Economia

27 de dezembro de 2016

Máquinas: Juros altos e real valorizado sufocam indústria, diz Abimaq

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Os resultados do terceiro trimestre de 2016 do setor de máquinas e equipamentos confirmou a tendência de retração setorial, iniciada há quatro anos. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq) preveem uma perda de 20% na receita total líquida neste ano, para um setor que opera com margens de lucro cada vez mais estreitas, comprometendo sua sobrevivência.

    Química e Derivados, Máquinas: Juros altos e real valorizado sufocam indústria, diz Abimaq

    “A apreciação do real frente ao dólar em 2016 tirou a competitividade de toda a indústria brasileira, não só ade máquinas, mas de toda a atividade de transformação”, apontou João Carlos Marchesan, presidente da Abimaq. As indústrias do setor operam com índice de ocupação de capacidade instalada de 67,5%, mantendo carteira de pedidos para apenas 2,6 meses de atividade, gerando insegurança entre os empresários. O número de postos de trabalho também declinou, chegando a 306 mil profissionais em setembro deste ano. Em 2011, o setor empregava 386 mil trabalhadores.

    O presidente da entidade informou que 75% das 7,5 mil empresas associadas possuem pendências com o governo (federal, estadual ou municipal), motivo pelo qual não podem exibir certidões negativas de débitos fiscais, item fundamental para pleitear novos financiamentos. “Quando a situação aperta, os empresários precisam optar entre pagar seus funcionários e fornecedores ou quitar impostos”, comentou.

    A balança comercial do setor exibe uma redução do costumeiro déficit, explicada pela redução drástica das importações de bens de capital registrada desde 2014. Houve um aumento nos meses de junho e julho, explicado pela necessidade de trazer da Coreia do Sul os grandes equipamentos da Usina Siderúrgica de Pecém. “Foi uma operação isolada, de grande porte, mas não reflete a tendência geral”, comentou Marchesan.

    As exportações de máquinas brasileiras registram retração de 11,9% em relação aos primeiros meses de 2015, com destaque positivo apenas para as máquinas para fabricar bens de consumo, cujas vendas ao exterior cresceram 33,4% no período. Os maiores clientes dos equipamentos brasileiros são os países da América Latina que, por sua vez, também não passam pelos seus melhores dias. Esse grupo consumiu 3,9% menos em valor de produtos feitos no Brasil. Os Estados Unidos e a Europa, dois destinos frequentes dos produtos nacionais, também compraram menos 10,4% e 8,4%, respectivamente. Em contrapartida, as compras chinesas cresceram 433% na comparação entre os nove primeiros meses de 2016 e 2015, embora seja esse o destino de apenas 7,9% das máquinas brasileiras.

    A Abimaq criticou o governo federal pela falta de uma política cambial que defenda a indústria nacional e também por manter uma taxa primária de juros abusiva, a maior do mundo. “Além disso, as questões tributárias estão asfixiando o setor produtivo, no caso do petróleo, estamos competindo em franca desvantagem em relação aos fornecedores internacionais”, criticou.

    A Abimaq, ao lado de outras entidades empresariais, têm visitado autoridades e órgãos estatais, bem como parlamentares, para buscar saídas para a grave crise econômica, mas com poucos resultados. “Os governos federal e os estaduais se mostram inflexíveis aos pleitos do setor, oferecem poucas saídas para nós”, lamentou Marchesan. A maior dificuldade está nos estados, quase todos em péssima situação financeira que os motiva a ampliar a arrecadação, em especial pelo ICMS.

    Quanto ao câmbio, a Abimaq entende que seria mais adequado manter a relação de R$ 3,60/dólar para manter a produção local competitiva. Caso se pretenda incentivar investimentos produtivos no longo prazo, a taxa ideal seria de R$ 4,00/dólar, segundo Marchesan. Difícil acreditar que o governo federal concorde com ele, pois a elevação cambial aceleraria a inflação, já considerada elevada.

    Além disso, é preciso considerar os efeitos da globalização, entre os quais a transferência de várias indústrias para países com vantagens enormes de custos. “A globalização é um fato inegável, mas o que criticamos é a manutenção de um quadro econômico que desincentiva a produção local”, salientou.

    Uma das grandes queixas dos fabricantes de máquinas e equipamentos diz respeito ao setor de exploração de petróleo, favorecido pelo regime aduaneiro especial para pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural, mais conhecido como Repetro. Esse regime permite trazer máquinas e equipamentos completos do exterior para uso em alto mar sem o recolhimento de impostos como IPI, PIS/Cofins e ICMS. “O Repetro começou em 1997, para valer até 2019, mas as empresas de petróleo, entre elas a Petrobras, querem a renovação desse regime por mais vinte anos, de modo a garantir o benefício fiscal para quem participar dos próximos leilões de áreas da ANP, previstos para 2017”, comentou.


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