Manutenção Industrial

15 de junho de 2011

Manutenção industrial – Setor recupera prestígio ao manter as fábricas em operação por mais tempo

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Publicado por: Etiene Ramos
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    Revista Química e Derivados, Manutenção Industrial, Setor recupera prestígio ao manter as fábricas em operação por mais tempo

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    volume de investimentos brasileiros em manutenção industrial chegou a 4% do PIB em 2010, percentual semelhante ao exibido pelos países mais desenvolvidos. Como esse percentual foi alcançado em um período de elevados aportes de recursos em novas capacidades produtivas, as previsões do segmento são muito estimulantes. A par da expectativa de demanda engordada, os prestadores de serviços em manutenção sentem a recuperação do prestígio da atividade, até há algum tempo classificada apenas como componente de custos. A visão mais moderna alia esses trabalhos à gestão estratégica dos ativos, pretendendo aumentar a disponibilidade operacional de fábricas e equipamentos e, com isso, melhorar a rentabilidade global dos empreendimentos.

    A retomada do crescimento industrial do Brasil e os investimentos que tornam Pernambuco um novo polo da cadeia de petróleo e gás e das indústrias naval e petroquímica apareceram nos resultados da Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos – Coteq 2011, realizada de 10 a 13 de maio, pela Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção (Abendi), na famosa praia de Porto de Galinhas, no Litoral Sul pernambucano. É lá onde fica o Complexo Industrial e Portuário de Suape, sede da Refinaria Abreu e Lima e da PetroquímicaSuape, investimentos da Petrobras que vão incrementar a demanda por ensaios e inspeção no estado. “Trazer o evento para Pernambuco foi uma iniciativa fantástica da Abendi, dada a grande concentração de investimentos”, avaliou o presidente da Refinaria Abreu e Lima, Marcelino Guedes.

    Para o diretor executivo da Abendi, João Conte, esse cenário foi decisivo para quase dobrar o número de participantes da conferência, que passou dos 980 da edição anterior, em 2009, para 1.674, nesta. “O resultado foi muito além das nossas expectativas e já decidimos que a edição de 2013 também será em Pernambuco”, informou Conte, ressaltando que, neste ano, a presença de empresas, especialistas e empresários estrangeiros conferiu um caráter internacional à Coteq 2011.

    Nos próximos dois anos, Pernambuco já deverá processar os primeiros barris de petróleo na Abreu e Lima, dando repercussão aos aportes públicos no estado que, só do BNDES, recebeu R$ 17,5 bilhões em 2010 na área de coque, refino de petróleo e combustíveis. Mesmo não produzindo petróleo, Pernambuco entra com ênfase na cadeia produtiva que, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), conta com uma produção crescente no Nordeste. Em 2000, a região teve uma participação de 11% na produção nacional de derivados e, no ano passado, o índice foi de 15,9% com as atuais refinarias em funcionamento. O destaque ficou com a Bahia, que, em 2010, respondeu por 14,8% da produção brasileira.

    Focados no futuro bem próximo, empresas nacionais e multinacionais aproveitaram para apresentar seus produtos na Exposição de Tecnologias de Equipamentos para Corrosão e Pintura (Expoequip) e tratar, nos seminários e congressos paralelos, dos principais temas que envolvem os ensaios não destrutivos, responsáveis pela ‘qualidade de vida’ e rentabilidade dos empreendimentos e seus ativos.

    As áreas de inspeção e manutenção aparecem entre as mais promissoras. O engenheiro de equipamentos da Diretoria de Exploração e Produção da Petrobras, Laércio Rocha, confirma a expectativa de expansão da manutenção no rastro dos vários projetos da estatal que incluem plataformas para exploração do pré-sal e novas refinarias que aumentam a preocupação com a integridade das instalações e com os impactos ambientais. “É uma área em que vale a pena apostar. O mercado de petróleo no Brasil vai crescer muito e se expandir. No exterior, as empresas ficam espantadas com a velocidade dos acontecimentos e há uma tendência de se estabelecerem no Brasil para atender à demanda”, afirmou, admitindo que a Petrobras já faz contratos internacionais para a área de manutenção, seja para consultorias ou trabalhos específicos em equipamentos.

    Atendidas por profissionais com alta qualificação, as empresas de manutenção e inspeção ainda terão de enfrentar muitos desafios na formação e regulamentação da mão de obra e na consolidação do conceito de que não representam custos, mas investimentos. O diretor presidente da Íntegra, Teófilo de Souza, depois de 25 anos de Petrobras, deixou a estatal e se juntou a outros especialistas em inspeção para atender, especialmente, a própria Petrobras. Com sede no Rio de Janeiro, a Íntegra já recebeu pedidos para levar pessoal à PetroquímicaSuape e poderá abocanhar um mercado em Pernambuco que, segundo ele, ainda não foi percebido pelos empresários locais, surpresos com a explosão regional e sem saber como aproveitar as possibilidades de negócios das cadeias que começam a mudar o perfil industrial do estado, historicamente ligado à indústria sucroalcooleira.


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