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18 de agosto de 2014

Materiais: Solvay investe no avanço dos polímeros especiais

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    A direção de vendas e marketing da unidade de negócios de polímeros especiais da Rhodia, empresa do grupo Solvay, na América do Sul passou em junho ao comando de Andreas Savvides. Nascido na Itália e com experiência de 20 anos no grupo de origem belga, ele pretende ampliar os laços com clientes e potenciais usuários desses materiais nobres, principalmente no Brasil, o maior mercado regional.

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    O foco dos negócios na região recai nos investimentos do setor de óleo e gás natural, no qual são frequentes as aplicações em condições críticas de temperatura, pressão e solicitações mecânicas. “Há um potencial muito grande para nossos negócios aqui no Brasil, podemos ampliar em quatro vezes as nossas vendas locais nessa área”, comentou Savvides.

    Ele se apressa em corrigir um engano comum: a área de polímeros especiais da Solvay (Rhodia) não inclui as resinas da área de plásticos de engenharia do grupo, na qual as poliamidas tem ampla participação. “O mercado em geral coloca todos esses materiais na mesma categoria de plásticos de engenharia, mas na Solvay temos uma unidade de negócios apenas para materiais mais avançados, capazes de suportar temperaturas entre -200ºC e +300ºC sob pressão elevada e condições adversas”, explicou. A Solvay possui 18 unidades globais de negócios (GBUs), com focos muito bem definidos de atuação.

    A GBU de polímeros especiais possui quatro áreas principais de atuação: óleo e gás, responsável por um terço das vendas globais da unidade; filmes para embalagem de carnes para exportação e para blísteres farmacêuticos; produtos automotivos; e revestimento de fios e cabos.

    Os filmes de embalagem para essas aplicações são especiais. A exportação de carnes, campo no qual o Brasil possui grande participação, exige plásticos que suportem as temperaturas de congelamento e o transporte sem sofrer danos. Nos blisteres farmacêuticos, a ideia é substituir as folhas de alumínio que formam suas bases. “Um filme plástico facilita a reciclagem pós-consumo dos blisteres e ainda é mais econômico que o alumínio, um grande consumidor de energia para transformação”, considerou.

    Na área automotiva, Savvides reconhece ser pequena a participação da GBU no mercado regional, embora a unidade de plásticos de engenharia da companhia tenha presença notável. “Em dois anos, deveremos ter uma fatia bem maior desse mercado, porque podemos oferecer redução de peso e aumento de performance aos veículos”, afirmou. A GBU, nesse segmento, oferece poliamidas modificadas (TPA) e fluorelastômeros (indicados para juntas do cabeçote de motores, por exemplo).

    Além dessas aplicações principais, a área de saúde humana (health care) também apresenta oportunidades para os polímeros especiais da Solvay. “Temos boas propostas para confecção de implantes, pois os plásticos são mais leves, puros, compatíveis e mais baratos que os metais atualmente utilizados nesse segmento”, comparou o diretor. A GBU conta com 35 produtos em linha para essas aplicações, incluindo resinas e seus compostos, capazes de oferecer incrementos em resistência mecânica, química, térmica e à permeação. No entanto, o uso de novos materiais precisa de aprovação da Agência Nacional de Saúde (ANS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), um processo muito demorado.

    Outros usos possíveis para polímeros especiais estão no transporte de água gelada, revestimentos de papéis e metais, além da produção de eletrônicos, hoje concentrada na Ásia.

    Cardápio variado – O portfólio da GBU de polímeros especiais abrange oito linhas de negócios, atendidas por 35 linhas de produtos que incluem mais de 1.500 itens (considerando os materiais e seus compostos). “Temos um portfólio complexo e diversificado, com produtos na forma de pós, pellets e filmes, adequados para cada cliente e aplicação”, comentou Savvides.

    A Solvay (Rhodia) não produz esses polímeros na América do Sul, tanto por uma questão de mercado quanto por estratégia. “Temos capacidade para fazer esses produtos internamente e queremos ter certeza da qualidade final, sem abrir todos os segredos de produção”, explicou. Ele citou o caso do PVDF (polivinilideno fluorado), muito usado em aplicações de óleo e gás. “A Petrobras exige que o fornecedor assuma a responsabilidade sobre o desempenho do material, isso é muito sério”, ponderou. Por isso, no momento, não procura parcerias para a produção local de compostos.

    Savvides também observou que esses polímeros têm preços de venda acima de € 100/kg. “Podemos produzir os materiais onde for necessário, pois preço não é o problema, ao contrário das commodities; além disso, nossos concorrentes também os importam”, explicou. Caso a demanda apresente crescimento estável, especialmente nos projetos offshore de óleo e gás, a companhia poderá estudar a hipótese de instalar produção local.


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