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15 de julho de 2009

Lubrificantes – Melhora a tecnologia para o rerrefino do óleo usado

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    m 2008, a indústria de óleos lubrificantes comercializou 1,17 bilhão de litros no Brasil. A má notícia é que 580 mil litros não foram contabilizados durante a coleta pós-uso monitorada pelos organismos ambientais, volume que foi reutilizado ou descartado sem nenhum tratamento, liberando para o ambiente substâncias deletérias, tais como chumbo, enxofre e cádmio.

    O Ministério do Meio Ambiente acusa o aspecto financeiro de ser o maior cúmplice do comércio clandestino. Enquanto a coleta correta paga em torno de R$ 0,20 por litro para repassá-lo à indústria de rerrefino, a forma ambientalmente amigável de tratar o óleo descartado, os compradores clandestinos, normalmente empresários que operam caldeiras, estão dispostos a pagar R$ 0,70 por litro. Um bom negócio, pois o óleo combustível virgem tem custado US$ 900,00/t nos últimos anos, em média, enquanto o óleo sujo fica em R$ 700/t. Arredondando, a economia é de R$ 1,1 mil/t (com o dólar a R$ 2).

    Sabe-se, porém, que uma porcentagem incerta do óleo pós-uso recebeu destinação ainda mais criminosa. Passou por filtragem grosseira, ganhou um corante e voltou aos motores dos veículos, carregando toda a sorte de contaminações, sem atender a nenhuma especificação.

    A tecnologia traz uma boa notícia. Os processos de rerrefino estão cada vez melhores. O sistema mais antigo, empregado de 1950 até 1980, usava o método ácido-argila, exigia maior carga de aditivos, mantinha um teor ácido de 10% e contemplava um volume maior de neutralizantes e clarificantes. Entretanto, foi substituído por um processo mais moderno e engloba uma reação em ácido-argila com thermo-cracking, que reduz o teor de ácido sulfúrico para 4%. Dispensa maiores volumes de químicos e opera por batelada ou destilação semicontínua.

    Na torre de destilação, todos os componentes estranhos, principalmente os compostos naftênicos e aromáticos, são retirados e o que retorna à indústria de lubrificantes é um óleo básico mineral RR neutro próximo ao Tipo 2, com ótimo índice de viscosidade (IV) em torno de 110%. O tipo 1 fornecido pela Petrobras contém 95% de IV. A distribuição e a coleta atualmente ocorrem em 4,3 mil municípios do país, em 34 centros de armazenagem. São analisadas a saponificação, destilação e presença de contaminantes.

    Segundo o presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Rerrefino de Óleos Minerais, Nilton Torres de Bastos, o óleo lubrificante no Brasil ainda é coletado sem segregação. Portanto, os óleos entregues nas rerrefinarias são uma mistura dos minerais, semissintéticos e sintéticos. Mesmo assim, os processos de última geração permitem a transformação em óleo básico com especificação dentro das normas da Agência Nacional do Petróleo.

    O rerrefino de óleos lubrificantes está normatizado legalmente na resolução 362 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Ela determina que todo o óleo lubrificante usado ou contaminado deve ser destinado à reciclagem por rerrefino. A lei diz que o produtor, o importador e o revendedor de óleo lubrificante acabado, bem como o gerador de óleo lubrificante usado, são responsáveis pelo recolhimento do óleo lubrificante usado e sua destinação correta.

    Atualmente, a resolução exige que cada estado recolha corretamente um mínimo de 30% do óleo comercializado, em média. Os percentuais variam de região para região.

    Cada litro de óleo contamina 1 milhão de litros de água. A combustão de óleos usados gera ainda gases nocivos ricos nas cancerígenas dioxinas. O solo contaminado por óleos contém os metais pesados intrínsecos aos hidrocarbonetos, tais como chumbo, cádmio, cromo, mercúrio e níquel.

    A primeira oficina nacional para capacitação sobre legislação, coleta correta e rerrefino de óleos lubrificantes acontecerá nos dias 25 e 26 de setembro próximo, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, no tradicional endereço da Avenida Paulista. Será organizada pelo Grupo de Monitoramento Permanente (GMP) do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que avalia a aplicação de normas técnicas para este setor. Em 26 de junho, foi realizado um encontro regional preparatório na sede da Federação dos Municípios do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Eventos semelhantes já ocorreram nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.



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