Máquinas e Equipamentos

16 de janeiro de 2009

Máquinas: Perspectivas 2009 – Queda nas encomendas anula bons efeitos conquistados com o real desvalorizado

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Publicado por: Domingos Zaparolli
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    Química e Derivados, Máquinas

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    crise econômica internacional gerou uma boa e uma péssima notícia para os fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos. A novidade boa é que, no rastro da crise mundial, a moeda brasileira se desvalorizou e melhorou a competitividade do setor. Nos últimos anos, o real valorizado era a principal queixa da indústria de máquinas. Por conta dessa situação, os fabricantes perdiam mercados no exterior e passaram a sofrer uma forte concorrência de produtos importados no Brasil. Os números preliminares apontam um aumento na compra de máquinas importadas de 42% em 2008, que gerou um déficit na balança comercial do setor de US$ 10 bilhões. O dólar cotado acima de R$ 2,00 afasta este problema.

    Carlos Nogueira, vice-presidente da Abimaq

    Carlos Nogueira: setor é o primeiro a parar e o último a se recuperar

    A péssima notícia é que a desvalorização do real chegou num momento de retração dos compradores no mercado interno e no externo. Em dezembro, por exemplo, os pedidos em carteira do setor eram 30% menores do que em novembro. “Agora somos competitivos, mas não há mercado”, diz Carlos Nogueira, vice-presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Segundo o executivo, a expectativa para a economia brasileira é de um 2009 difícil, sem crescimento. Portanto, a indústria não vê motivos para investir em ampliação de capacidade produtiva e deixa de comprar máquinas e equipamentos. “Somos o setor que mais sofre com as crises; o primeiro a parar e o último a retomar os negócios”, diz Nogueira. A previsão da Abimaq é de uma queda em vendas e faturamento na ordem de 10% em 2009.

    Até a erupção da crise, 2008 foi um ano excepcional para os fabricantes de bens de capital mecânicos. Entre janeiro e outubro, o setor registrou um faturamento de R$ 65,4 bilhões, num crescimento nominal de 29,3% em relação ao mesmo período de 2007. Mas, em outubro, os primeiros sinais de retração se fizeram presentes, provocando uma queda nas vendas de 10,3% em relação a setembro. Em novembro, outro tombo, desta vez de 11,9% em relação a outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 15 de setembro e o final de novembro, as encomendas da construção civil recuaram 47%; as da agricultura, em 39%; e as da indústria de transformação, em 28%. Em dezembro, os pedidos recuaram em média 40%. Mesmo assim, os números preliminares da Abimaq apontam que 2008 foi o melhor ano da história em consumo de máquinas no país. Somando-se a produção doméstica voltada ao mercado local com as importações, o país investiu R$ 95 bilhões em equipamentos no ano passado, um crescimento nominal de 29% em relação a 2007. As exportações alcançaram US$ 12 bilhões, um crescimento de 17%, e as importações totalizaram em US$ 22 bilhões. Os segmentos que mais se destacaram no ano foram o de máquinas agrícolas e bombas/motobombas. Já as indústrias de máquinas gráficas e têxteis apresentaram uma forte retração durante todo o ano. Atribui-se a queda ao fato de esses segmentos terem sido fortemente afetados pela importação de produtos acabados.

    O período entre o final de 2008 e as primeiras semanas de 2009 foi recheado de notícias ruins, apontando para uma forte retração das vendas de bens de capital. Segundo o IBGE, a produção industrial brasileira em novembro recuou 5,2%. Em dezembro, a indústria paulista, que responde por 40% da produção nacional, apresentou uma retração de 13,5%. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), fugindo a uma tradição, não fez uma previsão de produção para 2009. Mas o presidente da General Motors do Brasil, Jaime Ardila, afirmou que o setor espera uma queda de 11% a 15% nas vendas totais no ano. A indústria siderúrgica projeta queda de 40% na produção do primeiro trimestre do ano. Na área agrícola, a situação não é melhor. O próprio Ministério da Agricultura prevê uma queda de 5,9% na atual safra. Mas a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) fala em queda de 10%. As previsões de exportações brasileiras também não são otimistas. A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) projeta uma queda de 17,6% nas vendas internacionais, limitando-se a US$ 163 bilhões no ano.

     


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