Tecnologia Ambiental

14 de dezembro de 2002

Meio ambiente: Análise financeira passa a considerar indicador ambiental

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Desempenho social e ambiental ganha destaque entre os itens observados por bancos e fundos de investimento

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    o começo, o medo principal era escapar das novas leis ambientais e do conseqüente aumento da fiscalização. Depois, a tendência foi usada para atender exigências de mercados externos e, não poucas vezes, para ser administrada como eficiente ferramenta de marketing. Daqui por diante, porém, a “onda verde” no setor industrial começa a invadir um ponto fundamental na estratégia competitiva das empresas: a sua relação com o mercado financeiro.

    Química e Derivados: Ambiente: grafico7.A lógica da nova onda é clara: que investidor arriscaria suas fichas numa empresa com risco de ter a imagem de repente vilipendiada por um acidente ambiental, ou por utilizar mão-de-obra infantil em um país em desenvolvimento? A resposta, pelo menos por enquanto, não é a mais esperada, visto que não são todos os que levam em consideração esses fatores. Mas os investidores mais conservadores, com perspectivas de ganhos no médio e longo prazo, estão aderindo com empolgação aos chamados fundos éticos ou socialmente responsáveis.

    Nos Estados Unidos, a meca do mercado acionário, esses investimentos baseados não apenas nos riscos financeiros das empresas, mas também nos sociais e ambientais, já representam cerca de 13% do total investido. Pode não parecer muito, mas levando em conta o gigantismo dos fundos de ações norte-americanos, esse percentual significou, em 2001, o total de US$ 2,3 trilhões. O mais impressionante é a taxa de crescimento dos investimentos levando em conta o “caráter” sócio-ambiental da empresas: de 1999 para 2001, enquanto o universo total do mercado acionário cresceu 22%, passando de US$ 14,3 trilhões para US$ 19,9 trilhões, os fundos éticos subiram 36% .

    São 230 fundos múltiplos nos EUA que utilizam algumas das chamadas screenings, ou peneiras, cuja função é identificar nas corporações com ações negociadas alguma característica não-desejável nos aspectos ambientais ou sociais. A forma de agir de cada fundo, depois de “peneirar” os problemas, se divide em três tipos principais de estratégias: screening, shareholder advocacy ou community investing. O fundo do tipo screening é o mais comum e tem como princípio negociar apenas ações de empresas com boa conduta social, ambiental e de relação trabalhista, excluindo da carteira companhias de setores malvistos: fumo, álcool, pornografia, jogos de azar, material bélico e energia nuclear.

    O fundo shareholder advocacy possui estratégia mais tolerante. Isso porque ele aceita empresas com problemas rejeitados pelo fundo screening, sem fazer muita restrição. Porém, a empresa fica sujeita a ter que abandonar suas práticas ruins. Durante as assembléias de acionistas, os administradores do fundo movem ações para convencer as empresas a mudarem de conduta. Foram medidas desse tipo, por exemplo, que obrigaram a General Electric a produzir máquinas de lavar com menor consumo de energia, que obrigou uma grande rede de fármacias americana a parar de vender termômetros com mercúrio ou ainda que fez a Coca Cola se comprometer a usar 10% de PET reciclado, mundialmente, em suas garrafas até 2005.

    Já a estratégia community investing, responsável pela menor fatia do bolo dos fundos éticos, tem como propósito gerar recursos e oportunidades para comunidades urbanas e rurais carentes nos Estados Unidos. Esses investidores tentam tornar viáveis, com os recursos do fundo, projetos de geração de empregos, de financiamento para pessoas de baixa renda e microempresas, e ainda de serviços comunitários, como escolas e creches.

    Química e Derivados: Ambiente: Ribeiro - critérios evitam riscos futuros.

    Ribeiro – critérios evitam riscos futuros.

    Brasil adere – Mesmo com seu imaturo mercado de ações, com apenas 500 empresas listadas em Bolsa, o Brasil já conta desde o ano passado com um fundo socialmente responsável. Em novembro de 2001, o banco ABN Amro Real lançou o fundo Ethical. Com carteira de ativos de R$ 13,5 milhões e 17 ações brasileiras listadas, o fundo comemorou um ano com desempenho acima da média do índice Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo.

    De acordo com o gerente sênior do ABN Amro, Luiz Ribeiro, o perfil do fundo é igual ao do screening americano: exclui empresas de fumo, álcool, energia nuclear, material bélico, pornografia e jogos de azar, e também se fixa apenas em ações de empresas com desempenho ambiental e social elogiáveis. Por isso, a Petrobrás, repetidora contumaz de acidentes ambientais de grandes proporções, não faz parte do portfólio de ações.

    Logicamente, para ser incluída as ações também precisam ter boa liquidez. Na escolha das empresas, o ABN partiu das 500 empresas nacionais listadas, depois reduzidas para 150 ações com bom desempenho financeiro, sendo a partir daí peneiradas, pelas condições socio-ambientais, até chegarem nas 17 finais do portfólio. Na seleção, foram levadas em conta itens como responsabilidade social e conduta ambiental, mas também fatores específicos como respeito a sócios minoritários, transparência administrativa, independência do conselho administrativo, entre outros.

    De acordo com Luiz Ribeiro, embora o desempenho do fundo Ethical no universo analisado tenha sido superior à média Ibovespa, estudos indicam que, de modo geral, os fundos socialmente responsáveis a curto prazo ainda não têm retornos superiores aos convencionais. Mas também eles não são inferiores. “Essa é a beleza do investimento: os aplicadores não perdem no curto prazo e não correm risco no futuro, visto que as ações são melhor selecionadas”, diz. Para manter atualizadas as informações sobre as empresas listadas, o ABN possui, além de uma estrutura interna de pesquisa que abrange questionário e metodologia de pontuação, suporte de ONGs e de outras instituições financeiras, como o Unibanco, que também faz avaliação sócio-ambiental de corporações.


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