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2 de março de 2004

Manutenção: Parada parcial de Camaçari garante 6 anos de campanha

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Publicado por: Jose Valverde
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    A parada de manutenção das unidades de Olefinas II e Aromáticos II da Braskem ocorrida no pólo petroquímico de Camaçari foi marcada por uma inovação: a recuperação do estoque de óleos e correntes de nafta que estava no processo e em parada anterior teria sido posto na conta de resíduo. Seria, conseqüentemente, queimado no flare, ou conduzido para tratamento na empresa ambiental que trata os resíduos do II Pólo Petroquímico, a Cetrel. “Instalamos uma rede provisória para coletar este material”, revela o líder da equipe de manutenção, engenheiro eletricista Luiz Alberto Pereira.

    A recuperação incluiu a adoção de procedimentos para baixar a geração de resíduo na entrega das unidades às turmas de manutenção. Um dos procedimentos foi o uso de solventes para proceder a limpeza de equipamentos estáticos, antes da abertura. “O procedimento tradicional é abrir a torre, vaso de pressão ou outro equipamento e fazer logo a limpeza, mecânica ou com hidrojato, gerando enorme quantidade de resíduos e efluentes”.

    Outra novidade foi a prática do alpinismo, e conseqüente dispensa de andaimes, na execução de reparos na tocha do flare para remoção de pontos de corrosão e restaurações do isolamento e da pintura. O alpinismo de inspeção e manutenção é prática desenvolvida por uma empresa local, a MSC. Inspetores de Equipamentos da MSC que praticavam o alpinismo como hobby e resolveram profissionalizar-se. “A iniciativa foi deles”. São agora alpinistas de inspeção e manutenção, formam uma nascente categoria profissional.

    Química e Derivados: Manutenção: 4.500 pessoas participaram das operações.

    4.500 pessoas participaram das operações.

    A Braskem espera melhorar a eficiência das duas unidades, situação que sempre ocorre depois de uma parada de manutenção, mas não há uma avaliação precisa em relação ao que será alcançado. “Foi uma parada típica de inspeção e manutenção, não houve nada que possamos caracterizar como revamp”, justifica Luiz Alberto. “O principal objetivo é assegurar a campanha por mais seis anos”.

    O único serviço de grande porte “fora do escopo de manutenção” foi a troca de 15 mil m2 de isolamento a frio de equipamentos e tubulações, utilizando novos materiais e nova tecnologia de aplicação. “Propiciará ganhos de energia e aumento na estabilidade e confiabilidade operacional”.

    Ressalta Luiz Alberto que nas empresas dotadas de serviço próprio de inspeção de equipamentos (SPIE) certificado pelo IBP/INMETRO, o limite legal para a inspeção interna de fornos, torres, vasos de pressão, trocadores de calor, válvulas, tubulações, tanques, esferas e outros equipamentos estáticos é de seis anos, prazo estabelecido pela NR 13 do Ministério do Trabalho. “Se a Braskem não fosse uma das 20 empresas já certificadas, o prazo seria de três anos”. Para certificar-se, a Braskem formou equipe permanente de seis engenheiros e 27 inspetores de equipamentos.

    A norma NR-13 prevê, excepcionalmente, que o prazo possa ser dilatado por um ano, desde que a dilatação seja fundamentada em avaliação técnica e haja acordo com o sindicato dos trabalhadores, o Sindiquímica. Valendo-se desta possibilidade, a campanha que antecedeu a parada de manutenção durou sete anos. “Não ofendemos as normas, nos valemos da excepcionalidade”, assegura Luiz Alberto. A parada anterior, a primeira ocorrida nas unidades Olefinas II e Aromáticos II, foi em 1997.

    Foram realizados serviços nas tubovias que fazem a interligação com empresas supridas pela Braskem. Conseqüentemente, cinco destas empresas também pararam: Isopol e Estireno, ambas da Dow Química, Politeno, Oxiteno e Deten . Pararam também três unidades que passaram da condição de empresas com razão social própria para unidades da Braskem: PE 1 (OPP), PE 2 (Polialden), PVC (Trikem) e CPL (Nitrocarbono). A parada, ocorrida entre 15 de janeiro e 19 de fevereiro, mobilizou 4.500 pessoas na fase de pico e requereu investimento de mais de R$ 50 milhões, arredondamento estimado por Luis Alberto. Mais de 40 empresas foram convocadas, duas do exterior: a Siemens, que respondeu por compressores e turbinas, e a japonesa Kobesteel, especializada em caixa fria, como são chamados os trocadores de calor que operam a menos de 170° C.

    Duas circunstâncias retardaram os serviços em uma semana: a chuva constante que caiu na primeira semana, “emperrando a atividade”; e uma ação do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, que congrega algumas categorias terceirizadas, a dos montadores de andaimes e dos serviços de caldeiraria, isolamento e pintura. “Por isso, na fase de pico houve mais gente do que o previsto”.



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