é a opinião da pesquisadora Vera Ponçano, coordenadora de relações internacionais do IPT, uma das coordenadoras do evento. O congresso, continua Vera, propiciou integração e troca de experiências entre pesquisadores brasileiros e renomados especialistas internacionais.

    No Metrochem foram abordadas questões relacionadas às medições em química, garantia da qualidade, melhoria da capacidade analítica laboratorial, materiais de referência, programas de comparação interlaboratorial, métodos validados, estabelecimento da rastreabilidade metrológica, desenvolvimento de métodos de análise, entre outros, em áreas estratégicas como agricultura, biocombustíveis, análise ambiental, alimentos, metalurgia, mineração e petróleo, sistemas de qualidade e administração, toxicologia, plásticos e borrachas.

    “O Congresso focalizou aspectos relacionados à rastreabilidade, uma das exigências fundamentais no comércio global por estabelecer uma relação entre os resultados de medições e os valores de padrões metrológicos claramente definidos, segundo critérios internacionalmente aceitos. Neste sentido, a participação dos membros da CITAC foi de grande valia para todos os congressistas”, enalteceu Vera.

    Mesclados a assuntos geralmente presentes em congressos metrológicos como certificação ISO/IEC 17025 ou cálculos de incerteza de medição, houve apresentações tratando de assuntos pouco usuais, caso da palestra sobre certificação sensorial de bebidas e alimentos na Itália, proferida por Luigi Odello, professor de análise sensorial em várias universidades italianas, presidente do Centro Studi Assaggiatori e secretário-geral do Instituto Nacional Expresso Italiano.

    Odello lembrou que o ser humano percebe tudo o que o rodeia por seus sentidos, ou seja, por análise sensorial. O Centro Assaggiatori (centro de degustação) estuda e aplica métodos objetivos para descrever o que é percebido de produtos e serviços, além de treinar pessoas a usar de modo mais apropriado seus paladares e olfatos. Fundado em setembro de 1999, é o mais importante centro de análises sensoriais na Itália. Por meio de suas pesquisas, o centro desenvolveu métodos inovadores que permitem aplicar análise sensorial em várias indústrias de alimentos e bebidas, como as de vinho, massas, café e outras.

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    Figura 1 – Selo de conformidade do instituto nacional de expresso italiano

    O centro apoiou várias atividades relacionadas à degustação, como a criação do Istituto Internazionale Assaggiatori Caffé (Instituto Internacional de Provadores de Café), a Accademia della Birra (Academia da Cerveja) e outras similares. Em julho de 1998 foi fundado o Istituto Nazionale Espresso Italiano (Instituto Nacional do Expresso Italiano), com o principal objetivo de salvaguardar e promover o café expresso italiano original. Foi desenvolvido um processo para conseguir um café expresso padronizado de alta qualidade e de paladar único.

    O grupo de trabalho buscou uma forma de classificar café usando outros métodos que não o químico, isto é, a determinação da composição nutricional do café (teor de carboidratos, polissaturados etc). Odello apresentou em detalhes o método sensorial empregado, ilustrando-o com vários gráficos.

    A seguir, o centro introduziu o “certificado sensorial”, como garantia de satisfação para os consumidores. Hoje o Instituto é uma das mais importantes associações no mercado de café, conferindo um certificado de conformidade de produto. As empresas que conseguem aprovação têm o direito de usar o selo de conformidade apresentado na Figura 1.

    Para garantir qualidade aos consumidores que optarem por beber um café expresso em um bar exibindo este selo, uma especificação técnica bastante exigente foi instituída, requerendo o uso de grãos selecionados, equipamentos certificados e pessoal licenciado. O cumprimento das três condições é supervisionado pelos auditores do Instituto, que lá aprendem a distinguir, em uma xícara de café, a origem dos grãos, a qualidade do torrefador, a eficiência das máquinas e a habilidade do preparador.

    Odello é autor do livro Espresso Italiano Tasting, o primeiro dedicado à análise sensorial e à apreciação dessa famosa bebida. A publicação é um resumo de tudo o que foi feito nos últimos dez anos no campo da análise sensorial de café pelo Instituto, incluindo como degustar um café, características positivas e possíveis defeitos presentes, escala e método de avaliação sensorial, geografia do local e modo de produção, arte da mistura e da torrefação, e equipamentos necessários para o preparo de um excelente café.

    Ainda na área de análise sensorial, Rosemeire Alves, pesquisadora da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), proferiu a palestra “Técnicas de avaliação de gosto e odor em águas de abastecimento: método analítico, análise sensorial e percepção dos consumidores”.


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